Olimpíadas. Falta apoio e sobra pouco caso

Uma pauta abordada pela ESPN nesta quinta-feira, 12, chamou a atenção. Não que o tema seja novidade, mas ele demonstrou que o caminho trilhado pelo esporte olímpico brasileiro parece piorar a cada ano que passa. Falta pouco mais de um ano para os Jogos do Rio e ainda me pergunto qual será o legado.

A matéria em questão fala do fim da equipe feminina de basquete de base do Botafogo, um time sub-15 campeão estadual em 2014. O clube, atolado em problemas financeiros que são amplamente divulgados pela imprensa, tinha um gasto aproximado de R$5 mil mensais com a modalidade em atividade. Cá entre nós, valor irrisório dentro da folha de um clube de porte como o Alvinegro. Porém, entendo (mas não necessariamente concordo) o corte necessário e urgente na coluna de despesas do clube. A prioridade é e deve ser o futebol, mas a falta planejamento da área estrangula todo o funcionamento da instituição e o interesse por soluções viáveis nas demais unidades de “negócio” do clube é inexistente. O Botafogo não é o único.

Contudo, o problema não se restringe aos clubes, ele é muito maior. Passa pelo governo, confederações, federações e também pela imprensa. Pela imprensa sim, porque pude acompanhar de perto, em dez anos como atleta de natação e mais sete anos como jornalista e assessora de esportes olímpicos, o descaso com as modalidades “não futebol”, seja nas categorias de base ou no profissional.

Não foram poucas as tentativas de emplacar pautas que enxergava como incentivadoras do esporte, na maioria das vezes sem sucesso. Isso estava dentro do meu objetivo sempre. Nas ocasiões menos constantes, em pautas vendidas ou por interesse dos veículos, tínhamos boas matérias. Mas, principalmente se tratando de gravações de TV, as marcas dos patrocinadores, independente da empresa, eram (e são) amplamente repudiadas, o terror dos cinegrafistas, que precisavam eliminá-las devido a ordens superiores.

Às vezes chegava a ser curioso. O assunto da gravação, bem comum nos esportes olímpicos, era a falta de investimento. Na entrevista, o atleta expondo a sua opinião, suplicando por apoio, e a câmera fechada em seu rosto para não “vazar” um boné, ou manga da blusa, ou qualquer outra coisa que tenha a marca do patrocinador. A situação segue assim, todos perdem, vai entender.

Pois bem, voltando à matéria excelente da ESPN, que trata muito mais da questão do apoio do esporte por parte do governo e seus investimentos, principalmente porque em 2016 o Rio de Janeiro receberá os Jogos Olímpicos, o fim da história é positivo e com a cara do Brasil. As ex-atletas do time de basquete do Botafogo agora representam a Associação Atlética Vila Isabel. O clube da zona norte abriu as portas e os comerciantes locais ajudarão com as despesas em uniformes e instalações. O retorno fica por conta da amizade, do amor, jeito que parece ser o melhor para resolver as coisas por aqui.

– O Pesadelo botafoguense vai virar um milagre na Vila Isabel, onde o povo toma conta do seu esporte (ESPN).

Por Livia Andrade

Foto: Divulgação Botafogo Oficial

Deixe um comentário