PROFUT E APFUT?

Dilma.Cartola

Pela qualidade do conteúdo da Medida Provisória 671, certamente, o seu número nasceu de um “ato falho” da consciência dos burocratas, onde o “6” tem tudo para ser o início da série que numera a “Besta do Apocalipse” e o “71”, o apelido do artigo mais conhecido do Código Penal Brasileiro.

A MP atende ao desejo de uma turma vinculada ao futebol de conceder aos clubes nova oportunidade de pagamento de suas dívidas com o governo, mas com punições rigorosas para os que, no futuro, voltem a dever. Risível! Ela, para dar sentido a tudo isso, cria o PROFUT (Programa de Modernização da Gestão e de Responsabilidade Fiscal do Futebol Brasileiro), que será fiscalizado pela APFUT (Autoridade Pública de Governança do Futebol).

Quem conhece como funcionam os clubes de futebol e a relação entre os poderes da República, sabe que a 671, na verdade, faz concessões à hipocrisia, quando apresenta as penalidades pela reincidência, e ajuda a manter vivo o velho costume dos governos de usarem a favor dos seus, as estruturas públicas de cargos e salários, ao criar a APFUT.

Não existe no universo de gestão financeira dos governos nem dos clubes, nada que nos garanta o contrário. Colocar em risco o patrimônio dos dirigentes e limitar o número de vezes que eles possam ser reeleitos, nada resolverá. Mas, como seguro morreu de velho, com certeza, essas imposições o Congresso Nacional derrubará quando apreciar a matéria. Disso já nos deram notícias os dirigentes dos clubes da Série A do Campeonato Brasileiro reunidos com a CBF.

É longa a fila de oportunidades concedidas aos clubes de futebol para pagarem as suas dívidas com o Tesouro. Antes da 671, houve, por exemplo, a TIMEMANIA, criada para atender com exclusividade, os clubes de futebol. Ela, uma loteria oficial, arrecada dinheiro diretamente da população para aliviar o peso das parcelas que os clubes pagam. E, nem isso adiantou.

Sobre o tema, no dia 02 de fevereiro escrevi “Falta de Bom Senso”, que o jornal O Globo publicou. Critiquei a gestão dos clubes de futebol estar entregue a voluntários apaixonados, essa, sim, a causa dos recorrentes endividamentos, uma situação que a MP 671 nem tangencia.

O que fazer, então? Seria eficaz aproveitar o sufoco e apertar mais o crânio dos clubes, retirando deles o privilégio fiscal que inibe a remuneração dos seus dirigentes, para, no mesmo ato, beneficiar com o parcelamento os clubes que assumam o compromisso de, em pouco tempo, serem transformados em empresas com capital aberto. Imagine se não seria mais saudável o torcedor se tornar sócio via bolsa de valores…

Por Jackson Vasconcelos

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