Palmeiras, campeão da vez?

AlexandreMattos

Pelo menos, uma decisão estratégica o Palmeiras tomou para aumentar as chances de ser campeão no Brasileirão de 2015. Diante das dificuldades financeiras que enfrentam e do calendário ruim do futebol brasileiro, os clubes, no momento crucial da disputa pelo Campeonato Brasileiro, meio do ano, sofrem assédio de clubes compradores do mercado europeu, árabe e asiático.  O Palmeiras se preparou para, neste contexto, não perder competitividade.

A todo o momento no noticiário esportivo vemos críticas veladas ou diretas à organização do futebol brasileiro, ao seu modelo de disputa e também ao seu calendário de competições. Críticas comuns por parte de dirigentes de clubes, atletas, treinadores, jornalistas esportivos e torcedores, salvo raras exceções, todas no foco da complicada situação que o esporte se encontra atualmente.

O calendário daqui, iniciado em janeiro e encerrado em dezembro do mesmo ano, diferente do cultuado calendário europeu que se inicia em agosto e se encerra em maio do ano seguinte, é um dos principais focos dessas críticas, e se manifesta bastante nos períodos de abertura das janelas de transferência de jogadores para o exterior do meio do ano, onde os clubes compradores iniciam sua temporada, e os nossos, vendedores, estão em importantes disputas.

Isso fica bem nítido observando alguns clubes que se destacam no Campeonato Brasileiro deste ano, como Corinthians, São Paulo, Atlético-MG e Fluminense, que vêm sofrendo esse assédio de clubes estrangeiros sobre seus melhores jogadores e, diante de suas crises financeiras, acabam sucumbindo às ofertas, perdendo também posições na tabela do campeonato.

Amparado principalmente por investimentos pessoais de patrocinadores e do próprio presidente (mediante suaves juros), associado à gerência do departamento de futebol, que agiu agressivamente no mercado e montou um grupo enorme de jogadores em seu plantel, de certa forma homogêneos tecnicamente, o Palmeiras fez diferente. Assim, o clube paulista promete enfrentar essa onda de assédio com maior tranquilidade do que seus adversários diretos, já garantindo uma nítida evolução na tabela rumo às primeiras colocações.

Esta pequena amostra de conjuntura demonstra o quanto o poderio financeiro é ainda fundamental para uma boa performance no futebol brasileiro atual, que não premia financeiramente boas e enxutas gestões como a do Sport Recife e da Ponte Preta (não à toa os únicos representantes do Nordeste e do interior paulista, respectivamente), para que estas possam evoluir ainda mais. O caminho das vendas de seus melhores profissionais para se capitalizarem em busca do equilíbrio esportivo para enfrentar seus rivais mais endinheirados no âmbito esportivo se torna o único possível.

A mensagem passada hoje pelo futebol brasileiro é que não importa aos clubes qualificarem gestão, medir despesas, planejar elenco e performance num ambiente comercial que privilegia financeiramente marcas tradicionais sem nenhuma conexão com sua competência gerencial e esportiva. O mandato de gestão de um presidente, e sua qualificação dentro do modelo gerencial de um clube (como amador, e não profissional), impede que a evolução dos valores difundidos como ideais para o futebol brasileiro realmente emplaquem como modelo a serem seguidos dentro do âmbito esportivo – um debate que infelizmente é escamoteado pelas necessidades dos clubes e seus fluxos de caixa ansiosos e amadores, refletidos em reações em forma de tijolos legislativos inférteis, com artigos desarticulados.

Por Carlos Eduardo Moura

Foto: Daniel Vorley/Agif/Gazeta Press

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