Wallim, oposição ou situação arrependida?

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O Henrique Bellucio foi uma das presenças de relevo no evento de lançamento do livro “O Jogo dos Cartolas: Futebol e gestão”. Ele falou sobre a analogia entre a gestão do futebol e da política: “a lógica do futebol é muito parecida com a lógica política – vale a coisa imediata. Se no futebol é ganhar o campeonato logo neste ano, na política é de se reeleger, buscar um outro cargo ou fazer o sucessor, o que faz com que as decisões sejam tomadas por uma lógica não focada na gestão ou na sustentabilidade…”.

Para confirmar o que disse o Henrique, futebol e política se misturam, agora, no Flamengo e numa situação que me recorda a eleição de 2000 para a Prefeitura do Rio de Janeiro, no embate, César x Conde. O Conde faleceu no último dia 21. E, me consta que rompido com o adversário.

Vamos à história.

César Maia, no último ano do primeiro mandato como prefeito do Rio – início de 1996 – sem a prerrogativa legal para ser candidato à reeleição, surpreendeu o mundo político da cidade com o nome do seu Secretário de Urbanismo, o arquiteto Luiz Paulo Conde, para sucedê-lo. A notícia chegou primeiro no PFL, que achou graça. Afinal, ninguém sabia exatamente quem era o Conde, que arrancou com 3% nas pesquisas de intenção de votos. Contudo, para espanto geral, venceu.

César, então, disputou o governo do estado em 1998. Se vencesse, sem dúvida, apoiaria a intenção do Conde de ser candidato à reeleição. Mas, perdeu. O bicho pegou! César entendeu que o Conde deveria “devolver-lhe” a vaga de candidato. Conde não quis e houve uma briga dos infernos entre os dois, que dividiu o PFL e o eleitorado. César saiu do partido e assinou a ficha de filiação no PTB. Foi candidato contra o Conde, que, no primeiro turno venceu 11 adversários que disputavam a eleição pela oposição. Todavia, não evitou o segundo turno com o César Maia e perdeu, porque o eleitor entendeu que o governo originário era do César, sendo o Conde um mero representante dele.

Leitura: a situação, com uma imagem sólida, disputou a eleição com dois candidatos, que, no primeiro turno, venceram a oposição representada por onze, entre eles, ninguém menos que o Leonel Brizola e Benedita da Silva. Mas, no Flamengo, a eleição será em turno único. Resta saber, neste caso, que papel jogará o Wallim. Oposição ou situação arrependida.

Confira no vídeo abaixo o depoimento de Henrique Bellucio no evento de lançamento do livro “O Jogo dos Cartolas”:


Por Jackson Vasconcelos

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