Wallim em uma missão impossível

Wallin.FechadoEduardo Bandeira de Mello venceu a eleição no Flamengo. Proeza seria perder, porque quem disputa reeleição abre a campanha com bastante vantagem. Pouco precisa fazer para convencer os eleitores. É suficiente deixar que julguem o trabalho realizado que, no mais das vezes, nem precisa ser de excelência.

Então, cabe à oposição a dupla obrigação de mostrar que o trabalho realizado pela situação é e foi ruim, mas com o cuidado de provar que a troca será para melhor, uma vez  que o eleitor, ao ter dúvida sobre o futuro ficará com o presente, mesmo que ele não seja uma grande coisa.

Contudo, quem cumpriu o papel de oposição na campanha do Flamengo? Exclusivamente, o Cacau Cotta, porque a candidatura do Wallim Vasconcellos na verdade foi uma dissidência da situação que, então, participou da eleição com duas chapas.

No campo da comunicação, elemento central de uma campanha eleitoral, Cacau Cotta só teria sucesso se demonstrasse que a administração do Eduardo Bandeira de Mello é ruim, mas com a garantia de que a dele seria melhor. Evidentemente não conseguiu e, para não conseguir, contou com a colaboração do discurso do outro candidato, Wallim Vasconcellos, que dissidente responsável pelo lado melhor do sucesso da administração Bandeira de Mello, precisou defendê-la.

Com Wallim, entre os três candidatos, portanto, ficou a missão mais complicada: fazer um discurso que defendesse a qualidade da administração Eduardo Bandeira de Mello, assegurando ao eleitor, contudo, que ela só se estenderia se o próprio Eduardo fosse substituído. Quem recebia o discurso precisou fazer o exercício de buscar uma agulha num palheiro para encontrar o ponto base para votar no Wallim.

No curso dos argumentos, surge uma questão: não existiu durante a campanha, no discurso do Eduardo Bandeira de Mello, algum ponto vulnerável? Sim, claro. O desempenho do Flamengo no futebol. Entretanto, nem Cacau Cotta, nem Wallim Vasconcellos tinham um histórico de relação com o futebol do Flamengo capaz de garantir ao eleitor que, se com o Eduardo Bandeira de Mello o futebol é ruim, com eles seria melhor.

Eduardo Bandeira de Mello reconheceu o ponto frágil e buscou resolvê-lo poucos dias antes da eleição com o aviso da intenção de, imediatamente, contratar o técnico Muricy Ramalho.  Wallim Vasconcellos tentou equilibrar o jogo com o convite a um técnico com currículo imponente, mas não sendo o dono da caneta e candidato que as pesquisas anunciavam em desvantagem, fez da proposta forte, um ponto fraco na campanha.

A campanha para presidente do Flamengo confirmou um dos princípios básicos de uma campanha eleitoral: o discurso é peça essencial. Wallim Vasconcellos recebeu do grupo que compôs a chapa a missão impossível de tentar vencer uma eleição com o discurso do adversário, atitude que só fez reforçá-lo.

Por Jackson Vasconcelos

 

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