Político, publicitário ou só jogador de futebol?

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Zico vive a experiência de uma campanha eleitoral, que é um jogo de estratégias e táticas e acontece no campo da comunicação e do marketing, seja pra eleger o presidente da Fifa, deputados, governadores, presidentes da república, de clubes ou associações. Onde houver eleição, existirá uma campanha eleitoral, com o mesmo formato de qualquer outra.  A primeira providência de um candidato é se posicionar, encontrar um lugar na disputa e Zico fez isso com a ajuda de gente do povo e do bom futebol, no mundo todo.  A segunda providência será o registro da candidatura.

No mundo das funções de Estado, vereadores, deputados, prefeitos e etc, o registro depende de um partido político, que receba a filiação do candidato e, numa convenção, aprove a candidatura dele. Na Fifa, Zico terá que conquistar o apoio formal de cinco federações entre as 209 filiadas. Seria o primeiro corpo a corpo dele no mundo da política do futebol mundial, mas ele avisou que não se dará a esse trabalho.

Então, ou mudam as regras ou ele, para conquistar o apoio das cinco federações, precisará de apoios e propostas com peso e importância suficientes para convencer sem pedir. Duvido, porque os cartolas são políticos e como tais, almas esfriadas pela experiência. Mas, como não existem “nunca” nem “sempre” nas atividades que envolvem as decisões humanas e divinas, tudo é possível.

Barrado pela regra, Zico sofrerá uma dolorosa derrota? De jeito algum, porque ele não está nesse jogo como uma pessoa, como jogador ou, exclusivamente, como candidato. Ele está como uma marca, que se valoriza tanto melhores e mais qualificados sejam os atributos que tem e coloque em evidência.

A marca Zico, na disputa pela Presidência da Fifa se valoriza pela defesa dos atributos, honestidade, ética e rejeição ao jogo político que, por justos motivos, as sociedades do mundo todo julgam viciadas.

A marca Zico e o proprietário dela sairão do embate, com certeza, mais valorizados do que quando entraram nele.

David Ogilvy, publicitário inglês, que recebeu da imprensa o título criativo de “o mago mais procurado da indústria da publicidade”, ensinou aos seus alunos: “Uma marca é a soma intangível dos atributos de um produto: o seu nome, embalagem e preço; a sua história, reputação e a maneira pela qual é consumida. É ainda definida pelas impressões e experiência de quem usa”.

Nesses tempos brasileiros, a atitude do Zico é uma aula para os políticos, profissionais que vivem da imagem e da marca, que soma os atributos que, ao longo da história, hospedam.

Por Jackson Vasconcelos 

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