Segura peão!

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A última edição da Revista Placar, na coluna Numeralha, apresentou o ranking de técnicos mais longevos entre os 12 grandes clubes do Brasil. Somente dois ultrapassaram a marca de um ano ininterrupto de trabalho num clube: Marcelo Oliveira, com 25 meses no Cruzeiro e Muricy Ramalho, com 17 no São Paulo. Ou seja, os dez mais longevos não conseguiram emplacar um ano nos seus últimos clubes.

A demissão recorrente de técnicos de futebol, antes que eles completem o trabalho para o qual foram contratados e sem terem ainda substituto escolhido, é um assunto que me incomodou bastante no tempo em que gerenciei o Fluminense.  Em apenas três anos, Muricy, Enderson Moreira, Abel Braga, Vanderlei Luxemburgo, Dorival e Renato Gaúcho foram técnicos do Fluminense até chegar o Cristóvão, que corre o risco de completar um ano em abril, se a voz do autor da “Carta ao Mário”, blogueiro tricolor e advogado Gustavo Albuquerque, não for ouvida. O “Mário”, destinatário da mensagem do Gustavo é o seu colega Mário Bittencourt, Vice-Presidente de Futebol do Fluminense e o assunto, um pedido para demissão do técnico Cristóvão Borges.

No lugar apropriado no blog, eu comentei: Leio a “Carta ao Mário” com a memória nas pressões que, no meio do ano ruim de 2013, derrubaram o técnico Abel Braga. Esta coluna foi a última a desembargar, é verdade. Sou seu leitor assíduo e me lembro do post “Demitir?”, em que o autor dizia: “Mas se fosse eu a decidir, mesmo insatisfeito com o seu trabalho, não o demitiria agora”.

O Abel caiu e com ele o Fluminense. Motivo: o vício de defender demissões sem defender antes nomes para o lugar do demitido. Uma insanidade quando o tema é gerenciamento. Por isso, antes de defender a saída do Cristóvão, defendam alguém para ocupar o lugar dele”.

A rotina de demissão de técnicos alimenta uma curiosidade: todas as vezes em que os técnicos começam a ter problemas com os times e, por conseguinte, com torcedores, os presidentes dos clubes alivia-lhes a carga com a demissão, que, por contrato, reclama uma régia indenização. Então, numa segunda leitura, mais apropriada e mais honesta, na realidade, as rescisões premiam o mal desempenho.

Valessem as regras de uma gestão responsável, o bom desempenho dos técnicos deveria ser reconhecida com o pagamento de prêmios, como são, enquanto os ruins, penalizados com multas de igual valor. Mas, para isso, os contratos deveriam conter metas. Quem teria a coragem de propor?

Por Jackson Vasconcelos

Foto: Photocamera

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