Vai uma gelada antes do gol?

FutCerveja

Se for torcer, beba! Se for beber, torça! Agora pode. Antes não podia, porque o Estado Brasileiro é petulante o suficiente para sair a meter o nariz onde não é chamado. Com o velho hábito de querer resolver os problemas pelas consequências e nunca pelas causas, os agentes do Estado, quando entenderam que a cerveja é causa da violência nos jogos, proibiram a venda, sem piedade. Poderiam ter limitado. Nada disso. Curto e grosso, o Estado proibiu.

Mas, o torcedor de futebol adora assistir os jogos em companhia da cerveja. Ao passo que não pode mais levá-la nem marcar encontro com ela nos estádios, resolveu levá-la até os portões. E, como a companhia é agradável, o torcedor deixa pra passar pelos portões no último minuto. Entope das catracas. Tumultua o processo.

Mas, ontem, no Rio de Janeiro, os deputados estaduais consertaram o defeito e liberaram a venda de cerveja nos estádios locais. Como no mundo dos desocupados tudo gera polêmica, a decisão dos deputados também. A decisão é boa? É ruim? Burra? Tem bom senso? É comercial? Política? Trará de volta aos estádios a violência, que segundo alguns diminuiu bastante? Está aberta a temporada de opiniões.

Então, apresento a minha.

A decisão, eu entendo, não obriga nem desobriga a venda. Simplesmente, libera. O ato de vender ou não cerveja dentro dos estádios será dos administradores das arenas. Com eles está, portanto, a responsabilidade de fixar critérios, tanto para impedir que a cerveja seja energia para a violência, como para que dela fazer mais um instrumento de marketing rentável. A quantidade de cerveja pode, por exemplo, ter um limite por torcedor, exigência fácil de fiscalizar, porque os contratos de concessão dos bares, restaurantes e até de ambulantes dependem da vontade exclusiva dos administradores dos estádios. As cláusulas de obrigação resolveriam muito bem o cumprimento dos critérios.

Pelo lado melhor, a inserção da cerveja no rol de produtos vendidos no estádio abre os portões para os contratos de exclusividade e exposição, que têm tudo para oferecer excelentes retornos financeiros para os estádios e clubes. A imaginação do pessoal do marketing dos estádios e dos clubes saberá como fazer, por exemplo, promoções que envolvam ingressos, cerveja, tratamento VIP, incentivo à ampliação do quadro de sócios-torcedores.

Certamente, se o Estado não meter mais a colher nas relações comerciais do futebol, há um bom dinheiro a caminho, que dará aos clubes e estádios, a ocasião certa para melhorar a qualidade dos espetáculos.

Por Jackson Vasconcelos

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