Por que Deus não administra clubes de futebol?

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“O futuro? A Deus pertence”. Não no caso dos clubes de futebol, que acreditam na sorte e no azar e valorizam o improviso. Como “Deus não joga dados”, ele não administra clubes, por isso, faz todo sentido a reportagem “Obras no Engenhão: festa para quem sai, preocupação para quem fica”, do Gustavo Rotstein, publicada no Globoesporte.com.  O Engenhão é uma farsa, do nome a todo o resto.

Alexandre, O Grande, ao passar em revista a tropa, encontrou um soldado desalinhado. “Seu nome?”, perguntou. “Alexandre!”, respondeu o moço. O General devolveu: “Filho, ou mudas de vida ou mudas de nome”. Dar o nome de Nilton Santos ao Engenhão é uma afronta ao craque. Melhor sorte teve o João Havelange que, em vida, se livrou do peso. Mas, quem sabe, a escolha do nome não tenha sido um “ato falho”? Um “lapso freudiano?”. Um modo de demonstrar que se o futebol é paixão, zoação também é.

O Engenhão está no “O Jogo dos Cartolas”, para sustentar a tese de administração improvisada, inconsequente. Reproduzo:

“De supetão, sem aviso prévio, sem qualquer chance de reação por parte dos clubes, a prefeitura do Rio interditou o estádio. Se poderia ou se deveria, não é a questão. O que me surpreendeu foi a reação dos presidentes dos três clubes do Rio sem estádio, mas com peso de torcida: Flamengo, Fluminense e Botafogo, este dependente quase em nível de vício, das receitas que lhe rendiam o Engenhão. Os três, convocados pelo prefeito, estiveram ao lado dele, no momento do aviso ao distinto público. Ninguém percebeu que havia uma relação de causa e efeito entre essa decisão e o desastre logo em seguida com as contas do Botafogo? Tentem tirar o ponto legal de comércio de um comerciante, mesmo pequeno. Ele, por nada no mundo, aceitará de bom grado e muito menos abraçará o espoliado. Eu não tive outro conceito para a atitude. Ela foi mesmo uma manifestação da síndrome de Estocolmo”.

Os estádios de futebol são a sede do negócio e palcos do espetáculo que sustenta de pé os clubes. Dos gramados brotam todas as receitas do esporte, desde o dinheiro da venda dos ingressos, dos direitos de transmissão, da valorização dos craques, dos royalties do material esportivo. Seja através do vídeo, das ondas de rádio ou ao vivo, o jogo é visto e ouvido a partir dos gramados. Não há possibilidade de jogar futebol nos estúdios da TV ou dos rádios, nem nas instalações da Adidas, da Nike, da Puma, da Caixa Econômica ou de qualquer patrocinador.

Por que, então, os dirigentes dos clubes de futebol no Rio de Janeiro não se importam com o que acontece com os estádios da cidade? Porque pra eles Deus joga dados, o futebol é obra da sorte e do azar, do astral do técnico no dia dos jogos. É “uma caixa de surpresas”.  

O Maracanã é ponto de negócios do concessionário e o futebol ali é um detalhe, um visível estorvo. E o Engenhão? A história completa é contada todos os dias. São Januário? Nem o Vasco sabe exatamente pra que serve. Nenhuma empresa no mundo todo trata desse modo a sede dos seus negócios. Por isso, se o futebol nacional não anda bem, o do Rio de Janeiro anda bem pior.

Por Jackson Vasconcelos

 

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