Como se pode julgar um técnico?

CirandaTecnicosSete! Na Bíblia, o número perfeito. No dito popular, o número da mentira. No futebol? Só o começo.

“Cada vez fica mais claro que não é apenas o trabalho de campo, o jogo e o treino que são importantes para que o bom desempenho aconteça, a bola entre e a vitória chegue. A competência é fundamental. Sem conhecimentos técnicos e táticos, o líder não terá o verdadeiro respeito e segurança em relação ao atleta, que, por sua vez, tem que olhar para o seu técnico e ver nele uma pessoa capaz de solucionar, direcionar, orientar e instruir para a confirmação de uma virtude ou a solução de um problema” (Tite).

Estamos na 7ª rodada de um campeonato que terá 38. Já se cumpriu a previsão que fiz aqui, no dia 7 de maio, antes da primeira rodada: “Neste fim de semana começa o Brasileirão 2015 e, pelo o que mostra o histórico dos últimos campeonatos, daqui a pouco tem início a dança das cadeiras para os técnicos”.

Não deu outra e a tabela com as trocas está abaixo. E, pior. Certamente, a ciranda não terminou. Na segunda fase do campeonato, o desespero dos dirigentes dos clubes com risco de cair, farão novas rodadas.

Tabela Técnicos3

A ciranda já dá notícias de algumas curiosidades. Comecemos pelo Flamengo, que, por enquanto, é cantado em prosa e verso como exemplo de gestão de excelência. A diretoria do clube despachou o Vanderlei Luxemburgo e criou a oportunidade de consertar o erro de ter trocado o Jayme de Oliveira por ele. O Jayme levou o time à conquista dos títulos de Campeão Estadual e da Copa do Brasil. Foi o único. Antes dele, Mano Menezes e Ney Franco foram tiros na água. Vanderlei, depois dele, também.

Mas, a diretoria do Flamengo foi buscar, para o lugar do Vanderlei, o Cristóvão Borges e fechou o ciclo de quatro técnicos para o lugar de um, disponível, com dois campeonatos no currículo em prazo curto.

Em seguida, o Cruzeiro. O clube contratou o Vanderley Luxemburgo para o lugar do Marcelo Oliveira, campeão brasileiro com o time em 2013 e 2014. Estranho, não? Como a diretoria do Cruzeiro não apresentou motivos, fico com o meu: o Cruzeiro cansou de ser campeão brasileiro.

Por fim, o Fluminense. O que foi a contratação do Ricardo Drubscky? A diretoria reconheceu que errou. Simples assim. Mas, precisaria ter errado? Não precisaria. Errou porque demitiu o Cristóvão às pressas depois de uma convivência de mais de um ano, sem saber o que procurar no mercado. No sufoco, o soluço de dois meses!

A tabela da ciranda, que apresento, levanta outra questão. Os técnicos que venceram campeonatos foram os com mais tempo no comando dos times. E, no contexto, me lembro do Abel Braga no Fluminense. Ele chegou em abril de 2011, para ser campeão Estadual e Brasileiro em 2012. Na nossa tabela, Marcelo Oliveira no Cruzeiro e Hemerson Maria, no Joinville.

O texto com que abri o artigo é parte do Prefácio do livro “Os Campeões – por dentro da mente dos grandes líderes do futebol”, de Mike Carson. A obra é o conjunto de entrevistas com os técnicos de futebol dos clubes considerados de excelência. Leitura que julgo indispensável para quem queira compreender como o futebol que produz bons espetáculos funciona.

Por Jackson Vasconcelos

 

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