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Que Raios de Eleição é Essa?

Edição especial! Dessa vez, o podcast é uma conversa sobre o livro do Jackson Vasconcelos, “Que Raios de Eleição é Essa”, onde ele conta como são as estratégias na política e os bastidores de campanhas eleitorais.

Nessa temporada do podcast “Aqui tudo é política”, a análise peças como séries, filmes, livros, músicas, sempre pelo ponto de vista da comunicação política.

*Áudio disponível também no canal “Aqui tudo é política” no Spotify.

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Um Estado de necessidades

Você foi eleito. Tomou posse. Agora, faça o que você quiser, do modo como bem entender. Nomeie quem você acredita ser a melhor companhia para que você possa cumprir o compromisso que assumiu com a sociedade. Tome as decisões que a lei lhe autoriza. Governe! Legisle! Fiscalize! 

Eu não voto em chefe de gabinete, nem de departamento ou em secretários e subprefeitos e sub governadores. Muito menos tenho tempo ou espaço para estar presente no momento de todas as decisões de quem foi eleito. E se tivesse tempo e espaço, garanto que quem foi eleito não gostará da minha presença na hora das decisões e nomeações. 

Eu voto e elejo vereadores, prefeitos, deputados, governadores, senadores e presidentes. Só desejo que a prestação dos serviços seja bem feita e a um preço que eu possa pagar sem ter dificuldade para viver a minha própria vida. 

Sabe por que é importante que seja assim a relação entre o eleitor e o eleito? Porque se amanhã o eleito não cumprir os compromissos que a lei lhe determina e se alguém entre os seus escolhidos me roubar ou for incompetente, a responsabilidade diante de mim, eleitor, será exclusivamente dela e dele.

Não me venham eles e elas, na hora da próxima eleição ou dos processos que, em meu nome, o Ministério Público, a Polícia ou a Justiça iniciarem contra eles e elas, dizer que não lhes cabe responder pelos atos daqueles que eles mesmos escolheram. O critério das escolhas é dos eleitos. Se por proximidade partidária, amizade, compadrio, parentesco, pouco me importa. O que me importa é saber que pago por um serviço que quero e tenho o direito de receber.

É comum ver nos agentes do Estado, principalmente, naqueles eleitos, o pavor à responsabilidade. Eles empurram-na para os outros. Dizem que o antecessor não deixou dinheiro e tomou as decisões erradas; alegam que há uma crise econômica a impedir o cumprimento dos compromissos assumidos na campanha e das obrigações que a lei determina. Existe a pandemia! Os agentes públicos assumem com rapidez o sucesso e empurram os insucessos para os outros. 

Eles e elas, nas campanhas, prometem mundos e fundos sem avaliar as possibilidades, para depois, alegarem dificuldades. Nas campanhas haverá creches para todas as crianças, para as que já nasceram, para as que vão nascer daqui a pouco e até para as que podem estar sendo planejadas nesse momento. Existirá moradia para todos. Hospitais também, sem nenhuma preocupação com o número dos que adoecem e das causas de suas doenças. Depois? Bem, depois a culpa por não fazer é de alguém ou de alguma coisa inesperada. 

Tem sido assim por aqui, no Estado do Rio de Janeiro, desde sempre. Muita promessa, quase sempre obras demais e desculpas a perder de vista. A mais comum tem sido a falta de dinheiro. Como, se o povo paga os impostos que lhes são cobrados ao preço que eles mesmos, os eleitos, fixam? Por que falta dinheiro? 

Porque o agente público não sabe fazer conta com o dinheiro dos outros. Se vê dinheiro, gasta e se não vê, gasta também. Para ele, despesa pouca não é despesa. Por isso, tanto faz ter dez, doze, vinte secretarias ou departamentos e gastar dinheiro com almoços, jantares, viagens e solenidades. Muito dinheiro é aquele que dá pra fazer obras suntuosas e inaugurações, mesmo que uma, duas ou três vezes da mesma obra. O bom é isso. Se não tem isso, abre-se espaço para a firula e aparições ao vivo na internet, com pose, frases bonitas e muita informação inútil. 

O contribuinte não é o bom eleitor, porque ele tem compreensão dos seus direitos. Eleitor bom é aquele que pede, que implora, que bate palmas e agradece a caridade que recebe do agente público. Para o agente público, o eleitor relevante é o companheiro do partido, o amigo do amigo, o presidente da associação, o componente da escola de samba, o irmão da igreja. 

Por isso, os governos daqui, sem qualquer constrangimento, complicam a vida de quem tem seu próprio negócio, de quem produz, trabalha e paga os impostos. 

Olhem o Estado do Rio de Janeiro e as cidades que ele abriga. Estamos sempre a caminho do abismo, governo após governo, sem esperança de tempos melhores. E de nada adianta criar movimentos, organizar eventos, fazer discursos bonitos, se quem paga a conta não tiver o respeito de quem gasta e, se quem gasta continuar a acreditar que pode fazer isso sem responsabilidade e sem prestar contas, empurrando a autoria dos próprios erros e irresponsabilidade para os outros. 

Teremos eleições, novamente, em 2022. Que tal começar a pensar nelas agora, como eles, os agentes públicos, já estão fazendo? 

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

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Viva a liberdade!

Eu gostei do que houve em Washington. Não gostei do que fez o imperador Zuckerberg. Em Washington, o povo americano mostrou o quanto evoluiu a relação da polícia com a população. Zuckerberg reafirmou que não tem essa de liberdade de expressão nas redes dele, que nós, muitas vezes, julgamos serem nossas – meu facebook, meus faceamigos, meu Twitter ou meu Instagram. Tudo isso pertence a uma só pessoa, ao senhor Mark Elliot Zuckerberg. Ele é o dono, decide com quem você fala o que fala. 

Você, certamente, viu as cenas da invasão do Capitólio e ouviu os repórteres e comentaristas sobre a ocorrência. Para completar o conjunto, há a matéria de Ernesto Neves na VEJA da semana, que mereceu capa e um box de memória assinado por Monica Weinberg. No box está a entrevista do Presidente Trump às Amarelas em 2014. A chamada tem tudo a ver com a gente: “Brasileiros, me aguardem”. Nós aguardamos e ele aqui chegou em 2018. Se estamos a gostar disso ou não, cada um tem liberdade para sentir e dizer. 

O trabalho do Ernesto Neves tem uma passagem – um trecho curto – que dá  a dimensão do conhecimento que ele tem da História. Está escrito: “Foi como se – numa comparação exagerada, mas didática e necessária – Roma fosse tomada pelos bárbaros. Numa palavra: vergonhoso”.  A comparação não é exagerada, menos ainda didática, ela é equivocada, porque bárbaros eram povos não romanos e vergonhoso era o comportamento dos imperadores. Nos tumultos em Washington, os americanos fizeram todo barulho. Enfim, é a imprensa que temos. 

Adiante! Sugiro que você, minha cara leitora, meu caro leitor, com os olhos nisso tudo assista – se você ainda não assistiu – “The Trial of the Chicago 7” – no Brasil, “Os 7 de Chicago”, disponível no NETFLIX. Assista, mesmo que você conheça plenamente o caso ou tenha lido Battleground Chicago. O filme é a reprodução no cinema do julgamento de um grupo de jovens ativistas, que foi ao Lincoln Park em Chicago para protestar contra a Guerra do Vietnã. Escolheram Chicago pela visibilidade que a Convenção Nacional dos Democratas daria ao evento – “o mundo todo está nos vendo”. Afinal, o Democrata Lyndon B. Johnson estava na Presidência dos EUA e tinha autorizado a ida de mais 500 mil soldados americanos para a guerra. 

O mundo ferveu em 68 e nos EUA o calor se fez maior, com o assassinato de Martin Luther King e Robert Kennedy. 

O filme, tanto para quem sabe a história real como para quem não sabe, é um bom exercício para se conhecer o comportamento da polícia em 1968 e agora. Por todos os motivos de pressão popular, a polícia nos EUA me pareceu um tanto melhor. E, se melhorou de fato, isso se deve a uma questão fundamental: o povo reage sempre às violências da polícia, seja contra negros, seja contra brancos. Um povo que não reage a elas e as aceita como inevitáveis, um dia será a vítima. 

Outro ponto relevante: as cenas do julgamento dos jovens ativistas, um deles negro, agridem quem tem a exata noção do que é a liberdade de expressão e nesse ponto, entro com o mago Zuckerberg. 

No julgamento dos sete de Chicago, que foram durante um tempo, oito, o Juiz Julius Hoffmann manda amordaçar e amarrar na cadeira o réu negro, Bobby Seale, para impedir que ele continuasse a pedir a presença de um advogado ou a ter o direito a fazer a própria defesa. O juiz negou-lhe o advogado e a defesa pessoal e também negou ao júri o depoimento essencial de uma testemunha apresentada pela defesa. 

Quando o Facebook, o Twitter, o Instagram e etc amordaçam quem os contraria, nos dão uma notícia: os espaços que usamos têm dono e não somos nós, assim como acontece e sempre aconteceu com a imprensa tradicional. O acesso é selecionado pela opinião. Por isso, às vezes o povo prefere ir gritar nas ruas, não importa quem seja o déspota. O  ser humano nasceu para a liberdade. Imaginem o que acontecerá ao senhor Zuckerberg se os usuários dos espaços dele resolverem buscar outro caminho. Será a aplicação melhor de uma regra básica do mercado: é dono quem paga pela propriedade. 

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

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Oportunidades para os liberais

Em São Paulo, terra que venera o trabalho e a propriedade privada, um candidato sem trabalho e sem propriedade chegou ao segundo turno. Fez tremer e suar as mãos do poder constituído lá. Foi resultado da convicção de 2.168.009 eleitores ou um recado deles? Entregue-se isso aos analistas de plantão nos canais de TV, imprensa e bar da esquina e teremos todas as explicações. 

No Rio de Janeiro, terra que não venera tanto o trabalho quando olha as praias e gosta da propriedade privada conquistada por proximidade com o Estado, o prefeito odiado por todos, recebeu menos 786.330 dos votos obtidos na eleição anterior. Convicção ou um recado dos eleitores? Também temos comentários para todos os gostos. 

Em Porto Alegre, dá pra fazer o mesmo exercício. Lá, Sebastião Melo venceu com 360.550 votos e Manuela D’Ávila, a comunista que odeia o comunismo, ficou pra trás com 307.745 votos, uma barbaridade de votos, tchê! 

O Partido NOVO fez um prefeito, o Adriano Silva. O contraponto absoluto do NOVO, o PSOL, venceu em Belém, onde Edmilson Rodrigues teve a ousadia vencer um delegado federal, que conquistou 364.095 votos. 

Em Goiânia, o eleitor escolheu um candidato na UTI com Covid-19. E tivemos um prefeito eleito com 95 anos de idade, para um mandato de quatro anos e que já pensa em reeleição. 

Assim, gente, é o Brasil. Em cada lugar, o eleitor decide de acordo com a sua realidade e com as informações que recebeu durante a campanha, que é cada vez mais curta e menos informação oferece.  

Mas, se no Rio, as razões do voto foram diferentes ou idênticas às de São Paulo e de Porto Alegre e se em Belém, o PSOL fincou uma estaca e o NOVO outra em Joinville, houve um tipo de eleitor que é maioria esmagadora: o eleitor do “não voto”. 

Esse fica fora de todas as análises, porque a legislação brasileira considera-os donos de votos inválidos. Em São Paulo, foram invalidados 3.649.457 votos, num contraponto curioso com o vencedor, que obteve 3.169.121. No Rio de Janeiro, 2.308.868 eleitores escolheram nenhum dos candidatos, e o vencedor, o repetente, Eduardo Paes, alcançou 1.629.314 votos. 

Prá lá e mais prá cá, isso aconteceu nas cidades que citei e, certamente, em várias outras. 

Se há dúvida sobre as razões do voto, convicção ou recado, no caso dos “não votos”, eu não tenho dúvida: é um recado. A cada nova eleição, um grupo grande de eleitores, mesmo obrigados a ir às zonas eleitorais, não vai e um número também expressivo comparece para dizer: nenhum deles ou delas me serve. Onde está a convergência da decisão? Eu dúvida alguma tenho: no Estado Brasileiro, que é a referência para qualquer eleição no mundo todo. Quero mais Estado ou menos Estado? O Estado não me atende e não corresponde às minhas expectativas,então, não me interessa mais escolher gente para ocupar funções no Estado. 

Boulos, em SP, propôs mais Estado. Covas, um pouquinho menos, mas mesmo assim, um trambolho suficiente para manter seus aliados no poder. No Rio, pior ainda. Por isso, vejo no “não voto”, uma oportunidade enorme para os liberais, porque está claro, claríssimo que o Estado Brasileiro não corresponde e só incomoda. 

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

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Eleição nos EUA: Uma resposta a Michael Moore

Bem, Joe Biden está eleito. Donald J. Trump esperneia, mas voltará para casa. Assim é a democracia. 

Trump venceu Hillary em 2016. Após a eleição, por aqui, em 2018, reservei um tempo para visitar os discursos daquela campanha e encontrei um muito especial. Michael Moore fez. Em estilo de palestra, na jaula do leão Trump, Ohio, em defesa da candidatura da senadora Hillary Clinton. 

Moore é escritor crítico, ele tem todo o jeitão de jornalista e é um orador fantástico. Li muita coisa dele e já devo ter assistido todos os documentários feitos por ele. Em novembro de 2019, eu comentei o discurso/palestra do Moore em Ohio, a favor da Hillary. Algo sensacional. 

Volto a ele, depois da derrota de Donald Trump, para complementar o trecho que transcrevi no meu espaço com o título “O discurso é uma música”. Aquele, de fato, foi. Teve melodia, harmonia e ritmo, como gostava Rubem Alves, outro escritor excelente. Já falecido. 

No meu blog com cara de site, compartilhei o discurso completo do Moore, que está disponível no YouTube. O trecho que transcrevi, encerrei com a seguinte passagem: “A eleição do Trump será o seu grito de “Foda-se o sistema. O maldito sistema. E todos se sentirão bem… por um dia, por uma semana, por um mês. E , então, se arrependerão, porque usaram o voto para exprimir uma revolta. Estarão ferrados”. 

Na continuação, Michael Moore errou na previsão. Disse ele: “Querem uma nova eleição? Isso não vai acontecer…

Quando as pessoas irritadas de Ohio ou Michigan, Pensilvânia e Wisconsin descobrirem depois de alguns meses no cargo, que o presidente Trump não fez qualquer coisa por eles, será tarde demais para fazer algo sobre isso. Mas, eu entendo. Você tinha a sua ira e raiva justificáveis. Você só acabou elegendo o último presidente dos EUA.”

Errou, Moore! Ainda há democracia na América! 

Tiranos existem em todos os lugares do mundo e sob quaisquer circunstâncias. Mas, contra eles, a democracia criou as leis chanceladas pelo povo, que sustentam instituições consistentes e elas asseguram ao povo a liberdade para mudar o que não gostou de fazer. 

Há quem veja, na eleição de Joe Biden, a antecipação da derrota do presidente Jair Bolsonaro, pelas semelhanças que acreditam existir entre os dois. Bobagem pura. Pode ser que sim, como pode ser que não, se por aqui surgir um Joe Biden e partidos, que entreguem aos filiados e ao povo, via primárias, o direito de escolherem os candidatos que disputarão a Presidência. 

Entre nossa história republicana e a história da república nos Estados Unidos há uma distância enorme. Somos ainda uma democracia com partidos políticos com donos, muito dinheiro do povo e nenhuma democracia interna. 

Lembrem-se, os que conhecem a história política nacional e a americana, que houve um tempo em que as eleições presidenciais nos EUA e no Brasil aconteciam no mesmo período e em 1960, o Brasil elegeu Jânio Quadros. Os EUA, John Kennedy. 

Com certeza, temos gente melhor para a disputa pela Presidência da República. Mas, essa gente não passa pelos partidos que, por aqui, têm donos e são financiados por quem não gosta deles.

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

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Vendam as minhas empresas e vendam logo!

O IBGE diz que somos 209, quase 210 milhões de pessoas no Brasil e é o caso de se perguntar: quantos de nós recebe alguma coisa, qualquer coisa, das empresas que a esquerda e os bobos da corte consideram nossas? Poucos de nós. Uma minoria de privilegiados funcionários, fornecedores, seus familiares e apadrinhados. 

Então, eu, parte da maioria, digo a você, minha leitora, meu leitor, que gostaria mesmo que o governo se desfizesse de todas as empresas e negócios que dizem serem minhas ou meus. O dinheiro da venda, qualquer dinheiro, desejo que os vendedores destinem aos orçamentos públicos, para aliviarem o peso que o governo faz sobre os meus ombros. 

A isso chama-se privatização, nome feio para a esquerda, onde está alocada a minoria que se beneficia de todo o trambolho registrado em nome do Estado. 

Vez por outra os governos prometem a tal privatização. Alguns avançam um pouco e param e outros nem isso, porque  a minoria beneficiada é barulhenta, esperneia e mente, mente muito para criar insegurança e incerteza na maioria. A minoria criou a conversa fiada de “empresas estratégicas”, “patrimônio público inviolável” e outras bobagens mais. 

Se quer tanto as empresas e negócios que só a ela, minoria, beneficia, então que fique com tudo, mas pare de nos cobrar a conta. 

Lima Barreto, o brasileiro, mulato, inconformado, escreveu crônicas magníficas. Uma delas, “Centenário”, escrita para comentar a comemoração dos 100 anos do Grito da Independência. Nela, o magnífico cronista cita o conto de um humorista inglês sobre um mendigo de Londres, que disse: “Sou súdito de Sua Majestade Britânica. Tenho, além das Ilhas Britânicas, o Canadá, a Austrália, a Índia, a Nova Zelândia e não sei que mais terras; entretanto, visto-me com farrapos, durmo, as mais das vezes, ao relento, e passo dias sem comer. Que me vale ter nominalmente tantas terras? Nada. Antes tivesse alguns níqueis por dia”. E Lima Barreto surfa na onda do mendigo: “Creio que o carioca raciocina de alguma forma parecida. Dirá ele: “Que me adianta José Bonifácio, Pedro I, Álvares Cabral, o Amazonas, o ouro de Minas, a feérica exposição, o Minas Gerais, se levo a vida a contar vinténs, para poder viver?”.

Tenho voltado às leituras da juventude. Dizem que é assim com os mais velhos, porque o lembrar das coisas antigas deve ser o anúncio da partida. 

Minha professora de Língua Pátria, no curso primário, dona Lúcia Maria Furquim Leite Silveira, é a razão de meu gosto pela leitura. Ela dividia as aulas em dois tempos. No primeiro, gramática e no segundo, leitura em voz alta de textos escolhidos por ela e pelos alunos. 

Enquanto a gente lia, a professora consertava o ritmo da leitura, com vírgulas, pontos, exclamação, interrogação e etc. “As pausas”, dizia ela, “Não são iguais para todos os textos e vocês compreenderão isso quando colocarem a alma naquilo que leem”.  

Os Contos de Lima Barreto eram os meus favoritos. Hoje, são bem mais, pela atualidade do que escreveram, uma prova de que a agenda política do Brasil é imutável. Por aqui, parece que o tempo não avança. 

*Artigo do Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

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Os debates

Por dever de ofício, eu estive presente ao debate da Bandeirantes com os candidatos à Prefeitura do Rio e depois assisti aos realizados em São Paulo, Porto Alegre, Salvador, Belo Horizonte, Curitiba, Maringá, Uberaba, São Luiz e Campinas e conclui, mais uma vez, que o povo tem lá suas razões para não gostar da política. 

Os candidatos não falam com o povo. Falam uns com os outros. Acusam-se e usam-se como trampolins para auto-elogios e contar vantagens. Amarrados como são, os debates nada informam e não ajudam o eleitor a tomar a decisão. Acontecem no cair da madrugada para que quem tenha que levantar cedo não assista. 

Rodrigo Maroni, candidato em Porto Alegre, abriu o debate lá de um jeito diferente, mas deu uma lição importante. Escolhido para questionar o candidato João Derly, do Republicanos, Maroni disse: “João, fala aí sobre o que tu quiser”. O adversário esbugalhou os olhos e assim ficou durante todo o tempo em que falou. Depois, veio a réplica do Maroni: “Fiquei contente, João, e vou te dar a palavra novamente, pra tu seguir nos 30 segundos finais. Eu só acho que esse processo é muito importante. Eu te acho um cara do bem. Você sabe disso. Acho que tu não é a média da política, mas a política é um espaço de muita demagogia e muita mentira, né? E no processo eleitoral, naturalmente, as pessoas falam o que está combinado com seu publicitário com o que é bacana falar, que vai gerar voto. Então, te dou a palavra, novamente”. 

Um recado forte. 

O número de mulheres candidatas cresceu bastante e, certamente, não por causa das cotas. As candidatas que eu vi seriam candidatas com ou sem cota, porque as das cotas só existem para satisfazer a lei e não me pareceu o caso das que conheci. 

Em Uberaba, por exemplo, a senhora Cartafina, com 87 anos, é candidata a vice do candidato do PTB, Tony Carlos. Camila Lanes, uma jovem, candidata em Curitiba saiu-se com um motivo curioso para ser eleita: 

“Nós, mulheres, somos metade dessa cidade e mães da outra metade. Por isso, merecemos governar Curitiba”. Convincente! 

Jair Bolsonaro ainda está presente. Em alguns lugares como Rio e Curitiba, mais de um candidato aposta nele. Em Curitiba, a senhora Marisa Lobo, que promete que “Com Marisa Lobo, Curitiba será grande de novo”. Ela escreveu 11 livros e tem 9 já na editora para lançar a qualquer momento. 

No Rio, se sabe, Luiz Lima e Crivella puxam o paletó do Presidente. Talvez pela proximidade, Luiz Lima tenha incorporado a voz mansa do Crivella e do Celso Russomano, candidato em SP, onde o debate esquentou. Lá o prefeito Bruno Covas compareceu, apanhou e bateu bastante, assim como aconteceu com o prefeito de Porto Alegre. Os de Belo Horizonte e Curitiba não deram as caras.

É relevante o número de candidatas e candidatos da Polícia Militar e da Polícia Civil, situação que pode ser ainda refugo da eleição de 2018. No RIo, a Delegada Martha Rocha mostrou um jeito elegante de bater duro no adversário Eduardo Paes, mas a colega dela, em Campinas, a delegada Alessandra Ribeiro, de dedo em riste foi pra cima do candidato do PSD, Artur Orsi, filho de um ex-prefeito da cidade que morreu com 66 anos de idade. 

A Bandeirantes deu um show de organização, adaptando seus auditórios em cada lugar com as medidas preventivas a eles adaptados. Em Curitiba, por exemplo, todos os candidatos e o moderador Valter Sena ficaram todo o tempo mascarados. 

Por tudo que vi, o eleitor terá dificuldade grande para decidir, porque os candidatos conhecidos demais são políticos também demais e a sociedade parece querer distância deles. 

Mas, se o povo perdeu, os liberais perderam bem mais, porque em poucos lugares houve o discurso liberal.

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

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Podcast 21: Discurso e saúde

Já repararam que nos discursos políticos, quando o tema saúde é levantado, só se fala na doença? Os discursos deveriam falar da saúde dos cidadãos, isso quer dizer, da prevenção às doenças, de prevenir para que elas não aconteçam.

Esse é o tema do podcast da semana!

 

Por Jackson Vasconcelos

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Podcast 20: Discurso e mobilidade

É tempo de preparar o discurso para a campanha. O que você fala precisa fazer sentido para quem ouve e de jeito que você ganhe o voto. Transportes? Não! Mobilidade.

Esse é o tema do podcast da semana de Jackson Vasconcelos:

 

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Diante do espelho

Quem trabalha com estratégia descarta a intuição? Se fizer isso, errará muito. Mas, para não descartar e, ao contrário, trabalhar a intuição como elemento de estratégia, precisa entender o que ela é, exatamente. 

Daniel Kahneman, Prêmio Nobel de Economia, autor de “Rápido e Devagar: Duas formas de pensar”, pode ajudar. Logo na introdução à obra ele afirma: 

“A psicologia da intuição precisa não envolve mágica alguma. Talvez a melhor declaração sucinta sobre ela seja a do grande Herbert Simon, que estudou mestres enxadristas e mostrou que após milhares de horas praticando eles passam a ver as peças no tabuleiro de modo diferente do resto de nós. Podemos sentir a falta de paciência de Simon com a mitificação da intuição especializada quando escreve: A situação forneceu um indício; esse indício deu ao especialista acesso à informação armazenada em sua memória, e a informação fornece a resposta. Intuição não é nada mais, nada menos que reconhecimento”. 

Ou seja, a intuição não é adivinhação mística, não é o “eu acho isso ou acho aquilo”, situação bem comum aos pedantes. Para ser intuição, um ato ou decisão precisa estar revestida com a experiência. Algo como: “Eu já vi isso antes”; “Já senti esse cheiro”, ou coisa parecida, que liga, num estalo, o processo de decisão. 

Numa campanha eleitoral a intuição poderá produzir boas decisões para situações que dependem de decisões rápidas. Numa campanha eleitoral, os experientes, depois de tanto praticarem, olham as peças no tabuleiro de modo diferente do resto das pessoas. Por intuição, sabem quando um candidato pode ir bem ou pode quebrar a cara. 

A minha intuição diz que quando a imagem do candidato difere daquilo que ele é na realidade, a chance de ele ser um dia descoberto e decepcionar é enorme. Collor, Jânio e há outros exemplos por aí. 

Diante do espelho, mas longe dele, as rugas não aparecem. À medida que o personagem se aproxima, aí começam os problemas. Por essa razão que existe a desilusão na política. 

Durante a campanha, geralmente, o candidato se apresenta para você com a comunicação muito bem feita, organizada. Você vota naquele personagem, naquela imagem. Eleito, quando começa a governar, os holofotes são voltados para ele, aí entra a decepção. 

Mas tem o outro lado também. À medida que você se aproxima do espelho, o candidato pode se tornar, surpreendentemente, mais belo e agradável. Vemos isso em campanhas. Casos daqueles que imaginamos não ter chance alguma e, com tempo, observação e analisando a biografia, sua opinião muda e você decide votar nele.

Por isso que é importante se trabalhar com essa visão e esse conceito de imagem. É quando entra a intuição também. Ela faz parte do processo de decisão, que são tomadas a partir das experiências que se tem. Para que não se erre na intuição, é fundamental que o candidato conheça a si próprio e tome as decisões.

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos