R10. Gestão temerária, uma imprudência

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O caso do Ronaldinho Gaúcho com o Fluminense configura ato de gestão temerária? Nos dicionários de Direito, sei lá. Mas, devem sabê-lo com convicção o presidente e o vice-presidente de Futebol do Fluminense, porque são advogados de reconhecido saber jurídico.

Os demais dicionários indicam que sim, porque temerária é toda atitude imprudente, desatinada, infundada, de ousadia excessiva e absolutamente imprudente. Os resultados estão à mostra, mesmo dispensados aqueles protegidos pelo sigilo, argumento que tem boa serventia para os clubes de futebol, quando fazem negócios ruins e precisam, como agora precisa o Fluminense, de um discurso bom.

Caso não, vejamos:

O Ronaldinho foi contratado nos primeiros dias de julho. A valer a rotina de contratação de jogadores nos clubes de futebol, o contrato com ele deve ter tido duas pernas, uma na CLT e outra no direito de imagem. A imprensa comentou que o contrato previa também participação percentual do jogador nas vendas dos produtos com a marca Fluminense e nos valores das mensalidades do sócios conquistados a partir da chegada dele. Na CLT correm FGTS, INSS e coisas tais.

É legítimo acreditar que os valores referentes aos dias de validade do contrato de R10 tenham sido pagos na época própria ou agora, na rescisão. Afinal, o Fluminense é obrigado a ser bom pagador. Assinou um compromisso com a Receita Federal para ser. Como o moço não correspondeu à iniciativa do contrato,  o dinheiro aplicado nele foi jogado fora. Contudo, os dirigentes do clube poderiam ter sido, coitados, enganados. O desempenho ruim do jogador antes de chegar ao Fluminense derruba o argumento.

É argumento razoável também vincular ao valor do prejuízo que pode ser calculado, o custo da demissão do técnico. Observada no ambiente da rescisão do contrato com o Ronaldinho, a ocorrência deixa dúvidas se prudente, porque os resultados ruins do time podem ter sido causados pelo comportamento do jogador e não pelas atitudes do técnicos. E, isso foi dito algumas vezes pelos entendidos que escrevem e falam sobre futebol. Neste ponto, entra o prejuízo que não se pode calcular de pronto, porque diz respeito à imagem, ativo intangível.

O Ronaldinho Gaúcho deixa o Fluminense no 12º lugar da tabela do Campeonato Brasileiro. Encontrou-o na condição de vice-líder e naquele momento encorajou o clube a produzir  um vídeo para zoar o presidente do Vasco da Gama, que tentou levá-lo pra lá.

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Visto diante dos fatos novos, o vídeo pesa uma tonelada nas costas do Fluminense, principalmente, quando nele, com a condição de legenda, a imagem coloca a declaração do vice-presidente de Futebol do Fluminense na ocasião: “Enquanto uns brigavam pelo lado da arquibancada, que por direito é do Fluminense, nós estávamos contratando um jogador que achavam que seria deles”.

É por essas e outras tantas decisões débeis, de gestão absolutamente temporária, que preciso chamar de Gestão Zero, é que defendo uma revisão no modelo de gerência dos clubes de futebol. Um presidente remunerado, com responsabilidade de gestão, seria, no caso do jogador Ronaldinho, chamado a pagar a conta.

Mas, nas redes sociais há quem afirme, com base no crescimento do número de sócios-torcedores motivados pela contratação do jogador, que a relação dele com o Fluminense não foi um desastre financeiro. Pra afirmar o fato, precisam apresentar números, que o Fluminense, opaco como todo clube de futebol, não forneceria. Respostas obtidas para questões simples, como:

a – Quanto foi pago ao empresário do torcedor a título de comissão, no contrato?

b – Quanto o Ronaldinho Gaúcho recebeu efetivamente do clube durante o período de validade do contrato?

c – Quanto custou ele aos departamentos médico e administrativo, incluídas viagens e período de recuperação?

d – Quanto o Fluminense recebeu, no período de contrato, dos torcedores que se associaram em razão do jogador e das campanhas que ele participou?

Do “a” ao “c”, a grosso modo, as despesas. No “d”, as receitas. Depois, subtraiam e apresentem a conta.

Por Jackson Vasconcelos
Imagens: Fluminense FC

 

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