O Fluminense de Saint-Exupéry

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Neste momento o Fluminense sente a dor de uma norma que disciplina as relações humanas: a arrogância cobra um preço alto e com juros dos seus discípulos quando eles atuam na política e com juros dobrados, se no futebol.

No Brasil aconteceram duas copas do mundo, 1950 e 2014. O nariz empinado jogou em todas as posições e o resultado foi a vergonha dos torcedores e de uma nação inteira. Em 2014, o jogador que fez a si mesmo, por antecipação, artilheiro da seleção que seria campeã do mundo, sentiu para que caminhos leva a prepotência.

A arrogância fez da senhora Dilma Rousseff o quadro pior da política nacional e não perdoou, no passado, o senhor Fernando Collor e menos ainda, Jânio Quadros. Mas, a humildade fez do doutor JK e do Lula, nos seus tempos de “simpatia, quase amor”, os presidentes com mais popularidade e sucesso de realizações.

O Fluminense? Em 2009, a arrogância levou o time para a zona de rebaixamento. A humildade evitou que ele por lá ficasse. Em 2010 e 2012, a modéstia foi a principal lição que veio com 2009. Ela, de braços dados com a boa técnica, deu ao time dois títulos de Campeão Brasileiro. Em 2013, a prepotência empurrou o time, de novo, para a zona de rebaixamento, de onde saiu, porque outros foram mais prepotentes que ele. “São momentos que eu não esqueci”.

Por isso, um milhão e meio de vezes, avisei a um bom amigo que ficou no passado: “vá devagar com o andor. Você fez um bom papel em 2009 e foi capaz de repetí-lo em 2014. Sua missão está cumprida! Devolva o futebol ao presidente do clube e deixe que ele siga, com a certeza de que, se precisar de você de novo, poderá contar. A ansiedade, amigo, não é boa companheira nem ótima conselheira para quem queira liderar e chegar ao topo, à presidência…”.

O bom amigo se fez hostil e seguiu com a vida. Mas, eu passei a vê-lo de longe. Uma vez, no sambódromo a desfilar durante o carnaval e a comentar o sucesso pessoal no futebol. Outras vezes, com o mesmo didático discurso, nos mais prestigiados canais de TV, rádio, blogs, jornais esportivos. De todo lugar vinham notícias dele. Uma ocasião, do asteróide 325, onde ele esteve, me disseram, para entrevistar o rei de lá e aprender as artes da boa governança. Eis a entrevista:

-Majestade…sobre quem é que reinais?
-Sobre tudo – respondeu o rei, com uma grande simplicidade.
– Sobre tudo?

O rei, com gesto simples, indicou o seu planeta, os outros planetas, e também as estrelas.

– Sobre tudo isso?
– 
Sobre tudo isso, sim, respondeu o rei.

Pois ele não era apenas um monarca absoluto, era também um monarca universal.

– E as estrelas vos obedecem?
– Sem dúvida – disse o rei – Obedecem prontamente. Eu não tolero indisciplina.

Tanto poder maravilhou o pequeno príncipe. Se ele fosse detentor desse poder, teria podido assistir, não a 43, mas a 72, ou mesmo a 100, ou mesmo a 200 pores-do-sol. Ousou solicitar ao rei uma graça:

– Eu desejava ver um pôr-do-sol…Fazei-me esse favor. Ordenai ao sol que se ponha…
– Se eu ordenasse a meu general voar de uma flor a outra como borboleta, ou escrever uma tragédia, ou transformar-se numa gaivota, e o general não executasse a ordem recebida, quem, ele ou eu, estaria errado?
– Vós – respondeu com firmeza o principezinho.
– Exato. É preciso exigir de cada um o que cada um pode dar – replicou o rei. A autoridade se baseia na razão. Se ordenares a teu povo que ele se lance ao mar, todos se rebelarão. Eu tenho o direito de exigir obediência porque minhas ordens são razoáveis.

(Trecho do Pequeno Príncipe, obra de Antoine de Saint-Exupéry).

Por Jackson Vasconcelos

2 Comentários

  1. Lee

    / Responder

    ahhaha! Muito bom! infelizmente é muita gente incompetente lá no Flu. eles erram toda hora, ficam com medo depois de consertar porque teriam que admitir os equívocos..e o painho é sempre o mesmo. Pra mim já era!


    • Jackson Vasconcelos Post do autor

      / Responder

      A incompetência não é exclusividade do Fluminense, embora nos faça sofrer mais. Ela atinge todos os clubes de futebol no Rio de Janeiro, porque os seus presidentes têm poder demais e incapacidade para gerenciar. Eu ainda alimento a esperança de ver um quadro diferente, por isso, tenho escrito. Obrigado por sua audiência.


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