No clube, a origem de todo o mal

“Meu caro Ronaldo, como sou brasileiro, não desisto nunca”. Essa foi a minha resposta à pergunta que me fez o Ronaldo Gomlevsky, sobre a chance de ser melhor o futebol brasileiro, depois da CPI da CBF e da aprovação da Medida Provisória, que autoriza o parcelamento das dívidas que os clubes de futebol têm com o governo.  Dois assuntos, exaustivamente, comentados por mim aqui neste espaço.

Eu participava da mesa de debates do programa que o Ronaldo comanda na Rádio Manchete, o Confronto Manchete, às segundas-feiras de meio-dia às 13 horas. Estavam presentes, o Presidente do América, Léo Barros Almada e o Carlos Roberto, técnico e ex-jogador do Botafogo que atuava como volante.

“Não se pode esquecer, Ronaldo”, continuei, “que o futebol brasileiro, sempre piorando, passou por duas CPIs e por outras oportunidades de parcelamento das dívidas dos clubes. No conjunto de tudo isso, esteve presente a eterna esperança de uma melhora que a Copa do Mundo e, mais recentemente, a Copa América, mostrou que não aconteceu. Pelo contrário, a situação é pior a cada chance de melhorar. A MP do futebol, MP 671, eu apelido de MP 171, porque, na verdade, é um golpe no contribuinte, que cumpre em dia e com regularidade as obrigações fiscais”.

Insisto com a tese da necessidade de mudança do modelo de gestão corporativa dos clubes de futebol como porta de saída da crise, porque é impossível imaginar que um negócio de tamanha complexidade como é o atual mercado do futebol, possa ser tocado nas horas vagas ou sem comprometimento integral. E, pior ainda, num ambiente altamente politizado. Os Conselhos Deliberativos dos clubes maiores abriga centenas de conselheiros que, com a obrigação de aprovar os orçamentos e as contas dos clubes, na verdade, utilizam-se dos cargos para, como torcedores, obterem privilégios que os demais não têm. Ingressos, camarotes, acessos às áreas reservadas aos jogadores, etc.

Não se deve afastar outra questão central. Os clubes sustentam a estrutura de poder na FIFA e na CBF, dois organismos que andam envolvidos com problemas sérios, representados ontem no mundo inteiro, por uma foto e por um fato.

Uma foto mostra o presidente da FIFA tenso sob uma chuva de dólares falsos lançados sobre ele por um comediante. A mensagem? Claríssima. Dispensa maiores considerações. O fato? A ausência do presidente da CBF em Zurique, durante o acontecimento. Ele desculpou-se com o argumento de andar ocupado no Brasil com a CPI e com a Medida Provisória. Esqueceu-se que o Congresso Nacional, por onde trafegam os assuntos, está em período de férias.  Não sei não. Acredito que o senhor Del Nero ande com medo de ficar pelo mundo, quando a Justiça americana ainda não encerrou os trabalhos de investigação e julgamento dos casos de fraudes nascidos na FIFA e que respondem pela prisão do seu antecessor, na CBF, José Maria Marin.

Mas, como sou brasileiro, não desisto nunca! Acredito que, em algum momento, o Brasil terá coragem de rever o modelo que sacrifica os clubes de futebol, origem de todo o mal.

Por Jackson Vasconcelos

 

Deixe um comentário