MERKELMANIA

Stefan Kornelius, autor de “Angela Merkel, a chanceler e seu mundo”, criou o termo “MERKELMANIA”. A obra é fácil e agradável de ler e está em bom momento.

Angela Merkel está reeleita Chanceler da Alemanha. Agora para o quarto mandato consecutivo, que terminará em 2021.

O resultado não surpreendeu os alemães nem o resto do mundo, não só pelas pesquisas, mas por uma série de motivos que o mundo percebia:

  1. Os alemães estão de bem com a vida. Ludwig Von Mises, no livro Ação Humana, oferece uma lição para os estrategistas: o ser humano se movimenta, muda de posição na vida, quando percebe que a situação em que se encontra é ruim e que o seu movimento será na direção de uma situação melhor. Convencido de que a situação em que está é boa, o ser humano nela permanecerá.
  2. Merkel se manteve firme na defesa os princípios que abraça. O livro “Jogos do Poder”, de Dick Morris, apresenta outros tantos exemplos de firmeza de princípios que marcaram o sucesso de carreiras na política: Reagan, Churchill, De Gaulle, Lincoln. Merkel não cedeu, nem diante do peso da decisão da Inglaterra de deixar a União Européia.
  3. Angela Merkel buscou no discurso dos adversários os temas que poderia assumir e, sem preconceito, sem frescuras, assumiu. Do SPD, de seu principal adversário, Merkel assumiu a defesa do salário mínimo e do Bündnis 90 Die Grünen, partido verde, ficou com a questão da energia nuclear.

A campanha na Alemanha, além das lições de estratégia, ressalta algumas curiosidades que servem bem ao Brasil neste momento de debate do modelo político.

  • Por lá, o voto não é obrigatório, mas abundante. Cada eleitor tem direito a dois votos, um num candidato e outro num partido. Desse modo, os eleitores alemães elegem, com o primeiro voto, metade do parlamento, do Bundestag e, com o segundo, a outra metade. O voto no partido é o voto em lista. O partido lista os candidatos por ordem de sua preferência para o voto – o nome do chanceler desejado vai na cabeça da lista.
  • Não há título de eleitor. No tempo das eleições, o eleitor recebe em casa uma carta e o formulário do voto e pode votar por carta, quando preenche o formulário e devolve pelo correio. O formulário tem duas colunas, uma escolha do candidato e outra para selecionar o partido.
  • O voto é distrital.
  • O “Dória” de lá perdeu eleição. Christian Lindner, empresário, jovem, com forte presença nas mídias sociais.
  • O PSOL de lá, o Alternative Für Deutschland, cresceu a ponto de assustar.
  • A sábia Angela Merkel reconhece que o crescimento ao Alternative aconteceu pela participação de seus antigos aliados, inconformados com a posição dela em razão dos refugiados. Então, já acenou com o desejo de tê-los de volta no seu partido, CDU.

Estão colocadas as lições vindas da Alemanha. O Brasil poderia prestar atenção e aprender nem que seja um pouquinho. Isso já ajudaria.

Por Jackson Vasconcelos

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