Xeque-Mate no Fluminense

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A exposição pública da vontade do proprietário da Viton de encerrar o patrocínio ao time do Fluminense, presente na notícia publicada pelo Globoesporte.com,  provocou instabilidade e prejuízo de difícil cálculo sobre a imagem do clube, não tenho dúvida.

É possível que haja no contrato alguma previsão de ressarcimento? Provavelmente, não, porque os clubes de futebol no Brasil não adotam a análise de risco para avaliação dos contratos. Os de patrocínio, até os de maior impacto sobre os apertados fluxos de caixa, acontecem numa rotina de amadorismo e desespero por dinheiro. No mundo estranho do futebol daqui, qualquer tostão compra o direito de exposição conjunta com marcas que valem milhões.

Mas, há um outro lado na questão Fluminense e Viton, que está exposta nos comentários que fez o blog MKT Esportivo sobre a atitude desavisada do patrocinador. A análise faz sentido, mas não todo o sentido, porque seria obrigação, também e, principalmente, do clube, antes de assinado o contrato de patrocínio, responder as perguntas que o  blog faz, de público, ao presidente da Viton:

“Diante do cenário de incertezas e insatisfações, será que houve um estudo do mercado por parte da empresa para conseguir dobrar o investimento no espaço de um ano? Será que a Viton buscou ações de ativação com os torcedores do clube para que esta aproximação impacte, diretamente, em suas vendas? Como pode ser considerado “caro”, se o mesmo assinou o contrato e prometeu o dobro em seguida?”.

Ora, a suspensão de um contrato de patrocínio alivia a contabilidade do patrocinador. Mas, quando acontece no tranco, desorganiza as contas do clube e a cabeça do time. E, quando a situação é exposta ao público, pesa também sobre a imagem.

Portanto, os cuidados com os contratos de patrocínio e investimento devem ser maiores por parte dos clubes, porque significam competitividade em campo, primeira condição de viabilidade de um time. Um clube não pode trazer pra si, por ausência de um exame apurado da vida comercial do patrocinador, o risco de um rompimento inesperado, principalmente, no curso de um campeonato que tem o peso e diversidade de resultados do Brasileirão.

A tranquilidade do Presidente da Viton, quando anunciou a vontade de encerrar o patrocínio, mostra que os dirigentes do Fluminense pouco aprenderam com os problemas causados pela saída unilateral da UNIMED-RIO, depois de 15 anos de parceria.

Enquanto Executivo do Clube, não poucas vezes, insisti para que nas declarações anuais do interesse de renovação do contrato com a UNIMED-RIO, o Fluminense inserisse cláusulas de garantia de cobertura dos eventuais prejuízos, numa situação de rompimento unilateral. Mas, o povo lá tremia como vara verde diante de qualquer chance de contrariar o patrocinador.

Vida que segue…

Por Jackson Vasconcelos

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