O “rebaixamento” do Carioca

Rubens.LopesA presença do Flamengo e do Fluminense na recém-criada Liga Sul-Minas-Rio é ato de retaliação dos dois clubes à maneira como o Presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro (Ferj) organiza o Campeonato Estadual e se relaciona com os clubes, que participam dele.

Sobre o tema, Rica Perrone escreveu “O melancólico fim do Campeonato Carioca”, um grito de revolta com mais uma atitude da Ferj para inviabilizar o Carioca, que já não anda bem das pernas faz tempo. Rica lembra, entre os bons argumentos de defesa do campeonato que, se Deus limitou a inteligência, não fez o mesmo com a burrice. Por isso, o Presidente da Ferj age como age na gestão do Carioca.

De certo modo, estou com o Rica. Por mais indecente que seja a postura do presidente da Ferj, tê-la como argumento para destruir o campeonato será tentar, mais uma vez, resolver um problema pelas consequências e não pela causa. Na ponta estão os presidentes de Flamengo e Fluminense.

Os atritos entre os presidentes do Flamengo e do Fluminense com o Presidente da Ferj vem de muito tempo. Em março, quando aconteciam as últimas rodadas da Taça Guanabara, aqui neste mesmo espaço comentei o problema e lembrei do esforço que fizemos, Cristiano Koeler, pelo Vasco, Fred Luz, pelo Flamengo e eu pelo Fluminense, com boas chances de alcançar o Botafogo, para organizar um movimento que derrotaria a intenção do senhor Rubens Lopes da Costa Filho de ser reeleito presidente da Ferj. Vale recuperar o texto AQUI, porque nele está a principal causa de não termos alcançado sucesso.

O movimento que fizemos nasceu inspirado nas atitudes que Peter Siemsen, Presidente do Fluminense, Roberto Dinamite, Presidente do Vasco e Bandeira de Mello, Presidente há pouco tempo do Flamengo. Eles reagiram à má qualidade de administração dos seus clubes, disputando eleições. Seriam tachados de loucos e execrados se, mesmo de relance, quisessem resolver o problema pela extinção dos clubes e criação de novos.

Mas, é o que querem os Presidentes do Flamengo e do Fluminense com relação à Ferj e ao Campeonato Carioca. O Vasco saiu da história, porque elegeu Eurico Miranda, senhor da consciência e dos atos do Presidente da Federação.

A Liga Sul-Minas-Rio poderá ser um sucesso sem interferir nos Campeonatos Estaduais e a briga dos presidentes do Flamengo e do Fluminense deveria ser resolvida no campo interno e político da Federação. Os dois clubes têm tamanho e história para mudar a situação num trabalho de convencimento dos demais participantes do campeonato.

Garanto que atuando diretamente com os clubes que participam, Flamengo e Fluminense conseguirão algum sucesso e, se não conseguirem, devem seguir denunciando e se preparando para a ocasião do vencimento do mandato do senhor Rubens Lopes.

A nova competição, fruto da ira, pode resultar no “rebaixamento” do Campeonato Carioca, um dos torneios mais tradicionais do Brasil. O abandono deixaria um vácuo na história, nos torcedores e empurraria o futebol do Rio para um nível maior de desvalorização.

Por fim, quem garante aos presidentes do Flamengo e do Fluminense, que a nova Liga, com o tempo, não seguirá o rumo que tomou a Ferj? Não é injusto acreditar na possibilidade, porque a Liga carrega o DNA dos clubes de futebol e a gestão da grande maioria não difere muito do modelo Rubens Lopes que, sinceramente, tem uma imagem bem próxima da imagem do senhor Alexandre Kalil, senhor da nova Liga.

Por Jackson Vasconcelos

Deixe um comentário