“Na Loucura do Abel”

Depois de receber muita pancada de uma turma de torcedores, que no Fluminense só faz política e de péssima qualidade, resolvi esquecer o tema com a certeza de que assim eu daria conforto aos aloprados e mais sossego a mim mesmo. Os “donos” da verdade e do clube sequer me deixaram a chance de torcer sem silêncio.

Mas, o resultado do jogo de ontem, que deu ao Fluminense a Taça Guanabara, coçou os meus dedos. Eu não poderia deixar de expor neste espaço que é meu, a grata satisfação de dizer: eu estava certo.

Logo que deixei a função de principal executivo do Fluminense Football Club, escrevi e publiquei em livro parte da minha experiência. No “O Jogo dos Cartolas – Futebol e Gestão” registrei a minha resistência à demissão do Abel Braga em 2013. A demissão foi o exemplo mais significativo que presenciei do desequilíbrio e da irracionalidade que há no mundo da gestão do futebol, que pode ser coisa só de brasileiro. Pode também não ser. No livro está anotado:

“O Fluminense vinha de um ano altamente vitorioso: 2012 tinha visto o tricolor no topo dos pódios estadual e brasileiro. O time estava valorizadíssimo e o tetra fora celebrado pela torcida como se fosse uma conquista de Copa do Mundo. Mesmo impaciente por natureza, a torcida estava saciada. No ano seguinte, 2013, bastaria ao time levar o campeonato com bom nível de dignidade, enquanto arrumava a casa. O que deveria ser mais fácil, já que conseguimos a proeza de erguer a taça sem aumentar as dívidas, situação oposta à do Campeonato Brasileiro de 2010…”.

Mas, mesmo tendo Abel Braga levado o time a conquistar o Campeonato Brasileiro no final do ano de 2012, a diretoria do Fluminense e o patrocinador resolveram, logo nos primeiros meses de 2013, a demitir o Abel. O resultado da decisão, a história desastrosa do time no restante de 2013, 2014, 2015 e 2016, conta.

No livro, mostro a minha resistência à decisão, numa conversa por telefone – a única – com o patrocinador. Uma conversa que aconteceu depois de uma longa discussão minha com o Presidente do Clube.

Ontem, no fim do jogo, diante do vídeo, que mostrava Lucas, meu neto, que com 2 anos, beirando os três, comemorando muito a conquista da Taça Guanabara e cada gol que levou ao resultado, pensei: quanta vergonha passamos desde a saída do Abel sem necessidade!

Enfim, o futebol é assim.

Encerro com a declaração do Abel ao jornal O Globo,  na matéria assinada pela Carolina de Oliveira Castro: “Na Loucura do Abel”.

“Foi fabuloso, um jogo surreal. Placar de 3 a 3, as duas equipes atacando. Sem Scarpa, decidi que iríamos jogar com Richarlison, Wellington e Dourado. Falaram que eu era louco dentro do clube. Mas, optei pelos três atacantes. Tinha de colocar medo no adversário, não posso demonstrar que tenho (medo). Porém, no fundo, tinha. Falei que era a única maneira de ganhar do Flamengo”.

Valeu Abel! Eu estava certo! Loucos foram os que, em 2013, demitiram você, pouco tempo depois de você nos dar o Campeonato Brasileiro.

Abel.Livro

Por Jackson Vasconcelos

 

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