Sócio torcedor ou dizimista?

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Quando a Receita Federal apertou os clubes de futebol, para receber os impostos que lhe deviam, os cartolas saíram alucinados à caça de dinheiro. Bateram aqui, bateram ali e encontraram na prateleira o programa sócio torcedor.

A AMBEV vinha no rastro e percebeu a chance de fincar o pé mais fundo no ambiente. Ofereceu aos clubes um projeto que dá ao torcedor, para se associar, a possibilidade de recuperar o valor das mensalidades nos descontos das compras de armazém. Não funcionou, mas o desespero dos clubes por dinheiro fez o processo avançar até transformar os torcedores em mensalistas que, a exemplo dos dizimistas, compram a prosperidade e o paraíso sem saber se receberão o que compraram.

O Fluminense fez diferente. O seu programa de sócio torcedor nasceu antes do projeto AMBEV (Movimento por um Futebol Melhor) fazer o barulho que andou fazendo. Foi criado em 2012 com o nome de sócio futebol. Nada mais justo com o consumidor. Nomes diferentes para produtos diferentes. O programa sócio futebol desprezou os descontos nas compras de armazém como razão principal e essencial de venda, para oferecer algo mais nobre, o direito de voto para a escolha do presidente do clube.

Na raiz, a compreensão de que o torcedor é o sustentador do time, não só quando se associa, mas também ao consumir os produtos que carregam a marca Fluminense. E, como tudo faz em nome de uma paixão capaz de passar de pai para filhos, nada mais justo que ele participe dos processos de decisão. Por definição, quem vota para presidente debate, seleciona o plano de gestão e, de certo modo, decide como será o seu time do coração. No Fluminense, quem paga a conta passou a ter o direito de participar da festa.

A primeira eleição direta aberta aos sócios futebol acontecerá em 2016 e dará ao Presidente e ao Conselho Deliberativo eleitos a liberdade para ampliar o grau de democracia interna. O sistema se retroalimentará. Quem sabe não virá, por exemplo, a introdução do sócio futebol no ambiente de discussão dos orçamentos e acompanhamento das contas? Por que não fazer?

No Fluminense, a partir da eleição de 2016, acontecerá um novo tempo, quando os que gastam o seu dinheiro com o clube em nome da paixão, poderão leva-la para as decisões. Pagarão a festa os que poderão participar dela. Certamente, não haverá mais bancarrotas e o lucro será de todos, convertido num bom futebol.

O Fluminense, portanto, tem diante dele, já pronto, o melhor formato de um programa sócio futebol, que é bem diferente do genérico apresentado pelo resto. Se souber cultivar o sócio futebol como um patrimônio de valor, o Fluminense, clube de pequena torcida, a terá tão forte, que não se abaterá diante dos gigantes que andam a cantar loas ao próprio tamanho. O Fluminense será um David diante dos Golias que enganam seus soldados, só para deles tirar o dinheiro que paga a festa para poucos.

Por Jackson Vasconcelos

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