Quantos mais derrubaremos?

Faz 30 anos, menos da metade do tempo médio de vida do brasileiro, que fomos para as ruas e pedimos o direito de eleger um Presidente da República. Uma luta dura, que para ser vencida nos obrigou a engolir por mais algum tempo uma dupla eleita por um Colégio Eleitoral espúrio, os senhores Tancredo Neves e José Sarney.  Mas, conseguimos!

Então, elegemos, até aqui, quatro presidentes, Fernando Collor, Fernando Henrique, Lula e Dilma e estamos na eminência de mandar a Dilma embora, depois de mandar o Fernando Collor. E os dois que sobraram na lista, Fernando Henrique e Lula, enfrentam taxas elevadas de rejeição popular. O mesmo aconteceu com governadores e prefeitos, senadores, deputados e vereadores. O rol é grande.

Alguma coisa está errada com o modo como os políticos se relacionam com a sociedade. O que é, eu imagino. Tenho quase certeza. O político surge na sociedade e é escolhido por ela para, em nome dela, decidir as questões de Estado. Mas, tão logo eleito, ele se teletransporta para outro mundo, onde se faz e se fala coisas que o povo não faz, não fala, não gosta, nem entende. E, em pouco tempo, o político se acostuma longe do povo e até gosta da ideia. Faz o diabo para não voltar para o meio do povo. É obrigado, quando chega o tempo das campanhas. Um período chato, cheio de compromissos com a agenda do povo.

Por isso, o tempo das campanhas o político faz cada vez mais curto. Se pudesse ser algo que ele resolvesse em poucas semanas, ele preferiria no lugar dos poucos meses. A proximidade do político com o povo, para acontecer num prazo curto, precisa da TV e do marketing. Então, o político arranjou um modo do povo pagar pelos programas na TV e pelo marketing. O horário de TV, no desconto do imposto a ser pago pelas emissoras. O marketing, seria do sobrepreço dos contratos que o político assina ou pressiona para assinarem.

Esse é o novelo a ser desfeito. Coisa pra o povo pensar. Quem sabe não é hora de ir para as ruas, não para derrubar presidentes, mas para derrubar os muros e obrigar que o político seja sempre povo?

Por Jackson Vasconcelos

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