Publicado em Deixe um comentário

Podcast: “O Jogo dos Cartolas”, com Felipe Ximenes (Parte 2)

Confira a 2ª parte do papo entre Jackson Vasconcelos, autor do livro “Jogo dos Cartolas”, e Felipe Ximenes. Agora é hora de falar de futebol. Então, tempo de ouvir quem entende muito do assunto.

Confira a segunda parte do podcast “O Jogo dos Cartolas: Futebol e Gestão”:

Publicado em Deixe um comentário

Podcast: “O Jogo dos Cartolas”, com Felipe Ximenes (Parte 1)

Agora é hora de falar de futebol. Então, tempo de ouvir quem entende muito do assunto. Felipe Ximenes comenta o livro “O Jogo dos Cartolas”, com Jackson Vasconcelos, autor do livro.

Confira a primeira parte do podcast “O Jogo dos Cartolas: Futebol e Gestão”:

Publicado em Deixe um comentário

Gol de mão!

O advogado Flavio Zveiter e o professor Márcio Guimarães afirmam, no artigo “Clube-empresa é um desafio legal”, publicado no jornal O Globo, do dia 19 de setembro: Os clubes de futebol possuem peculiaridades que os diferenciam de outras atividades empresariais, o que justificaria inclusive a criação de um “código de insolvência”. 

As peculiaridades são um fato e aí está um problema grave a ser resolvido e não, novamente, usado para justificar um modelo que dá liberdade de decisão aos cartolas sobre o destino dos impostos e direitos trabalhistas. 

A regra nesse ambiente, com exceções só para confirmá-la, é desviar o dinheiro que deveria pagar os impostos e direitos trabalhistas na direção dos contratos com jogadores e técnicos e de outras despesas e pirotecnias vinculadas aos jogos do dia seguinte.  O “código de insolvência” já existe, é antigo e premia com a ausência de punição todos os atos de imprudência administrativa. 

Passei algum tempo no núcleo de gestão de um clube de futebol, ocupado com estudos sobre o tema e escrevi um livro, “O Jogo dos Cartolas – Futebol e Gestão”. Entendi, desde lá, que é preciso, sim, mudar o modo como os clubes funcionam. O futebol é uma atividade econômica, com excepcional retorno financeiro, porque explora a paixão dos torcedores na essência do negócio e, no entanto, anda no vermelho no Brasil, por ser sempre chamado à corresponder à paixão insana dos torcedores transformados em dirigentes dos clubes.   

Que reforma se deve fazer? Uma que reconheça que o futebol, como todo negócio – e é um bom negócio – deve estar sujeito às leis que estão sujeitos todos os outros negócios, bons e ruins. Sem privilégios, sem peculiaridades e sem códigos de exceção. 

Na onda das peculiaridades, que quebram na praia todas as vezes que os clubes de futebol se endividam aparecem as soluções engenhosas: parcelamentos com anistias, Timemania, Profut e a novidade de agora. Nesse jogo, vale gol de mão e até cavar pênalti para derrotar o contribuinte. O que se quer, na verdade, é facilitar e premiar o calote. 

Há outro caminho? Sim. Ofereçam o negócio a investidores privados, daqui e do resto do mundo, Ah! Mas, eles exigirão gente diferente à frente do negócio. Evidente! 

É quando o bicho pega, porque quem está na política dos clubes não quer largar o osso, menos ainda os que estão na cadeia produtiva do negócio e levam uma vantagem enorme quando negociam com amadores apaixonados.

E o clube que não encontrar investidores para seu time de futebol? Tenha o destino de todos os negócios que, por erros de gestão ou falta de mercado para os seus produtos fecharam as portas. É duro? É, mas a alternativa está aí há muito tempo e tem sido desagradável para os contribuintes e até para os torcedores. 

Publicado em Deixe um comentário

Abel Braga: Técnico ou líder?

Líder, sem dúvida.

Foto: Divulgação FFC

Há dois meses, ninguém apostava um centavo na conquista pelo Fluminense de uma medalha de lata. Mas, o time está aí, campeão da Taça Rio. Sem grana, com dívidas a dar com pau, sem ídolos e sem patrocínio de bom tamanho. Motivo? O time tem um líder, na cadeira de técnico.

Em 2012, o Fluminense foi campeão Carioca e campeão Brasileiro. Abel era o técnico. Poucos meses depois e após algumas derrotas sem importância, os presidentes do Fluminense e da patrocinadora do time, demitiram Abel.

No livro, “O Jogo dos Cartolas”, comentei o fato em duas passagens: Na página 141, onde está meu único diálogo com o Presidente da Unimed-Rio, quando me posicionei firme contra a saída do Abel. E na página 152, ao comentar o fato já ocorrido. Escrevi:

“Abel Braga, a despeito de ter dado ao Fluminense os títulos de campeão Carioca e campeão Brasileiro, assim que perdeu alguns jogos sem importância, foi trocado por Vanderlei Luxemburgo. Esta substituição custou muito caro à imagem do Fluminense e, como consequência, empurrou o time ladeira abaixo na tabela do Campeonato Brasileiro. A decisão de trocar Abel por Luxemburgo deu, no Fluminense, espaço para ocorrer o fenômeno verificado no modelo estratégico dos governos pela escritora Barbara W. Tuchman, autora da obra A Marcha da Insensatez – de Tróia ao Vietnã.

Diz ela: “Fenômeno observável ao longo da História, que não se atém a lugares ou períodos, tem sido o da busca, pelo governos, de políticas contrárias aos seus próprios interesses”.

Após Abel, o Fluminense caminhou errante e assim seguiu até o retorno dele.

Abel reencontrou o clube com um presidente sem personalidade, com coração que tem uma queda pelo principal rival, uma diretoria insossa, que só faz política e não encontrou ídolos, jogadores brilhantes, nem patrocinador peitudo com muito dinheiro. E, o destino ainda lhe pregou uma peça. Mas, ele segue salvando a dignidade de uma camisa que tem história. Uma história que ele, por ser líder, ajuda a manter com dignidade e a construir com novas glórias.

Num país sem liderança, é sempre bom ter casos em que a liderança funciona a favor do bem.

Por Jackson Vasconcelos

Publicado em Deixe um comentário

Vasco da Gama não quis posse na véspera

As eleições no Club de Regatas Vasco da Gama acontecem em duas etapas. Na primeira, os sócios elegem 150 conselheiros que, na segunda, elegem os presidentes do Clube e do Conselho Deliberativo. Eurico Miranda tem sido, pelo menos nas últimas cinco eleições, uma liderança polêmica, mas vencedora.

Há três anos, Eurico, na oposição, construiu a estratégia correta, para fazer dos candidatos contra ele, situação. Roberto Dinamite era presidente com uma rejeição enorme dos sócios e do colégio eleitoral. Um grupo armou-se na oposição para vencer Roberto Dinamite ou o candidato que ele apresentasse. Esse grupo tentou encontrar um candidato e teve dificuldades até chegar ao nome do jovem Julio Brant.

Seria de se esperar que o grupo assumisse o papel de oposição ao Roberto Dinamite. O grupo até tentou, mas Eurico Miranda tirou do páreo um forte adversário, Horta, e jogou Julio Brant e o grupo dele no colo do Roberto Dinamite. Eurico venceu representando a oposição.

No ano passado, iniciou-se o processo eleitoral no Vasco. Desta vez, Julio Brant sem dificuldade firmou-se como candidato de oposição ao rejeitado Eurico Miranda. Como candidato de oposição, Julio Brant uniu os grupos que historicamente não toleram Eurico Miranda e os grupos que, na outra ponta, sempre estiveram com ele. Tudo dizia que Eurico perderia. E perdeu.

Na primeira eleição com sócios no colégio eleitoral, Julio Brant venceu com o apoio dos diversos grupos historicamente contra Eurico e os que dele se afastaram recentemente.  

Mas, Julio Brant resolveu assumir a Presidência do Vasco antes da segunda eleição, no Conselho. Fez isso numa entrevista coletiva em que desprezou os aliados de última hora, aqueles que, historicamente, caminhavam com Eurico.

A entrevista fez com que o processo tomasse novo curso. Um dos grupos demonstrou, publicamente, insatisfação com a posição assumida pelo Julio Brant. A entrevista do Julio na íntegra está posta em seguida. Avaliem.

A ele, portanto, foi dada nova oportunidade de reorganizar. Ele, então, num vídeo publicado quase na véspera da segunda eleição, quando poderia realinhar, fez pouco da posição pública assumida pelo aliado.

Julio Brant perdeu a eleição. 

A ansiedade não é boa companheira para campanhas eleitorais. Fernando Henrique  Cardoso disputou a prefeitura de São Paulo com Jânio Quadros. Sentou antes do tempo na cadeira de prefeito e o caso ficou conhecido.

Há lições importantes na política, para eleições:

  1. Ansiedade mata
  2. Grandes projetos políticos são enterrados, quando os candidatos falam demais.
  3. Não há posse na véspera

 

Por Jackson Vasconcelos

Publicado em Deixe um comentário

“Na Loucura do Abel”

Depois de receber muita pancada de uma turma de torcedores, que no Fluminense só faz política e de péssima qualidade, resolvi esquecer o tema com a certeza de que assim eu daria conforto aos aloprados e mais sossego a mim mesmo. Os “donos” da verdade e do clube sequer me deixaram a chance de torcer sem silêncio.

Mas, o resultado do jogo de ontem, que deu ao Fluminense a Taça Guanabara, coçou os meus dedos. Eu não poderia deixar de expor neste espaço que é meu, a grata satisfação de dizer: eu estava certo.

Logo que deixei a função de principal executivo do Fluminense Football Club, escrevi e publiquei em livro parte da minha experiência. No “O Jogo dos Cartolas – Futebol e Gestão” registrei a minha resistência à demissão do Abel Braga em 2013. A demissão foi o exemplo mais significativo que presenciei do desequilíbrio e da irracionalidade que há no mundo da gestão do futebol, que pode ser coisa só de brasileiro. Pode também não ser. No livro está anotado:

“O Fluminense vinha de um ano altamente vitorioso: 2012 tinha visto o tricolor no topo dos pódios estadual e brasileiro. O time estava valorizadíssimo e o tetra fora celebrado pela torcida como se fosse uma conquista de Copa do Mundo. Mesmo impaciente por natureza, a torcida estava saciada. No ano seguinte, 2013, bastaria ao time levar o campeonato com bom nível de dignidade, enquanto arrumava a casa. O que deveria ser mais fácil, já que conseguimos a proeza de erguer a taça sem aumentar as dívidas, situação oposta à do Campeonato Brasileiro de 2010…”.

Mas, mesmo tendo Abel Braga levado o time a conquistar o Campeonato Brasileiro no final do ano de 2012, a diretoria do Fluminense e o patrocinador resolveram, logo nos primeiros meses de 2013, a demitir o Abel. O resultado da decisão, a história desastrosa do time no restante de 2013, 2014, 2015 e 2016, conta.

No livro, mostro a minha resistência à decisão, numa conversa por telefone – a única – com o patrocinador. Uma conversa que aconteceu depois de uma longa discussão minha com o Presidente do Clube.

Ontem, no fim do jogo, diante do vídeo, que mostrava Lucas, meu neto, que com 2 anos, beirando os três, comemorando muito a conquista da Taça Guanabara e cada gol que levou ao resultado, pensei: quanta vergonha passamos desde a saída do Abel sem necessidade!

Enfim, o futebol é assim.

Encerro com a declaração do Abel ao jornal O Globo,  na matéria assinada pela Carolina de Oliveira Castro: “Na Loucura do Abel”.

“Foi fabuloso, um jogo surreal. Placar de 3 a 3, as duas equipes atacando. Sem Scarpa, decidi que iríamos jogar com Richarlison, Wellington e Dourado. Falaram que eu era louco dentro do clube. Mas, optei pelos três atacantes. Tinha de colocar medo no adversário, não posso demonstrar que tenho (medo). Porém, no fundo, tinha. Falei que era a única maneira de ganhar do Flamengo”.

Valeu Abel! Eu estava certo! Loucos foram os que, em 2013, demitiram você, pouco tempo depois de você nos dar o Campeonato Brasileiro.

Abel.Livro

Por Jackson Vasconcelos

 

Publicado em Deixe um comentário

Macri, Bombonera ou Casa Rosada?

macriabel

No futebol não tem conversa. A torcida decide quem é o técnico e faz isso embalado pela emoção pura, sem racionalidade. O cara pode acertar tudo, como fez Abel nos meses finais de 2012, quando carregou o Fluminense no colo até à Taça de Campeão Brasileiro, mas será mandado embora na esquina mais próxima, se errar um tiquinho que seja, como aconteceu com o mesmo Abel, logo adiante no meses iniciais de 2013, no Campeonato Estadual.

Macri é presidente da Argentina, eleito depois dos governos do sombrio casal Kirchner. Antes, de ser presidente do país, Macri foi Presidente do Boca Juniors, um time de futebol argentino reconhecido entre os melhores do mundo. Certamente, o Macri, presidente do Boca Juniors, fazia o que fazem outros muitos presidentes de clubes de futebol na relação deles com os técnicos. Nem 100 vitórias consecutivas ou mesmo a conquista do melhor campeonato nacional tiram o técnico da linha de tiro, quando três ou quatro derrotas consecutivas sacrificam a torcida.

Ontem, Macri, presidente da Argentina, demitiu o Ministro da Fazenda e Finanças, Afonso Pat-Gay, que, apesar das vitórias importantes dele na Economia Argentina, destroçada pelo casal Kirchner, não conseguiu ainda – mas, conseguiria logo, – derrubar a inflação.

Por Jackson Vasconcelos

 

Publicado em Deixe um comentário

Eleições no Fluminense: O recado das urnas

Novo site do Fluminense.Bem, acabou. Peter Siemsen venceu a terceira eleição consecutiva e desta vez com um candidato inexpressivo, contra dois pesos pesados do futebol. Eu sei que Abad não foi o candidato que Peter escolheu, quando foi reeleito. Ele tinha na cabeça, que seis anos seria tempo demais para um time sem títulos e jogos empolgantes. Vencemos a disputa pela reeleição, em 2013, com o time à caminho da segunda divisão.

Mário Bittencourt era a preferência do Peter e, “se não não for possível o Mário, quem sabe, o Celso?”, dizia ele. Depois, concluía: “Em 2014, 15 e 16, vamos segurar o time sem o risco de cair ou fazer feio, mas na sucessão, o torcedor da arquibancada vai votar e querer alguém do futebol, que entenda do assunto e traga títulos”.

Contudo, Peter venceu a eleição com um candidato que, certamente, não tem jeito, nem cara de entender como funciona o futebol. Abad não escondeu isso. Durante a campanha confessou com todas as letras e veemência, que, como nada entende de futebol, escolherá quem entenda e pagará preços módicos pelo profissional.

E, de fato, não se vê nos olhos do novo Presidente do Fluminense, nem nas palavras dele, a emoção de um torcedor. Se vê o que ele, verdadeiramente, é. Um auditor da receita federal, um tipo que sabe fazer contas, emitir “talão” pra punir sonegador e ponto. Um auditor que a partir de hoje, rezará todas as rezas para não ter que emitir “talão” de multas contra o histórico sonegador time de futebol.

Mas, como pode o Trump surpreender, se ouvir os Republicanos tradicionais, Abad também poderá se, ao contrário, abandonar as ideias malucas da Flusócio e de outras tralhas que abençoaram a campanha dele.  

O recado das urnas do Fluminense está claríssimo. O torcedor que votou não dá importância à conquista de títulos, às vitórias no campo ou mesmo aos técnicos ou jogadores de ponta.

Celso Barros seria o presidente dos títulos. Mário Bittencourt e Tenório, também, apesar da experiência ruim do Mário como Vice-Presidente de Futebol. Na musiquinha de campanha, com letra sem gramática, Mário e Tenório afirmaram que “viram o jogo, que sabem do lance. Quero ver o Flu campeão”.

Como agiram em 2013, os eleitores que decidiram a eleição deste ano escolheram o mito das contas equilibradas, um Centro de Treinamento bem estruturado, o futebol de formação, piscinas e quadras de tênis limpas e a promessa de um ginásio reformado à possibilidade, ainda que remota, de ter um estádio de futebol.

Eles também disseram querer um time de futebol bem arrumado, mas que, por enquanto,  jogue lá pelos cantos da Europa, numa cidadezinha localizada na  fronteira da Eslováquia com a Hungria. Lugar onde os garotos do Fluminense têm um clima frio para conservar por muitos anos a esperança de serem campeões.

O Fluminense levou 26 anos para levantar a Taça de Campeão Brasileiro em 2010. Com sede, não quis esperar outros tantos anos. Em 2012, repetiu a façanha e levou no conjunto a Taça de Campeão Estadual. Então, deixou claro, que está disposto a esperar, se preciso for, mais 26 anos ou o dobro disso, para conquistar outra Taça. Moisés, o líder religioso do povo de Israel, viveu 126 anos, mas não o tempo suficiente para conhecer a terra prometida. O exemplo dele pode servir de apoio ao torcedor Peter Siemsen.  

E “Deus salve a Rainha!”, como dizem os ingleses.

Por Jackson Vasconcelos

Foto: Nelson Perez/Divulgação FFC

Publicado em Deixe um comentário

Eleição no Fluminense – Confusão no cadastro

urnaAs campanhas e eleições para as funções de Estado – vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores e presidente – são organizadas e fiscalizadas pelos tribunais eleitorais. Em clubes de futebol e instituições outras, os estatutos identificam os magistrados. No Fluminense, é o Presidente do Conselho Deliberativo, e o Estatuto não admite a situação de vácuo. Quando há, pela inércia do Presidente do Conselho, o Presidente do Clube assume naturalmente o papel, embora legalmente não esteja autorizado.

Não há eleições sem campanhas. Portanto, para que se garanta a todos os candidatos isonomia no processo, o papel dos magistrados não pode estar restrito à eleição. A minha percepção é de se estar, no Fluminense, numa situação em que o magistrado, Presidente do Conselho Deliberativo, só deu as caras para presidir a eleição e poucos dias antes. A única presença pública dele está registrada no site e é uma recomendação simples, banal: “O ideal é que procurem chegar cedo. O processo deve ser bastante rápido. Estamos bem estruturados. Fundamental que também não se esqueçam de trazer um documento de identidade oficial com foto. É necessário para votar” explicou ele.  

Como há um candidato declarado da situação, o Presidente do Fluminense está em campanha. Ato legítimo. Ele e todo o corpo funcional – ato ilegítimo. A minha percepção se confirma com as notícias de confusão no cadastro do colégio eleitoral. Ninguém cita ou ouve o Presidente do Conselho Deliberativo.

A ausência do Presidente do Conselho na campanha tem levado o evento no Fluminense para um ambiente de absoluto conflito ético, com o Presidente do Clube, árbitro e gerente do processo, em campanha por um candidato. O cadastro de eleitores é mais um fato a comprovar como é perniciosa a campanha arbitrada por um dos candidatos. Ela leva dúvida para o resultado da eleição.

Um dos solos sagrados de qualquer eleição é o colégio eleitoral. A liberdade para compor o cadastro ao prazer de um dos candidatos é fraude. Pouco importa que seja ela intencional ou não. É como matar alguém. Se foi por acidente ou vontade pessoal, pouco importa, o resultado será é o mesmo.

A pergunta é: quem organizou o cadastro de eleitores? Certamente, a secretaria do clube, um órgão técnico sem coloração política, mas subordinado ao cabo eleitoral fundamental de um dos candidatos, aquele que, por óbvio, representa a situação. O cadastro apresentou problemas. Quem fará a depuração? Certamente, a secretaria do clube, subordinada ao cabo eleitoral fundamental de um dos candidatos. E o tempo para isso? Quatro dias.

Eu tenho certeza de que tudo será feito com a mais absoluta lisura, mas esse é um sentimento pessoal, que tem causa na minha convivência com a secretaria do clube. Mas, o sentimento pessoal de alguém será fato suficiente para garantir a todos os demais participantes do processo – candidatos e eleitores – que teremos uma eleição limpa?

Claro que não, principalmente, porque a campanha foi arbitrada, toda ela, pelos adeptos declarados de um dos candidatos.

Há quem grite Brasil afora por uma governança corporativa melhor nos clubes de futebol. Nada mais justo, porque, embora pareçam entidades privadas, eles vivem de privilégios fiscais, sejam isenções na fonte, sejam anistias nos parcelamentos dos impostos a perder de vista. Nós contribuintes, tricolores ou não, pagamos a conta no final da festa.

Por Jackson Vasconcelos

Publicado em Deixe um comentário

Eleições no Fluminense: Salário do presidente

peter-tiroA premiada jornalista Dorrit Harazim, editora da revista Piauí, escreve semanalmente no O Globo. No domingo publicou “O salário do governante”. Ela aborda a promessa do Presidente Trump de abrir mão do salário. No artigo estão argumentos suficientes para sustentar a defesa que sempre fiz de remunerar-se os presidentes dos clubes de futebol, principalmente, o do Fluminense. Eu firmei essa posição no livro que escrevi, “O Jogo dos Cartolas”.

Dorrit assinala que Trump e nenhum outro presidente dos Estados Unidos (George Washington já havia tentado) por lei, não pode abrir mão do salário de presidente, porque a remuneração do Presidente dos Estados Unidos é ato de interesse público e não do ocupante da cadeira. A sociedade americana deixa claro que o presidente trabalha a serviços dos cidadãos e não por caridade e por isso deve prestar contas de seus atos.

Não remunerado, o Presidente do Fluminense Football Club assume o papel de um caridoso torcedor e tem sempre a defendê-lo nas decisões estúpidas ou mal pensadas, o argumento de dar ao clube e aos torcedores um tempo que poderia dedicar à família ou à profissão. Sobre tal comportamento, Dorrit cita Alexander Hamilton, Primeiro Secretário do Tesouro dos Estados Unidos: “O poder sobre o sustento de um homem é o poder sobre a sua vontade”.

Outra questão importante envolve a obrigação do Presidente dos EUA de receber a remuneração que lhe paga a sociedade. Ao compreender a presidência dos Estados Unidos como um trabalho profissional assalariado, amplia-se a possibilidade de cidadãos sem fortunas pessoais virem a disputar o cargo público mais nobre do país.

Novamente, dá para aproximar os conceitos. Certamente, se remunerado, o cargo de presidente do Fluminense teria mais interessados, por exemplo, gente jovem, competente, que poderia prestar serviços ao clube na nobre função de presidente.

Hoje o acesso ao cargo está restrito aos profissionais abençoados por heranças de família, aos aposentados e funcionários públicos, que detém privilégios especiais e um deles pode ser o de estar desobrigado a aparecer na repartição, um ônus enorme para os contribuintes.

Por fim, se chega ao argumento mais forte e atual nos debates da campanha eleitoral no Fluminense. A sociedade americana remunera bem os seus presidentes para fugir ao risco de tê-los à serviço de si mesmos, momento em que entram em cena os negócios escusos, a corrupção e os conflitos éticos.

No próximo sábado, o Fluminense escolherá um novo Presidente. Tomara que seja o último não remunerado, porque dificilmente se terá outro que se dedique a ponto de desejar no final do mandato, dar um tiro na própria cabeça.   

2011-dorrit-oglobo
Artigo de Dorrit Harazim (Clique na imagem para ampliar)

 

Por Jackson Vasconcelos