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31 de março, uma mentira

O dia 31 de março de 1964, voltou a ser notícia, embalado pela decisão do Presidente da República de trocar o Ministro da Defesa, dois dias antes de completados os 57 anos de distância no tempo. Houve versão para todos os gostos. 

A mentira é um instrumento poderoso da ação política, porque os instrumentadores são bons na arte e o povo, muitas vezes, pessimamente informado e outras vezes, por conveniência, é enganado. 

O objetivo da ação política é sempre o poder e este é o caminho para  se ter o Estado sob domínio para satisfazer várias intenções, boas e ruins. Então, todo o esforço que se faz para chegar ao poder e nele se manter só tem uma razão: o domínio do Estado, algo clamoroso. 

Uma mentira aconteceu no Brasil em 1964, por atitude direta dos instrumentadores e engano consciente e conveniente do povo brasileiro. Alguns chamam o que ocorreu de Revolução e outros de Golpe. Por isso, alguns comemoram o 31 de março, que aconteceu em abril, e outros condenam as comemorações . 

Para deixar mais claro, trago duas peças históricas. A mensagem do antropólogo político Darcy Ribeiro, Chefe da Casa Civil do Presidente João Goulart,  ao Senado Federal e a resposta do Presidente do Senado Federal, Senador paulista, Auro de Moura Andrade. Tudo isso ocorrido na sessão plenária do Congresso Nacional, no dia 2 de abril, e não, no dia 31 de março:

  1. Darcy Ribeiro (mensagem lida pelo Primeiro Secretário do Senado Federal, Senador pelo Acre, Adalberto Sena: “O Senhor Presidente da República incumbiu-me de comunicar a Vossa Excelência, Senhor Presidente do Senado Federal, que, em virtude dos acontecimentos nacionais das últimas horas (…), investido na Chefia do Poder Executivo, decidiu viajar para o Rio Grande do Sul, onde se encontra à frente das tropas militares legalistas, e no pleno exercício dos poderes constitucionais, com o seu ministério, atenciosamente, Darcy Ribeiro, Chefe da Casa Civil”. 
  2. Resposta do Senador Auro de Moura Andrade, Presidente do Senado: “O Senhor Presidente da República deixou a sede do governo. Deixou a Nação acéfala, numa hora gravíssima da vida brasileira, em que é mister que o Chefe de Estado permaneça à frente do seu governo. Abandonou o governo e essa comunicação faço ao Congresso Nacional. Essa acefalia configura a necessidade do Congresso Nacional como poder civil, imediatamente, tomar a atitude que lhe cabe nos termos da Constituição, para o fim de restaurar nessa pátria conturbada, a autoridade do governo, e a existência de governo. Não podemos permitir que o Brasil fique sem governo e abandonado. Há sob a nossa responsabilidade a população do Brasil, o povo, a ordem e, assim sendo, declaro vaga a presidência da república e nos termos do artigo 79 da Constituição, declaro presidente da república, o presidente da Câmara dos Deputados, Ranieri Mazzilli. Está encerrada a sessão”. 

A Constituição Brasileira não dava ao Presidente do Senado a competência para considerar vaga a Presidência da República e o senhor Ranieri Mazzilli, muitas vezes empossado presidente por declaração, jamais exerceu, de fato, o cargo. 

O historiador Lira Neto, no livro “Castello, a marcha para a ditadura”, comentando abril de 1964, lembrou o conceito do senhor Ranieri Mazzilli: “Em menos de três anos, era a sexta vez que Mazzilli assumia o poder interino. Homem de saúde frágil, vítima de anorexia, sofrendo de problemas renais e das sequelas de uma bronquite mal curada, passou a ser apelidado pelas más línguas de Modess – a marca do famoso absorvente feminino. Descartável, estava sempre na hora certa – e no lugar certo – para evitar derramamento de sangue”. 

Na sequência. Lira Neto conta que, mesmo sendo o deputado Ranieri Mazzilli, o Presidente da República por declaração do Presidente do Congresso Nacional, os governadores, três dias depois do fato, reconheceram o Ministro da Guerra, General Arthur da Costa e Silva, como a autoridade maior do Poder Executivo e a ele foram pedir orientação e sugerir medidas. Uma delas, a escolha do general Humberto de Alencar Castello Branco para ocupar a Presidência. Vale ler na obra do Lira Neto, o que foi aquela reunião. 

Costa e Silva não gostou, mas só conseguiu dar voz ao desgosto no dia 15 de março de 1967, empossado Presidente da República, tendo como Vice-Presidente, outra mentira conveniente: o mineiro Pedro Aleixo. 

E, para caminhar o encerramento de nossa conversa de hoje, que já vai mais longe do que de costume, cabe lembrar que a lei que instituiu o impeachment de um presidente e todos os seus passos já existia no Brasil em 1964. Ele surgiu por aqui, 14 anos antes (Lei 1.079 de 10 de abril de 1950). 

Enfim, para que diminuam as cômodas mentiras na luta pelo Estado, seria bom, muito bom, que o Brasil o tornasse menos apetitoso. Essa é a proposta dos liberais. 

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E agora, João?

Opa! João Amoedo, em entrevista exclusiva ao Boletim da Liberdade, não descarta a possibilidade de ser, novamente, candidato a um cargo eletivo. Não esclarece mais que isso. Pode ser, quem sabe, uma nova candidatura à Presidência da República. Que bom, não? Um país com mais de 200 milhões de habitantes não pode ficar na dependência da sorte de um entre dois candidatos. 

Estive pessoalmente com João Amoedo uma vez, num escritório em Ipanema em companhia de duas pessoas que prezo muito, Denise Frossard e Moacyr Góes, roteirista, diretor de cinema e teatro. De passagem, alerto que o Moacyr está com uma peça sobre a perseguição aos cristãos simbolizada nos campos de refugiados. Acredito que após a pandemia e a esquizofrenia dos agentes do Estado Brasileiro, a peça vá aos palcos da cidade e, tomara Deus, aos palcos do mundo, que teria ganhos ao conhecer o trabalho. 

Quando visitamos João Amoedo, fomos para conversar sobre o Rio de Janeiro. Abria-se o segundo semestre do ano anterior ao da eleição municipal e da conversa saiu nosso reencontro com o Fred Luz, que se candidatou a prefeito da cidade pelo partido criado por João. A candidatura de Fred, um liberal, foi sacrificada pela soma do desconhecimento popular do candidato à estratégia do vencedor, Eduardo Paes que, enquanto estimulava a candidatura conveniente do Marcelo Crivella, considerou, no conjunto, o esvaziamento da campanha pelo sistema Globo. 

Na entrevista ao Boletim da Liberdade, João Amoedo comentou o voto dele no candidato Jair Bolsonaro no segundo turno da eleição passada: “Tinha expectativas muito baixas em relação ao governo Bolsonaro. Ele, como parlamentar, nunca defendeu pautas liberais e não possuía qualquer experiência de gestão. Apesar disso, havia alguma expectativa em relação às privatizações com o comando da pasta econômica pelo ministro Guedes, do combate à corrupção com o ex-juiz Sérgio Moro e compromisso de não concorrer à reeleição, conforme mencionado por ele na campanha”. 

Do que diz João Amoedo, Jair Bolsonaro acertou quando, em campanha, convidou Paulo Guedes e, na entrada no governo, convocou Sérgio Moro. E errou ao não dar curso às privatizações e se livrar do Juiz-Herói. Ou seja, por duas providências, Jair Bolsonaro perdeu a pouca confiança de João Amoedo. Mas, o que se fará, agora, quando entra em cena o ex-presidente Lula? Carlos Drummond diria: “E agora José? Você que é sem nome, que zomba dos outros… que ama, protesta? Está sem mulher, está sem carinho… A noite esfriou. O dia não veio. E agora, José?” 

João Amoedo respondeu. Ele defende o impeachment pra já e, à frente, a união dos candidatos distantes do Jair Bolsonaro e do Lula com base em um programa básico de governo. Algo que contemple as reformas essenciais, o respeito às instituições e responsabilidade com as contas públicas e meio ambiente, além do compromisso com o combate aos privilégios e à corrupção. Ao lado de tudo isso, o dever de criar um “ambiente propício para o combate à pobreza”. E quem representar o grupo deverá abrir mão da prerrogativa da reeleição e estar alinhado com a “pauta definida e possuir capacidade de execução e viabilidade eleitoral”. 

É um discurso que faz sentido, sem dúvida, mas quem se encaixa nele? Se for só pelo discurso, eu diria que todos os candidatos, independente da ideologia ou do humor. 

O desafio para um candidato liberal à presidência deveria ir mais longe pois o eleitor brasileiro gosta do Estado, porque não consegue ler com exatidão o mal que ele lhe faz. Ortega Y Gasset, numa obra que citei algumas vezes, “A Rebelião das Massas”, diz: “Quando a massa sofre de alguma adversidade ou, simplesmente, de algum forte apetite, é uma grande tentação para ela a possibilidade permanente e segura de conseguir tudo – sem esforço, luta, dúvida, nem risco – simplesmente acionando a mola e fazendo funcionar a máquina extraordinária” (O Estado). Vargas Llosa, outro liberal, traduz o conceito de massa em Ortega: “A massa a que Ortega se refere abraça transversalmente homens e mulheres de diferentes classes sociais, igualando-os num ser coletivo em que se fundiram, abdicando da sua individualidade”.

Dizer que é preciso privatizar será deixar a explicação nas mãos dos corporativos. Falar que o Estado cobra caro, no momento em que ele distribui dinheiro e favores, é chover no molhado. 

Portanto, o discurso dos liberais que queiram a presidência do Brasil, deve estar no campo da tradução dos problemas que o Estado, por seus agentes, causa ao pagador de impostos que não recebe privilégios. 

Retomo Ortega Y Gasset para definir o Estado: “Esse é o maior perigo que ameaça a civilização hoje: a estatização da vida, o intervencionismo do Estado, a absorção de toda a espontaneidade social pelo Estado; quer dizer, a anulação da espontaneidade histórica, que definitivamente sustenta, nutre e impele os destinos humanos”.  

Nunca estivemos tão perto da tradução mais fácil dos males do Estado como agora, ocasião em que os verdugos mandantes nos impelem à falência, sem dó, nem piedade e distorcem a Lei Maior em nome da devolução do poder aos que mais uso fizeram do Estado em benefício próprio. É neste campo que devemos centrar o discurso. 

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade

Por Jackson Vasconcelos

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Que Raios de Eleição é Essa?

Edição especial! Dessa vez, o podcast é uma conversa sobre o livro do Jackson Vasconcelos, “Que Raios de Eleição é Essa”, onde ele conta como são as estratégias na política e os bastidores de campanhas eleitorais.

Nessa temporada do podcast “Aqui tudo é política”, a análise peças como séries, filmes, livros, músicas, sempre pelo ponto de vista da comunicação política.

*Áudio disponível também no canal “Aqui tudo é política” no Spotify.

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Quem me representa?

Bati os olhos na primeira página do Boletim da Liberdade, na sexta-feira, 12, e encontrei a notícia: “Partido Liberal compartilha discurso de Lula nas redes sociais”. Em seguida, eu li: “Ex-presidente exalta a importância de liberais no jogo eleitoral brasileiro”, frase colocada logo abaixo da tela com a matéria da CNN que noticiou o discurso do ex-presidente Lula, proferido em homenagem à decisão do Ministro do STF, Luiz Edson Fachin. 

O Boletim não afirmou, só deu a notícia. Registrou: “A aliança entre o PL e o PT nas eleições de 2002 foi relembrada na última quarta-feira(10) com nostalgia pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva e, em reação, nesta sexta-feira (12) também pelo Partido Liberal. Em sua fala, o petista mencionou que sua primeira campanha vitoriosa foi marcada pela proximidade com o empresariado, simbolizada pela composição de chapa com o empresário e então senador José Alencar, do PL”. 

O Boletim continuou: “Com o título de “Ex-presidente exalta importância de liberais no jogo eleitoral brasileiro, o PL afirmou que Lula fez uma análise do quadro partidário nacional exaltando o poder e a força dos liberais nas eleições presidenciais”. 

Gente, o PL de hoje não é o partido dos liberais. Já foi e até pode voltar a ser, mas por hora, não é. Ainda não é. Recentemente, ele recebeu alguns liberais que, se fôlego tiverem, conseguirão que o partido faça jus ao nome. Um desses filiados é o liberal Pedro Rafael, uma conquista estratégica inteligente do Senador Carlos Portinho. 

Portinho sabe que o desafio dele, para fazer com que o PL fique, desta vez, distante do Lula, é enorme, como sabe que precisará contar com o apoio dos liberais para levar o partido a fazer sentido na vida das pessoas e não só dos políticos filiados. 

O PL foi liberal quando criado pelo ex-deputado federal Alvaro Valle, em 1985, no momento em que ele, filiado ao PFL, buscou ser candidato à Prefeitura do Rio. Contudo, uma pesquisa encomendada pelo partido mostrou que Rubem Medina seria mais competitivo, situação confirmada ao final da campanha pelos resultados obtidos pelos dois. Alvaro Valle saiu do PFL e criou o PL. 

A doutrina liberal estava espelhada com absoluta clareza no manifesto de criação do PL, partido que realizava cursos de formação política liberal, obrigatórios para os candidatos a cargos eletivos ou de direção partidária, como faz hoje o Partido Novo. Os cursos eram abertos à população e não exigiam filiação prévia ao partido. A Bolsa de Valores de S.Paulo era um dos financiadores do projeto, fato que carimbava a ideologia. Isso num tempo sem a festa glamourosa patrocinada pelos fundos partidários. 

O partido reverenciado por Lula já não era mais o partido de ideologia liberal, mas o PL da Igreja Universal. O dono da igreja, Bispo Macedo abandonou a sigla quando ela, pelos seus, esteve envolvida com um dos escândalos operados no Orçamento da União no episódio chamado de “escândalo das ambulâncias”. 

O Presidente do PL do Lula foi o Bispo Rodrigues, que após o escândalo, foi afastado da  Igreja Universal com outros pastores parlamentares. A Igreja camuflou-se em um novo partido, o PRB, criado só para ela, onde está hoje Marcelo Crivella. 

O Partido Liberal que temos hoje sob o número 22, ainda não representa os liberais. O Dicionário de Política, uma obra fantástica que reuniu Norberto Bobbio, Nicola Matteucci e Gianfranco Pasquino, apresenta uma longa lista de conceitos para a representação política. De lá, eu retiro, já encerrando a minha explanação, o seguinte trecho: “representar é possuir certas características que espelham ou evocam as dos sujeitos ou objetos representados”. 

Ainda não há, no PL, um número tal de liberais que possa dar ao partido as características dos liberais. Ele não é mais o partido que abrigou José Alencar, tampouco é o partido do Bispo Macedo e do Marcelo Crivella, mas também não chegou ainda a ser um partido que possa, com conforto, usar a chancela. Não enquanto for representado pelo Waldemar da Costa Neto, que tem o Estado Brasileiro numa referência que não agrada os liberais. 

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

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O Caminho do Centro – Memórias de uma aventura eleitoral

Em mais um episódio do podcast “Aqui tudo é política”, Jackson Vasconcelos e Livia Andrade comentam o livro “O Caminho do Centro – Memórias de uma aventura eleitoral”, de Marcelo Trindade. Na obra, Trindade dá o seu depoimento sobre a trajetória da sua candidatura ao Governo do Estado do Rio de Janeiro, em 2018, pelo Partido Novo.

Nessa temporada do podcast “Aqui tudo é política”, Jackson Vasconcelos e Livia Andrade analisam peças como séries, filmes, livros, músicas, sempre pelo ponto de vista da comunicação política.

*Áudio disponível também no canal “Aqui tudo é política” no Spotify.

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Foi isso que eu quis dizer?

A tecnologia criou fones de ouvido para tradução simultânea, uma novidade que encerra com a barreira entre os povos do mundo todo. Os tais fones anunciados com forte argumento de venda tornam possível cada um ouvir na própria língua o que lhe falam os estrangeiros. O milagre de pentecostes se concretiza na tecnologia moderna.

Nada, contudo, se criou para traduzir a conversa entre os candidatos e seus eleitores, porque esse é o tipo de comunicação que não se dá só pela fala, pela escrita, mímica ou imagem, mas por todo esse conjunto com um componente essencial: a identificação, a sintonia. Nós seres humanos temos conveniências e prestamos mais atenção àquilo que nos interessa, àquilo que tem a ver com a nossa vida.

Portanto, a relação entre candidatos e eleitores só é efetiva quando as conveniências se casam, quando existe identidade entre quem emite a mensagem e quem a recebe.

Não é suficiente para realizar o milagre, ir às pesquisas para descobrir o que o eleitor pede, deseja, quer ouvir ou sentir. Até porque as pesquisas são fontes onde todos os candidatos buscam água e isso faz de todas as propostas e discursos algo bem semelhante. Tão semelhante que produz descrédito. O eleitor quer se ver no candidato ou, pelo menos, saber que ele entende, por experiência, o que diz. E só se consegue falar com propriedade sobre aquilo que se conhece ou já se experimentou. 

O discurso político moderno dispensa a sofisticação. Já foi o tempo em que as oratórias brilhantes incompreensíveis eram aplaudidas e motivo para o voto. Hoje vale o discurso direto, sem rodeios, rápido e com identidade com quem o recebe. Os populistas são mestres nessa arte e, por isso, ganharam força e votos nos tempos da comunicação veloz. Francis Fukuyama, na obra “Identidades – a exigência de dignidade e a política do ressentimento”, que surgiu em razão da eleição de Donald Trump, afirma:

“Os líderes populistas procuram usar a legitimidade que lhes é conferida por eleições democráticas para consolidar o seu poder, procuram uma conexão carismática direta com o povo, que muitas vezes é definido em estreitos termos étnicos que excluem grandes segmentos da população. Não gostam de instituições e procuram minar os freios e contrapesos que limitam o poder pessoal do líder numa democracia liberal moderna: tribunais, corpos legislativos, mídia independente e uma burocracia partidária”.

O populista de plantão já temos, falta-nos o líder, verdadeiramente, democrático, que consiga ter identidade com o povo sabendo, com exatidão, as necessidades e expectativas dele.

Eis aí o desafio para os liberais. E só há uma referência possível na relação dos liberais com o povo: o modo como o Estado, em suas diversas representações, no Judiciário, no Legislativo e no Executivo – principalmente neste – funciona. O caminho não está na eterna e cansativa discussão sobre “direita e esquerda”, conceitos que o escritor espanhol Ortega y Gasset define de modo brilhante no livro “A Rebelião das Massas”. Vamos a ele:

“Ser de esquerda, como ser de direita, é uma das infinitas maneiras que o ser humano pode eleger para ser um imbecil: ambas são, de fato, formas de uma doença moral…hoje as direitas prometem revoluções e as esquerdas propõem tiranias”.

Em suma: sejamos práticos: O Estado Brasileiro não nos serve. Nem a quem afirma estar à direita ou à esquerda e menos ainda no centro. Ele serve à quem está inserido nele e ponto final.

O povo é, portanto, liberal no que diz respeito à relação que gostaria de ter com o Estado. E nesse ponto, volto a Ortega: “A vida pública não é somente política, mas também e primeiro, intelectual, moral, econômica, religiosa; abarca todos os costumes coletivos, incluindo os modos de vestir e de ter prazer”.

Numa noite qualquer da campanha de 2014, como eu sempre fazia, liguei a TV para acompanhar o debate entre os candidatos à Presidência da República. Marina Silva defendeu autonomia para o Banco Central, no conjunto da crítica que fez à presidente Dilma Rousseff, sua adversária. Eu me perguntei: o que isso muda na vida dos eleitores? Mas, ela não se deu ao trabalho de explicar. Então, o seu adversário explicou. Afinal de contas, uma campanha eleitoral é um ambiente de disputa pelo voto, numa situação em que, mesmo que o candidato não leve o voto que o adversário perdeu, isso já é um grande feito para o opositor. 

No dia seguinte ao do debate, a propaganda eleitoral do PT apresentou na TV a imagem de um grupo de engravatados em volta de uma mesa, para passar a ideia de um conluio de banqueiros contra o povo. Um narrador com voz grave informou: ” Marina tem dito que, se eleita, vai fazer a autonomia do Banco Central. Parece algo distante da vida da gente, né? Parece, mas não é…”.

Neste momento, troca-se a imagem para a de uma família na mesa na hora do jantar. O narrador continuou: “Isso significaria entregar aos banqueiros o grande poder de decisão sobre a sua vida e da sua família. Os juros que você paga, o seu emprego, preços e até salários. Ou seja, os bancos assumem um poder que é do Presidente e do Congresso eleitos pelo povo. Você quer dar a eles esse poder?”

Quando entraram na tela as palavras  “juros” e “salários”, o prato do dono da casa ficou vazio. Nada mais se disse, enquanto Marina e equipe tentavam responder sem ter resposta.

Felizmente, a proposta de tornar o Banco Central do Brasil uma organização de Estado, com autonomia para tomar decisões com relação à moeda e ao crédito, não ficou com a Marina Silva, mas ressurgiu na campanha de 2018, na voz do Jair Bolsonaro que, nos assuntos da economia é o boneco do ventríloquo Paulo Guedes.

A moeda e o crédito são os motores da economia. Quando entregues ao poder político, exclusivamente, produzem inflação e tiram do povo, aí sim, o emprego, o salário e a comida do prazo. Sem identidade com o povo, um candidato torna-se boneco de um ventríloquo dos institutos de pesquisa e o eleitor percebe.

*Livros que me inspiraram:
A Rebelião das Massas, de José Ortega Y Gasset.
Identidades, a Exigência de Dignidade e a Política do Ressentimento, de Francis Fukuyama.

Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

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Pelé

A vida do maior jogador de futebol do mundo, Rei Pelé, oferece para a estratégia na política lições bem interessantes com uma curiosidade: Pelé nunca desejou participar ativamente da vida política do Brasil. Como ele próprio diz no documentário: “Ajudei muito mais o Brasil com o meu futebol, com a minha maneira de viver, do que muitos políticos que ganham e trabalham pra fazer isso”. No podcast da semana, Jackson Vasconcelos e Livia Andrade comentam as lições tiradas do documentário.

*Áudio disponível também no canal “AQUI TUDO É POLÍTICA”, no Spotify!

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“Bilhões e Lágrimas”

Li rápido e com prazer, o livro “Bilhões e Lágrimas – A Economia Brasileira e Seus Atores”. Recomendo. Nele cheguei por indicação e presente de um grande amigo, Pedro Antônio da Silva. A obra é a composição de um conjunto de artigos publicados pela autora, Consuelo Dieguez, na revista Piauí, no período de novembro de 2006 a julho de 2013. 

Consuelo mostra, com ricos exemplos, que vão das relações do banqueiro Luiz César Fernandes com os sócios dele no Pactual, até a “Disputa que matou a Varig”, passando, no caminho, por “Todos contra Daniel Dantas” e pelo “Dono da Inflação’, numa referência ao Banco Central do Brasil. 

O motivo de minha atração pelo livro está na Introdução: “Sem chamar a atenção, sem valer-se de discursos ideológicos, o governo Lula começara a mudar o projeto de desestatização desenhado ainda no governo Itamar Franco. Foi a partir do perfil do Sérgio Rosa (naquele tempo presidente da Previ) que nos demos conta do surgimento de um novo capitalismo, que classificamos de capitalismo de Estado”. 

Mas, sobre isso, Consuelo tomou o cuidado de explicar: “(…) pode parecer que tínhamos, desde o início, nos planejado contar a história do capitalismo brasileiro a partir do governo Lula, dado o encadeamento de todas as reportagens que vínhamos fazendo. No entanto, não houve nenhuma estratégia nesse sentido. Foi só olhando para trás que tomamos consciência de que havíamos revelado como se dera o expressivo aumento da participação do Estado na economia”. 

Cá entre nós, o alerta me entusiasmou e recebi bem mais do que fui buscar. Consuelo conta os fatos e, enquanto relata, deixa-nos perceber a causa da resistência feroz dos agentes políticos do Estado contra a redução do tamanho dele: o uso de seus instrumentos de força para um projeto de poder pelo poder, exclusivamente.

O primeiro passo firme nesta direção está com Sérgio Rosa, o poderoso ex- presidente da PREVI. Conta Consuelo: “Um ex-dirigente do PT me contou que Gushiken (ex-ministro de Lula), levou a questão  dos fundos das estatais à direção do partido. “Lula e José Dirceu foram alertados de que os fundos de pensão eram o business”, disse o militante. “Os fundos entraram no projeto de poder que a Articulação (grupo do PT) desenhou em 1992, quando percebeu que a batalha pelo poder, dentro e fora do partido, não poderia ser ganha apenas ideologicamente. Que partido não gostaria de ter acesso a esse caixa milionário?”. 

O passo a passo da fusão da Sadia com a Perdigão é imperdível para quem queira entender o potencial demolidor que tem o movimento dos agentes do Estado na direção das empresas privadas. No primeiro momento, eles fazem o gesto cordial e usam a imagem de querer ajudar para, na verdade, depois, abocanharem os investimentos que o setor privado, por si mesmo fez. “O plano era criar a maior empresa de alimentos da América Latina”, diz Consuelo. E fazer isso tendo-a como um bem estatal,  digo eu a partir do que li e pesquisei sobre a história toda. 

A melhor parte Consuelo deixou para o final: “A disputa que matou a Varig”. O livro todo vale pela leitura do último capítulo. O caso VARIG é um exemplo de alta estupidez patrocinada pelo corporativismo. O que destruiu a VARIG e todas as chances dela de recuperação? O ganancioso fundo de pensão dos funcionários, um “INSS” compacto, onde estavam representadas todas as mazelas que eu, pessoalmente, vi presentes na autarquia federal. 

Busco em Marco Maciel, político que me converteu ao liberalismo, o melhor significado para o corporativismo: “autoritarismo de uma pequena elite, uma minoria tirânica”. Falou-se bastante durante a semana sobre o caráter liberal do Presidente da República, uns para dizerem que ele não tem e outros para afirmar que jamais terá. Esquecem-se todos, no entanto,  que Jair Bolsonaro é um pragmático, e tem feeling de poder. As chances dele de ser reeleito é que dirão que cartilha ele lê. 

Portanto, o poder de fazer ou não fazer está com a opinião pública. Quem poderá convencê-la? Só quem tiver a disposição de levar-lhe a mensagem, coisa fácil, porque para provar que o Estado Brasileiro não funciona, pouco ou nenhum esforço se precisa fazer. 

Não quero encerrar sem trazer a razão do título do livro, que tomei emprestado para o artigo de hoje, “Bilhões e Lágrimas”. Consuelo explica, no final da introdução à obra: 

“Em 2008, fui encarregada de fazer o perfil Luis Stuhlberger, um dos mais bem-sucedidos administradores financeiros de sua geração. Quando cruzei a porta do Credit Suisse Hedding Griffo, a administradora de recursos da qual ele é sócio, imaginei encontrar um impávido financista. Stuhlberger é o oposto. Tímido, atrapalhado e, como ele mesmo define, medroso. Estar no topo lhe custou muito – e ainda lhe custa. Seus medos e angústias profissionais nunca o abandonaram. Os bilhões que administra não o privaram de lágrimas. Um barril de risadas e um vale de lágrimas, do cartunista e humorista americano Jules Feiffer, era um dos livros que mantinha por perto quando o entrevistei, talvez um alerta permanente para os solavancos emocionais a que todos estamos sujeitos”. 

Quem tiver a oportunidade, leia o livro. A leitura é agradável e preocupante. 

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

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Dr. Castor e os liberais

Se você ainda não assistiu, assista “Dr. Castor”, um documentário sobre a vida de um homem que durante todo o tempo fez do Estado “gato e sapato”, até que no caminho dele apareceu uma juíza que, chamada ao dever de julgá-lo, julgou. 

Após “Dr. Castor”, que venham documentários sobre a vida de Sérgio Cabral Filho, Eduardo Cunha e outros personagens que, com desenvoltura e sem precisar de ousadia, fizeram do Estado Brasileiro material de uso próprio. Entre Castor e Cabral há mais semelhanças do que coincidências no modo como tiveram as estruturas públicas à disposição. Para evitar a repetição sem fim desse tipo de história, será preciso ter mais ou menos Estado? Será que com mais polícia, promotores e juízes a permissividade seria menor?  

Do modo como funciona o Estado Brasileiro, é inevitável ter um número imenso de servidores públicos para que, na sorte, a sociedade encontre alguns que, quando  chamados ao dever, sem receio ou medo, façam como fizeram Frossard, Moro e aqueles que os auxiliaram. 

No Brasil, o sucesso da expectativa da população é definido por uma roleta da sorte. Uma vez ou outra, o Estado acerta e para acertar, precisa jogar várias vezes. Podem conferir o que eu digo.  A história, nem recente, nem distante, apresenta um só problema colocado ao Estado Brasileiro, que tenha sido resolvido assim de primeira, numa única jogada. 

Ora, só terá disposição para mudar isso quem defende um Estado menor, por óbvio! Por isso, os liberais são favoráveis à escolha de servidores por mérito, medido e premiado pelo critério único do desempenho a favor da população, cliente não preferencial, mas exclusivo, do Estado. Só consegue defender um Estado menor, quem o deseja eficaz. Também por óbvio. 

Os não liberais acreditam na sorte, em duendes e fadas madrinhas. Adoram um jogo de azar e uma roleta. Perdem pouco. Se perdessem mais, talvez já tivessem largado o vício ou abandonado o jogo por falta de dinheiro para as apostas. Quem sabe? Os liberais não trabalham com essa hipótese de se ter políticas públicas por sorte ou por azar. Os liberais preferem o mérito, não do saber jogar, mas do fazer corretamente. 

Na quinta-feira passada, no programa “Aqui tudo é política”, recebi Denise Frossard e Roberto Motta, ex-secretário de segurança do Estado do Rio de Janeiro, por pouquíssimo tempo. Conversamos sobre as ineficiências do Estado Brasileiro e o modo como o crime se aproveita disso. Roberto Motta falou sobre o tamanho do contingente policial do estado. Denise relembrou uma frase dita pelo Castor de Andrade quando foi preso: “Que polícia é essa que eu não conheço?”. 

Junte-se as duas declarações e chegaremos onde desejo: para que a Juíza conseguisse o cumprimento do mandado de prisão de Castor de Andrade, bastaria que o estado contasse com os serviços dos policiais que ele não conhecia. 

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

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Rodrigo Maia e a Garota de Ipanema

Na semana passada, tivemos um caso que ainda repercute: o debate – debate não, porque debate é coisa civilizada – o bate-boca entre o deputado federal Rodrigo Maia e o Presidente Nacional do partido dele, Democratas. Na intimidade, DEM; no nascedouro, DEMO. 

Senti-me motivado a comentar o fato pelo que se andou a falar sobre o Partido da Frente Liberal, extinto quando os políticos César Maia e Jorge Bornhausen, orientados pelo pesquisador Antonio Lavareda, estrangularam o partido para encaminharem os filhos, Paulo e Rodrigo. Isso está posto no livro “Emoções Ocultas” do Lavareda. 

Quem tiver interesse em saber o que veio depois, visite a imprensa. As conveniências mudaram para alguns, como agora na eleição da Mesa da Câmara, e Jorge Bornhausen tomou uma rasteira. Existe na política situações em que as lealdades cedem lugar aos egoísmos e desejos de ocasião. Quem desconhecer isso, não faça política, porque mesmo que seja correto, um dia será apanhado por quem não é.  

Depois de apeado da Presidência da Câmara dos Deputados, pela absoluta incapacidade de entender que deveria ter sido um magistrado e não um cabo eleitoral, o deputado Rodrigo Maia desancou ACM Neto, de quem se disse amigo há 20 anos. Ao Valor Econômico, o deputado, numa longa entrevista encabeçada pelo título “DEM voltou para a extrema-direita dos anos 1980”, informou: “O grande problema é que o partido voltou ao que era na década de 1980, para antes da redemocratização…”. O que é isso? Na década de 1980, tivemos 1985, com a eleição de Tancredo Neves, onde o PFL, que não é sucessor do PDS, foi fundamental para o rito de passagem da ditadura para a democracia. “Os deuses cegam aqueles que desejam punir”. 

O PFL nunca foi sucessor do PDS. Nasceu da cisão e não da substituição. O partido tomou forma num telefonema do Senador Marco Maciel, esse sim um liberal, um democrata, ao deputado Fernando Lyra para o rito de passagem de um grupo esgotado com os generais, até Tancredo Neves. Criou-se, então, a Frente Democrática . Pena foi que o Senador Marco Maciel, limitado pela legislação, não pode ser o candidato a Vice-Presidente e abriu espaços para o Senador José Sarney. Com certeza, o Brasil teria caminhado melhor sob a condução do liberal Marco Maciel. 

O Democratas surgiu do oportunismo dos Maias. O partido não teve na largada e menos ainda tem hoje a ideologia liberal presente no PFL, onde a melhor representação esteve com o Senador Marco Maciel, razão da minha curiosidade com o liberalismo e depois da mudança das minhas convicções. 

Lamentei muito a derrota dele na eleição de 2010, quando concorria ao terceiro mandato de Senador por Pernambuco. Os eleitores de lá preferiram Humberto Costa. Pena! O Senador Marco Maciel era, na política pernambucana, a lanterna liberal solitária nas trevas do socialismo de Arraes. Como aqui no Rio, por um bom tempo, foram Afonso Arinos de Mello Franco, Rubem Medina e Arolde de Oliveira, luzes ofuscadas pelo socialismo moreno de Brizola, referência política apaixonada dos Maias. 

É bem sugestiva nesse sentido, a entrevista que ele deu à revista IstoÉ, no dia 16 de maio de 2007. Separei um pequeno trecho, mas a íntegra está disponível na internet. 

ISTOÉ – O DEM abandonou o termo liberal, que lhe concedia uma nitidez ideológica, e adotou uma denominação genérica, de democrata. O partido ficou com medo de ser de direita?

Rodrigo Maia: A ideia do liberalismo puro não foi vitoriosa no mundo, é preciso aceitar isso. O Partido Conservador da Inglaterra ficou 12 anos defendendo as teses liberais, ficou 12 anos isolado e ficou 12 anos na oposição. Viu-se obrigado a caminhar para o centro. As demandas da sociedade obrigaram a essa troca de eixo. Nós também precisávamos ampliar o debate com a sociedade. Eu acho o nome Democratas um nome forte. Mas não é a sigla que tem de necessariamente dar nitidez ideológica. Quem tem de dar nitidez ao partido somos nós.

ISTOÉ – E o que quer, então, o Democratas?

Rodrigo Maia: Um país como o que definiu Felipe Gonzáles (ex-primeiro ministro da Espanha): um Estado Garota de Ipanema. Seria um Estado enxuto, sem gordura. Mas organizado para as suas tarefas essenciais. Nós entendemos que, num país pobre como o Brasil, o Estado ainda tem de exercer um papel fundamental. Vamos defender políticas públicas. Entendemos que o Estado tem de prestar um bom serviço de saúde, de educação, de segurança pública. O Estado precisa tratar a questão do meio ambiente como prioridade. Mas isso não tem de significar querer um Estado inchado, paternalista, com 36 ministérios.

Para a primeira resposta, uma conclusão simples: Margareth Thatcher, então, foi uma ficção. Para a segunda, onde está o retórico “Estado Garota de Ipanema”, mostra que no subconsciente do deputado Rodrigo Maia, o Estado Brasileiro é “a coisa mais linda, mais cheia de graça”. A coisa mais linda que ele jamais deixou passar sem, pelo menos, tirar uma casquinha. 

O PFL era um balaio de gatos, como é qualquer partido político, mas quando os gatos socialistas venceram os liberais, ele foi extinto e criou-se uma camuflagem, o DEMOCRATAS. É isso. 

Agora, os socialistas, sucessores de ACM e Maia resolveram se arranhar. Que bom que, em 2011, quatro anos após extinto o PFL, um grupo liderado pelo João Amoedo tenha criado um espaço de verdade para os liberais. Está aí, o Partido NOVO, onde todos os liberais deveriam abrigar-se. Não precisamos mais vagar como uma nação sem território. 

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos