Recado ou coletiva de imprensa?

002.News18O senhor Eurico Miranda concedeu mais uma entrevista coletiva nesta terça-feira, 4/8, para cumprir um ritual muito comum na vida dos clubes de futebol. Se há uma coisa que dirigente de clube de futebol gosta tanto quanto trocar técnico e tirar foto com ídolo é uma coletiva de imprensa, principalmente, quando estão apertados com os resultados em campo.

E eles, os dirigentes, têm sucesso no intento, porque contam com uma rotina cruel na vida dos repórteres neste tempo de internet, quando os sites dos canais reclamam notícias e fatos a cada momento. De uma tacada só, numa coletiva, o entrevistado facilita a vida de um mundão de repórteres e editores.

As coletivas do senhor Eurico Miranda são exemplos. Na última, ele justifica o desempenho do Vasco da Gama, que patina na zona de rebaixamento do Campeonato Brasileiro e tanto mais o tempo corre, mais evidente fica que ele de lá não sairá.

Sem solução a vista, o caminho, então, do senhor Eurico Miranda é informar ao mundo que há, para o desempenho do time, um culpado e não é ele. Quem, então? O presidente que presidiu o clube nas duas ocasiões recentes em que o time foi ao rebaixamento. Uma providência bem conveniente, já que o antecessor e os rebaixamentos foram a pedra de esquina dos discursos de campanha do senhor Eurico Miranda para voltar à Presidência do Clube.

Eurico Miranda e parte de sua diretoria. Foto: Raphael Zarko/GE

Eurico Miranda e parte de sua diretoria na coletiva de imprensa realizada nesta terça-feira, 04/08. Foto: Raphael Zarko/GE

A presença de toda a diretoria foi o recado da união de todos em torno do Presidente. Disse ele: “Acho que não estariam se houvesse divergência. Aliás, divergir é coisa mais natural”. Isso dito pelo Eurico, cheira mais a recado do que a notícia.

Por conhecer o modo como a imprensa trabalha, Eurico, ao acusar o antecessor, sabia que a imprensa iria atrás dele. Então, avisou, previamente: “Como vocês vão ouvir o Roberto Dinamite (…)”.

Mas, para que servem, no conceito da comunicação e da assessoria de imprensa, as entrevistas coletivas? Qual o sentido de reunir, num mesmo lugar e momento, todos os canais de imprensa?

Os objetivos devem ser:

a) Esclarecer dúvidas que são comuns sobre fatos relevantes, que viraram notícias;

b) Dar amplitude às que são de interesse geral que, se passadas de modo privilegiado a canais previamente escolhidos, podem chegar ao público truncados ou viciados pela parcialidade.

Não configuradas as situações que justifiquem a convocação de uma coletiva, ela deve cair. Derrubá-las é o papel dos repórteres e dos editores. Ora, se o entrevistado tem algum recado de interesse próprio para passar para o público, nestes tempos de mídias sociais, que usem os canais próprios.

Por Jackson Vasconcelos

Foto: Rafael Moraes / Agência O Globo

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