Seja diferente e melhor que o adversário

Imagine você num shopping com o desejo de comprar uma camisa, que você viu numa propaganda na TV. Você roda, roda, roda, e não encontra. Se precisa muito mesmo de uma camisa, você comprará outra, já que a que você queria você não encontrou. Mas, se você tem camisas suficientes e só gostaria de ter a que você foi comprar, você sairá do shopping sem comprar.

É assim uma campanha eleitoral. Muita gente olha os candidatos na TV, nas ruas, no material que recebe. Olha, mas não percebe, porque todos os candidatos são iguais, fazem propostas iguais, criticam uns aos outros do mesmo modo. Como você não está a procura de um candidato qualquer, você, simplesmente, não “compra”, não vota.

Eis a resposta para o percentual de abstenção, e de votos brancos e nulos, enorme nas capitais. Nenhum candidato fez diferença.  No Rio de Janeiro mais de 40%, em Belo Horizonte também e, em São Paulo, quase isso. E foi assim Brasil afora. Porque ninguém encontrou um candidato em quem pudesse votar. Por quê?

Primeiro que todos eles têm a mesma proposta. Como eles fazem a mesma pesquisa e a pesquisa manda falarem a mesma coisa pra todo mundo, todo mundo falou igual. Aí pensamos assim “Ah, já que todo mundo propõe a mesma coisa, tanto faz votar em um quanto no outro. Vou lá e voto. Mas chegamos à conclusão, quando você olha para trás, que nenhum desses caras cumpre aquilo que fala, porque eles não têm convicção. Daí eu fico na minha e voto em ninguém”.

A maneira de mudar isso, para tornar a democracia brasileira mais ativa, mais participante, é o político ser político todas as horas do dia, como um sapateiro, como um médico, como um dentista. Mas não conseguem ser. Passada a campanha, os políticos somem.

Daqui a pouco você vai ver um monte de facebook que ninguém mexe, um monte de twitter que ninguém atualiza, sites que ficam esquecidos. Você não verá mais o sujeito que você apertou a mão passando na sua rua. Passou a campanha, os candidatos, eleitos ou não, voltam para o planeta deles e só daqui a dois anos retornam. Por isso que é cada vez mais difícil escolher um candidato.

Se os políticos mudarem esse procedimento e passarem a ser políticos todo o tempo da vida deles, eu, na próxima eleição, e você, vamos ter muita facilidade de escolher um candidato e votar. Eu tive o meu candidato nessa eleição e votei nele, você pode ter tido ou não, a verdade é que quase 50% da população das capitais não encontrou ninguém em quem votar.  

Por Jackson Vasconcelos

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