Não insista! Na dúvida, o eleitor não ultrapassa

discurso-politicoMaterializado na oratória, nos artigos a publicar, numa mensagem postada no facebook, em site ou outras mídias, o fato mais importante a considerar na elaboração do discurso político nasceu em David Hume, filósofo britânico. Ele observou o óbvio: a maioria das pessoas busca através das decisões delas (e votar é uma decisão) o interesse próprio, não um interesse público (de todos). Assim entendeu também, no campo econômico, Adam Smith. É o que se tem da leitura da obra “Natureza e Causas da Riqueza das Nações”.

Quando vota para escolher quem o representará em qualquer das funções públicas, o eleitor não age diferente do que faz quando escolhe uma vaga no estacionamento, um lugar no ônibus ou o filme que irá assistir. Ele preferirá atender a conveniência própria sem estar preocupado com a situação, que a escolha dele provocará nos outros.  Por isso, é zero a atenção do povo pelo que dizem os políticos que, para parecerem o que não são, falam sobre assuntos que acreditam do interesse público. Bom exemplo é a corrupção como tema.

Enquanto não soar como algo concreto, que interfere nas escolhas pessoais, a corrupção não será elemento determinante para o voto e erram, redondamente, os que acreditam que o povo vota nos que roubam, porque tem certeza de que todos roubam. Fosse assim, bastaria votar em ninguém.

No centro disso, existe outra questão a considerar na elaboração do discurso político: as pessoas só decidem mudar a situação da vida delas diante de duas circunstâncias: a insatisfação com a situação em que se encontram e a certeza de que a mudança será para melhor (Ludwig Von Misses). E, na dúvida não ultrapassam.

Assim sendo, não basta ao discurso político mostrar ao eleitor que a situação em que ele se encontra é ruim, fato que dificilmente ele desconhecerá até ser alertado. O discurso precisa oferecer uma mudança segura na direção de uma condição melhor. É assim, do emprego à troca de endereço. Temos, então, que a maioria das pessoas – não todas, porque existem os que têm a vida por sacerdócio – busca o interesse próprio com as decisões que toma, que é melhorar a qualidade da vida pessoal.

Portanto, é papel do discurso dos que governam demonstrar que com eles no governo a vida da maioria das pessoas é boa e, se não for, qualquer mudança de rumo será, seguramente, para pior. E, com uma vantagem comparativa sobre a oposição: na dúvida o eleitor não ultrapassa. Ficaremos exatamente onde estamos.

Já o objetivo do discurso da oposição é de propor mudanças e garantir que elas serão para melhor. Nenhuma na linha do interesse público, mas todas na direção de tornar melhor a vida da maioria das pessoas.

Nixon mentiu à sociedade americana e se viu obrigado a renunciar. Clinton também mentiu e a sociedade perdoou. Os formuladores pirotécnicos encontram causas extremas para a decisão diferente, mas ela pode ser explicada com base na busca dos interesses próprios do povo. A economia, fada madrinha das realizações pessoais, sob Nixon estava aos farrapos sem qualquer garantia de não ser pior.  Sob Bill Clinton, ela vivia momentos excepcionais. Sem Bill, ela poderia piorar.

No Brasil, o PSDB perde repetidas eleições nacionais e perderá outras, porque produz discursos que enaltecem os interesses públicos e dizem aquilo que todo o povo já sabe: os governos que temos são ruins. Mas, nenhuma sinalização o discurso de garantia de tempos melhores sob um governo tucano. Estamos sob péssimos governos e ninguém duvida disso, mas na dúvida, os eleitores, novamente, não ultrapassarão. Não há no horizonte discursos que garantam mudanças seguras.

Por Jackson Vasconcelos

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