Pedro Trengrouse, otimismo ou ilusão de ótica?

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No dia 19 de fevereiro, na sessão Opinião do site da Folha de São Paulo, o professor Pedro Trengrouse assinou um artigo intitulado “Otimismo no futebol brasileiro”.

Em tela, a qualidade dos dirigentes das entidades de administração do futebol, que o autor entende tenham capacidade para promover as mudanças estruturais necessárias e “enfrentar os desafios do século 21”. Ilusão!

Ao contrário do que afirma o Pedro, na CBF, a eleição de um novo presidente não representa novidade. Eu seria cruel com o senhor Marco Polo Del Nero, se dissesse que ele será a exata repetição do que foi o Ricardo Teixeira ou do que é o José Maria Marin. Tem tudo para não ser, mas as diferenças não justificam otimismo. Marco Polo Del Nero aplicou na Federação Paulista de Futebol, as práticas equivocadas que se vê na CBF.

A recuperação financeira esplêndida seria o argumento para um desempenho melhor do novo presidente. Entretanto, a recuperação aconteceu há algum tempo e o que se fez com ela está demonstrado em números. No período entre 2009 e 2013, últimos cinco anos, a receita da CBF cresceu 92,89%. Saiu de R$ 226,3 milhões para R$ 436,5 milhões. O lucro líquido, no mesmo período, caiu 23,10%. Ou seja: as despesas da CBF crescem desmesuradamente. E em que direção? Na dos clubes de futebol, raiz do sistema, claramente, não foi.

O vexame causado pela Seleção Brasileira com o vergonhoso 7×1, que coroou o espetáculo completo de horror oferecido pela Copa em solo pátrio, é prova que também ali o dinheiro não foi bem aplicado. Pela impossibilidade cruel de usar a Seleção Brasileira como sustentação para sua tese, Pedro Trengrouse se socorre nos resultados das seleções de base. Mas, a preocupação com títulos no futebol de base conflita com a qualidade da formação. Provavelmente, aqui esteja a causa maior da redução no valor de mercado dos nossos jogadores, antes visados por mercados A da Europa, hoje todos sendo absorvidos em sua maioria por mercados B (Leste Europeu) e C (Asiático), o que demonstra a crise técnica do futebol brasileiro.

Depois da CBF, os Ministros. Ora, dizer que o senhor Aldo Rebelo sabe o que é Ciência e Tecnologia o suficiente para “produzir conhecimento e inovação para o desenvolvimento sustentável do futebol brasileiro” é um gesto absoluto de pura cordialidade ou de ironia, porque duvido que o Pedro acredite mesmo nisso. E, pior ainda é dizer que há alguma chance do senhor George Hilton, que está Ministro dos Esportes, se cercar de gente e instituições que superariam a incapacidade dele de gerenciar o esporte nacional. Ninguém superará, não no nível das exigências do esporte mundial. O senhor George Hilton é homenagem da Presidente da República à Igreja Universal e ponto final.

Por fim, a Lei Geral do Esporte promete pouco, porque está impulsionada pelo desejo dos clubes de futebol de gastarem o dinheiro do contribuinte com contratações e decisões que contrariam o bom senso.

Qual, então, seria a solução para o futebol brasileiro? Começar a reforma pelos clubes, para acabar de vez com o voluntarismo apaixonado, que torna irracionais decisões de elevado valor financeiro. Sob nova direção, os clubes saberão o que fazer com as estruturas carcomidas da CBF e das Federações. Em cadeia o sistema se conserta.

– “Pedro Trengrouse: Otimismo no futebol brasileiro” (Folha de São Paulo).

Por Jackson Vasconcelos

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