Vasco campeão de 2015, desde 2014

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O Campeonato Carioca foi decidido nos primeiros dias de dezembro do ano passado, quando o senhor Eurico Miranda venceu a eleição para a presidência do Vasco da Gama. No último domingo, 3/05, a Federação de Futebol, tão somente, homologou o título. Foi mais uma etapa do jogo de faz-de-conta, em que se transformou o campeonato todo.

No faz-de-conta, os participantes buscam superar contradições, estimulados pela chance de lidar com o acaso e pelo desejo de expressar uma visão própria do que é real. Dentro de uma atmosfera própria, o participante combina e reconstrói elementos perceptuais, cognitivos e emocionais, para criar novos papéis para si em novas cenas ambientais, abrindo espaço para a fantasia.

O jornalista Renato Maurício Prado abriu a coluna dele de hoje, terça-feira, 5/05, com uma interrogação irônica: “Surpresa?” para comentar a conquista do título pelo Vasco da Gama.

Não falo de fraude, nem de roubos, porque a sociedade brasileira, sabe-se, abomina tudo isso, mas digo do uso de uma estratégia criada pelo senhor Eurico Miranda, que fez com que todos os elementos e personalidades envolvidas com o Carioca contribuíssem para a construção de só um resultado possível: o Vasco da Gama ser campeão.

Na estratégia, ao Presidente da Federação de Futebol coube o papel de desorganizar o campeonato para deixar tontos os presidentes do Flamengo e do Fluminense, times que poderiam estragar a festa do Vasco da Gama. Passou com louvor.

Os presidentes do Flamengo e do Fluminense ficaram com a obrigação de levar os seus times à disputa com valentia, porque alimentados pela ilusão de serem campeões. Desse modo, legitimaram o campeonato e o resultado dele.

Se o Carioca fosse uma disputa pela estatueta do Oscar, o Presidente da Federação, sem concorrência, receberia o prêmio de melhor ator e os presidentes do Fluminense e do Flamengo, o de melhores atores coadjuvantes, por méritos diferentes. O primeiro, por fazer cômica uma tragédia da vida real e os outros, pela maestria com que conseguiram dar ar de verdade a uma grande mentira.

Ao presidente do Vasco da Gama seria entregue a estatueta de melhor direção. Ele conseguiu, com uma destreza de fazer inveja aos melhores estrategistas, coordenar todos os elementos cênicos e técnicos para produzir um grande espetáculo.

Na categoria de Melhores Efeitos Visuais, por pouco venceria o debate promovido pelo Canal ESPN entre os presidentes da Federação, do Fluminense e do Flamengo. Os dois últimos presentes no estúdio e o primeiro, por telefone, Deus sabe lá de onde. Aconteceu no dia seguinte ao dia da mentira e um dia antes de um FlaxFlu, que o Fluminense perdeu.  Está disponível na internet, AQUI.

As caras e bocas do presidente do Fluminense, o sorriso irônico no canto da boca do presidente do Flamengo, com tiradas que deveriam provocar, mas não provocaram graça e a voz sarcástica do presidente da Federação, compuseram uma peça que lembrou, o tempo todo, os filmes da Família Addams.  Para ser perfeito e levar a estatueta, o debate deveria ter como música de fundo, o tema que John Williams preparou para o filme Tubarão.

Por Jackson Vasconcelos

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