Presidentes e vices em desvio de função

Apresentacoes

A confusão de funções é sinal de desordem em empresas de qualquer tipo e causa falência. Mas, os clubes de futebol convivem bem com o problema sem risco de falirem, porque alguém sempre assume as suas contas. Eis aí como prova presente a MP 671 e como prova passada a TIMEMANIA e seus irmãos.

A mistura das obrigações é tal que clubes e times são tidos como sinônimos. Mas, são coisas diferentes.

O clube é o ambiente administrativo e logístico, que acolhe o time com estrutura e suporte. Oferece, mantém e conserva o campo de treino, o estádio, o vestiário, enfim, todos os instrumentos e recursos que possam oferecer aos jogadores, as condições ideais para o jogo. O clube seleciona, contrata e avalia os técnicos.

Administram o clube os presidentes, vice-presidentes, diretores, executivos e gente semelhante, conhecida como dirigente.

Os times, os técnicos administram, com autonomia. A ele cabe o papel de montar e organizar o elenco. Selecionar, orientar, disciplinar e avaliar os jogadores. Também o papel de escalar os que estarão em campo e os que, no banco de reservas, suprirão a necessidade tática de ocasião. São dos técnicos as estratégias para o time disputar os campeonatos e os esquemas táticos de jogo.

Para bem do espetáculo, que é, no fundo, o desejo maior da torcida e objetivo final do futebol, cada macaco ocuparia o seu próprio galho. Mas, não é assim e por isso, o espetáculo sofre.

Os dirigentes dos clubes, torcedores que vieram das arquibancadas, ocupam a função dos técnicos de futebol. E, como faziam no tempo em que eram só torcedores, eles selecionam, contratam, escalam, apresentam e dissolvem o elenco. Aplicam as estratégias aos campeonatos e impõem os esquemas táticos aos jogos, no calor de cada partida. Por consequência os técnicos de futebol no Brasil são meros detalhes na composição do time. Vão e voltam como as roupas guardadas nos armários. São detalhes caros!

É comum não vê-los na apresentação dos jogadores, porque isso é coisa que torcedor adora fazer. Então, o dirigente faz. Técnico na foto de apresentação dos ídolos, só com o papel de coadjuvante.

O torcedor paga qualquer preço pelo prazer de estar postado ao lado do ídolo, no campo de treino, nos vestiários, no ônibus, na academia, no departamento médico, na beira do campo na hora do jogo, no refeitório na hora do café da manhã, do almoço e do jantar. Então, lá estarão os seus colegas dirigentes, com caras e bocas, a mostrar o orgulho de viver o privilégio.

O resultado de tudo isso? Os espetáculos ruins que não pagam a conta, que, como os técnicos, são um mero detalhe. No final da estrada, alguém em Brasília resolverá o problema com uma Medida Provisória.

Por Jackson Vasconcelos

Fotos: Divulgação clubes

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