Tudo pelo voto, no Flamengo e na Prefeitura do Rio

Mosaico.FutPolO Presidente do Flamengo, candidato à reeleição, demitiu o técnico Oswaldo de Oliveira antes do encerramento do Campeonato Brasileiro, que está por um instante. No mesmo momento, anunciou que contratará, após a eleição, o técnico Muricy Ramalho. Para não fazer por menos, o adversário Wallim Vasconcelos anunciou que, eleito, convocará Jorge Sampaoli, treinador da seleção do Chile e considerado pela Fifa para o prêmio de melhor técnico do mundo.

A decisão de mudar o técnico do Flamengo terá pelo menos dois efeitos colaterais. O primeiro, de estalo, será a aflição do Presidente e do Vice-Presidente de Futebol do Fluminense, imaginação autorizada pelo roteiro das decisões dos rivais no ano passado. O Flamengo aguentou bem o Vanderlei Luxemburgo em desgraça até o momento em que o Fluminense não aguentou mais o técnico Ricardo Drubscky. Saiu o Drubscky no dia 21 de maio, Vanderlei cinco dias depois.

Então, a valerem as promessas dos candidatos à Presidência do Flamengo, o técnico Eduardo Baptista subiu no teclado. A relação FlaxFlu é de causa e efeito e nesse contexto é impossível não perceber alguma relação há entre o contrato do Paolo Gerrero com o Flamengo e o do Fluminense com o Ronaldinho Gaúcho.  Os candidatos a presidente do Flamengo não poderiam aguardar o final do campeonato? Poderiam se o foco não fosse a eleição.

Eis o segundo efeito colateral.

Fala-se na Presidente Dilma como exemplo ruim de uso da máquina, do dinheiro público, da mentira e do vale-tudo para vencer eleição, porque esse foi o caminho da destruição de um legado na economia, na política e no social.

Vê-se, com o caso do Flamengo, que a Dilma não está só, porque tem a companhia do Presidente do Flamengo, Eduardo Bandeira de Mello e do time do PMDB do Rio, o ex-governador Sérgio Cabral, o deputado Picciani e o prefeito Eduardo Paes. Eles explodiram as contas públicas do Estado do Rio para eleger um candidato sem carisma e sem história. Pezão é um bom sujeito, homem digno que, contudo, sem a máquina não seria sequer candidato.  Sérgio, Picciani e Paes repetem a dose na Prefeitura do Rio para eleger um sujeito que a população só conhece pelas surras que deu na esposa. É fácil saber qual o futuro das contas da prefeitura depois da eleição, mesmo se derrotado o pugilista covarde.

As declarações dos candidatos à presidência do Flamengo mostram até que ponto eles vão na briga pelo voto. Os eleitores do Flamengo poderão dizer que o risco é pequeno, porque Muricy e Sampaoli são técnicos de excelência. Caros, porque excelentes. Não é bem assim. Afinal, de excelência também eram, no tempo próprio, o perfil técnico e os salários do Mano Menezes e do Luxemburgo.

Conhecendo o futebol carioca como a gente conhece, independente de quem vença a eleição no Flamengo, os rubro-negros podem ter a chance de contar com o Muricy e com o Sampaoli, nesta ordem ou na ordem inversa. Afinal, técnico nos clubes daqui não esquentam cadeira.

Por Jackson Vasconcelos

 

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