Os ídolos são eternos


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Após a convocação da Seleção Brasileira para os amistosos contra a França, dia 26/03, em Paris, e Chile, dia 29/03, em Londres, Dunga anuncia que Jairzinho irá acompanhar e aconselhar os jogadores nos dois amistosos. A convocação pontual do “Furacão da Copa de 70” não resolverá o problema. Nem de Dunga, nem dos jogadores. O trabalho de consultoria de um dos maiores protagonistas do futebol brasileiro precisa ser a longo prazo, estruturado e sem medidas paliativas. Não se cura um problema crônico de falta de auto estima com duas palestras em amistosos.

Vivendo uma das piores fases da história, o futebol brasileiro, por outro lado, além de Jairzinho, possui uma referência inigualável de ídolos reconhecidos e eles precisam estar constantemente a serviço da Seleção, dos clubes, arenas e torcedores. De Leônidas da Silva a Ronaldo. Das primeiras Copas do Mundo até o penta em 2002. Os nossos craques sempre foram protagonistas no Brasil e no exterior. E agora? Qual o papel deles em meio a crise?

Algumas iniciativas tentam reaproximar esses ídolos das torcidas, resgatando novamente a história e até trazendo retorno financeiro. No Fluminense, por exemplo, a estratégia do crowdfunding para financiar livros que contam a história do clube e seus ídolos tem apresentado resultados positivos. No último, o clube arrecadou além da expectativa e homenageou os ídolos Washington e Assis, falecidos no primeiro semestre de 2014, com o livro Washington & Assis – Recordar é Viver. No Flamengo, a ideia de cantar um “Parabéns pra você” no Maracanã para os aniversariantes do mês agradou a torcida. A cada mês, o clube escolhe um jogo com mando do Flamengo no Maracanã, reúne seus ídolos aniversariantes e antes da partida os apresenta no centro do gramado. As ideias e implementações são boas, mas ainda é muito pouco. Nos clubes falta planejar a experiência compartilhada entre marketing, departamento histórico, ídolos do passado e seus torcedores. Pensar nos ídolos apenas como peça pontual de ativação é limitar e diminuir a experiência dos torcedores.

O resgate da imagem dos nossos ídolos, suas história e tradição precisa acontecer. E agora.

Por Michel Cardoso

Foto: AFP

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