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Convicção ou conveniência?

Ontem, domingo, às 22h03, o deputado federal Marcel Van Hattem entrou no ar, via Instagram e Facebook, para defender-se. Em pauta, com certeza, estão as reações contrárias ao apoio que ele deu à decisão de um ministro do STF de forçar o Presidente do Senado Federal a instalar uma CPI para investigar o Presidente da República. Já na chamada do programa de ontem, estava a autodefesa. O deputado adota uma posição de autodefesa: “Coerência e transparência sempre fora e continuarão a ser…”.

O deputado sabe, com certeza, que a imagem é a ferramenta essencial da política. O que vale na vida do político, o que lhe dá ou lhe tira o poder é a imagem e o confronto dela com a realidade. Sempre que há desconforto na imagem de alguém, no caso de um político bem mais, a realidade aponta para uma situação em que ele foi apanhado numa atitude incoerente e confusa.

No confronto da imagem com a realidade, o saldo pode ser positivo, para uma imagem negativa de uma realidade agradável. Mas, quando o contrário ocorre e se tem uma imagem excelente não confirmada pela realidade, aí nasce a decepção. Na live de ontem, o deputado Marcel esteve desconfortável o tempo todo, assim como uma criança que cometeu um mal-feito e precisa justificar-se.

O deputado abriu a conversa com uma notícia aparentemente boa para os liberais: “Nós tivemos uma semana bastante positiva para o Brasil”, disse ele, “Na aprovação de um  projeto de lei que vai permitir vacinas privadas”, continuou, com o cuidado de dizer que a liberação não é completa, mas cuidadosa, para que não falta vacinas para quem depende exclusivamente do SUS.

Após a notícia, se assiste a um festival de “Se, apesar, no entanto, porventura” e etc. Foram mais de vinte minutos de atos de autodefesa, porque sabe o deputado, no íntimo ele sabe, que os liberais, segmento que ele tem representado na Câmara dos Deputados e razão de ele estar no Partido Novo, não convivem bem com as intervenções do Poder Judiciário no Poder Legislativo e nas competências constitucionais do Poder Executivo. O desconforto do deputado está evidente no vídeo.

O importante aqui não é a crítica à peça, mas entender o motivo dela e eu a encontro numa esquizofrenia que a internet provoca nos políticos. O objetivo deles, me parece, é sempre o aplauso e a fuga aos julgamentos desfavoráveis. A rede comanda o espetáculo!

Os deputados federais do Partido Novo andaram se estranhando com o ex-presidente João Amoedo que, tudo leva a crer, deseja novamente, ser candidato do partido à Presidência da República. Certamente, por isso, João Amoedo abriu defesa em favor do impeachment e contrariou os deputados federais do Novo, que não viram, naquele momento, razão para afastar o Presidente da República.

João Amoedo, com o coro de muitas vozes nas redes, levantou suspeita de alinhamento dos deputados federais com o governo Bolsonaro. A confusão respingou no governador de Minas Gerais, filiado ao partido.

Em seguida, apareceu a decisão do Ministro Alexandre de Morais do STF, de prender um deputado federal aliado do Presidente da República. A bancada do Novo não aceitou a decisão, por ver nela um conflito com as prerrogativas da Câmara dos Deputados e com o preceito constitucional e democrático da liberdade de expressão e opinião.

Novamente, levantou-se a suspeita de alinhamento da bancada com o governo federal. Surgiu, então, a decisão da Comissão de Ética com relação ao deputado federal Eduardo Bolsonaro, investigado pela defesa do AI-5. O Novo votou outra vez pela liberdade de expressão e seus parlamentares, em especial, o deputado Mitraud, foram acusados de alinhamento com Jair Bolsonaro, apanharam nas redes e saíram a dar explicações.

Chegou-se agora ao caso da CPI para investigar o Presidente da República em razão do comportamento dele com relação ao combate ao Covid-19. Desta vez, o Partido Novo levantou a bandeira pela CPI e o líder do partido na Câmara, aqui no Boletim da Liberdade, já admite a hipótese do impeachment, por problemas com o Orçamento votado pelo Congresso Nacional.

A imagem que o movimento do partido passa agora é de rendição às pressões, sem uma avaliação precisa da origem e motivo delas. Por conta delas e da imprensa brasileira, o ar que se respira, com máscaras ou sem máscaras, é de absoluta polarização, tendo como referência o Presidente da República. Por isso, ele ocupa, completamente, o ambiente político. O debate se tornou simples, medíocre: se existir CPI, será para atrapalhar o governo a ponto de justificar um impeachment do presidente e se não existir, preservará o presidente. E como sempre ocorre, quem quer o impeachment, quer o lugar do presidente, por impedimento ou por substituição na hora do voto que, cá entre nós, está logo ali.

Quem está na política ou permanentemente ligado no que se passa na vida da população sabe que o povo não quer mais do mesmo e disse isso em 2018 e, certamente, dirá, outra vez, em 2022, como aliás tentou dizer em 2020 e não conseguiu porque a imprensa travou as informações. E há algo NOVO no ambiente e esse algo NOVO não pode se tornar o mais do mesmo, porque, para ser o mais do mesmo, não tem a experiência e as ferramentas das velhas raposas.

*Artigo publicado no Boletim da Liberdade.

Por Jackson Vasconcelos

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“Brasil – Nova realidade”

Encontrei um exemplar do jornalzinho criado pelo Presidente da FESO – Fundação Educacional Serra dos Órgãos (Faculdades de Teresópolis), uma edição de maio de 1989. Nele há um artigo publicado por mim, a convite do Irineu Dias da Rosa, em razão de uma palestra que fiz lá antes da visita do Collor em campanha. Como nesse artigo defendo as mesmas posições que defendo hoje, decidi compartilhar por aqui.

“Brasil – Nova realidade”

“Tudo leva mais tempo do que se espera”
“Tudo é mais difícil do que se pensa”
“Tudo o que pode não dar certo, não dará certo”

(Leis do Rei Murphy – Irlanda)

Desanimar não resolve! Vive o Brasil momentos de angústia e expectação. Todos os valores estão sendo questionados. A procura de caminhos novos não é contudo exclusividade nossa. O mundo procura uma saída nova!

Cada fato novo registrado no noticiário político e econômico do país, mais me convence que a solução está na revisão do nosso modelo econômico fundado na estatização  e intervenção estatal na vida da sociedade.

E neste momento a universidade tem grande importância, pois que qualquer solução deve ser fruto de muita imaginação e debate. A ideia de cada um deve ser discutida e avaliada e é com esta disposição que faço algumas colocações sobre o problema brasileiro.

A inflação, instrumento desorganizado da economia, desestimulador de investimentos e incentivador de especulação indolente, reflete a arrogância e o gigantismo do Estado brasileiro. É o exato retrato do intervencionismo estatal, parte integrante de nossa história – talvez por vício de origem – já que os portugueses sempre foram mercantilistas.

Sempre se tocou o desenvolvimento a partir dos investimentos estatais e aplicação de incentivos fiscais, subsídios e juros negativos. Por outro lado, seguindo o “ethos militar de segurança nacional” – instituíram-se monopólios estatais e intervenções em setores econômicos importantes.

Como tais incentivos e subsídios deveriam ser distribuídos “com toda justiça”, toda e qualquer atividade econômica passou a depender de licenças e autorizações oficiais. Comprar ou vender aço, trigo, açúcar, álcool, petróleo, passou a ser atividade autorizada pelo executivo.

Tal comportamento veio, durante anos criança privilégios, distorcendo o mercado e induzindo comportamentos.

O burocrata do Estado acredita sempre ser um pequeno Deus que tudo sabe e tudo pode.

A sociedade toda, empresários, empregados, políticos, etc…, passou a viver uma triste ilusão: a de que o Estado cria recursos. Ledo engano. Quando se administra privilégios através de subsídios ou incentivos alguém paga – ou com impostos ou com inflação – o mais injusto deles.

Em resumo: todo o sacrifício imposto à sociedade brasileira tem sido para manter privilegiados e por vezes parasitas do Estado.

Uma revisão se impõe de forma urgente: implantar a liberdade econômica ao lado da liberdade política, sem constrangimentos.

A concorrência livre, característica que só o mercado contém, estimula a eficiência e empurra o progresso, permitindo a todos aqueles que se dedicam e trabalham duro, a certeza do lucro do seu trabalho, distribuindo empregos justos e satisfação pessoal.

Daí o liberalismo como instrumento de fundamental importância num país onde o Estado decide desde o preço do pão ao preço do automóvel, do salário do trabalhador ao lucro do empresário, do preço do dinheiro ao risco da aplicação.

Interessante notar que enquanto Estado Brasileiro possui os melhores bancos, a única empresa de petróleo, os melhores de aço a sociedade nunca conheceu piores serviços de saúde, educação e saneamento.

“É liberal a ideia de que o homem tem liberdade de escolher sua vida, os seus objetivos e de que o governo não pode negar essa liberdade” (Vicente Barretto).

Quem deve efetivamente decidir o que é melhor para si e para sua família deve ser o próprio indivíduo: a partir desta decisão pressionar o mercado, e aqueles que prontamente atenderem ao apelo serão mais ricos e poderosos. Ao Estado caberá criar regras, a partir do poder de coesão, que não permitam distorções e que garantam a liberdade de cada um. Os sistemas políticos devem ser a garantia de nossa liberdade e não de nossos privilégios!

“O ESTADO É A GRANDE FICÇÃO PELA QUAL TODAS AS PESSOAS TENTAM VIVER ÀS CUSTAS DAS OUTROS” (Frederic Bastiak)

Não será fácil a mudança. Contudo é ela a garantia de um país mais justo para todos e por isso deve começar em nós. Em nossa vida particular e profissional devemos estender o debate, conscientizando a sociedade, principalmente no ano em que escolheremos o novo Presidente da República. Precisamos criar a consciência de cobrar propostas séries não espalhafatosas nem demagógicas.

Será conveniente ao Brasil eleger propostas mais estatizantes? Será patriótico e justo continuar administrando privilégios?

O país precisa de trabalho, eficiência e liberdade para agir. A nação brasileira vem amadurecendo muito pelas  decepções que o Estado centralizador e intervencionista provocou.

Está na hora de agir e com consciência.

Por Jackson Vasconcelos