Uma imagem sem título

Sem títuloVocê prefere um faniquito ou um título? Incorporado pelo caboclo torcedor, o Presidente do Fluminense presenteou a torcida do time com uma imagem forte e agressiva depois do primeiro jogo da série de dois contra o Palmeiras pela Copa do Brasil.

A turma dele, certamente, vibrou, porque sempre pediu a ele momentos assim, de torcedor fanático, agressivo com árbitros, federações e contra o mundo do mau. Eu, hoje distante, ainda acho que melhor pra torcida e para o clube seria contar com um presidente capaz de oferecer ao time equilíbrio e à própria imagem, potencial para criar as condições materiais de conquistas importantes.

Boa parte do meu tempo como executivo do Fluminense Football Club, eu gastei com a busca de solução para os conflitos estabelecidos na relação entre os profissionais de comunicação e o grupo político do presidente.

A causa da queda de braço era a imagem que se deveria defender para o presidente. A equipe de comunicação gostaria que fosse a de um torcedor motivado pela oportunidade de administrar o clube e o time com equilíbrio emocional que não sacrificasse uma empresa que fatura quase R$ 200 milhões por ano, no meio de um negócio que movimenta bilhões de dólares no mundo todo.

Súmula da 1ª partida, disputada dia 21/10.

Súmula da 1ª partida, disputada dia 21/10.

 

A “turma” do presidente preferia tê-lo, durante todo o tempo, com a imagem do torcedor fanático, que o Eduardo Galeano, no “Futebol ao Sol e à Sombra” define como “um elemento num manicômio, em estado permanente de epilepsia, que olha o jogo e nada vê e para quem a simples existência da torcida do outro time constitui uma provocação inadmissível”.

No meio de tudo isso, uma questão se colocava: não daria para ter um presidente com as duas imagens? Uma para o momento dos negócios e outra para as ocasiões dos jogos?

Aprendi que é impossível, porque as partidas são o negócio em essência, que faz com que um presidente desequilibrado no campo, na arquibancada, diante da imprensa, no vestiário, na saída dos estádios, desequilibre o time, crie insegurança nos técnicos, perca o respeito dos árbitros, coloque em risco a imagem dos patrocinadores e gere prejuízos. Na cadeia produtiva do futebol, todos os elementos são importantes e entre eles, sem dúvida, o time e a torcida adversária.

No mundo dos negócios, os faniquitos são sempre mal vistos e, por isso, valores negativos.

Por Jackson Vasconcelos

 

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