Maracanã? Tem jeito sim

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Tom Cardoso, na edição do Valor Econômico do dia 13 de janeiro de 2012, publicou “O nome dele é Maracanã”, para falar de um livro sobre Mário Filho: “Nelson era passional. Mário racional. Se o primeiro era o gênio da família Rodrigues, Mário era um homem de perfil empreendedor, visionário”.

O Maracanã honraria a sua história se, depois da grande reforma para a Copa sofrível de 2014, ainda somasse Nelson Rodrigues e Mário Filho: a passionalidade do torcedor e a genialidade dos atores do espetáculo com a racionalidade e espírito empreendedor de quem precisa do estádio para tirar proveito de um negócio que movimenta no mundo, nos cálculos mais baratos, centenas de bilhões de dólares.

Todas as notícias recentes sobre o Maracanã mostram que os seus administradores têm dificuldade para encontrar receitas no futebol-negócio que façam frente, pelo menos, às despesas do futebol espetáculo ou confirmem o que disse o Secretário da Casa Civil do Governo do Estado ao jornalista Guilherme Seródio, declaração publicada no dia 22 de outubro de 2012: “a empresa ou consórcio que explorar a concessão terá uma taxa de retorno estimada em 9,8% a.a.”.

O Secretário, é certo, na ocasião, não previa a decisão do seu chefe de impedir a demolição do Parque Aquático Júlio de Lamare e do Estádio Célio de Barros, que evitou os dois edifícios garagem e um complexo de lojas imaginados na privatização.

Mas, mesmo sendo parte de um projeto mutilado, o Maracanã poderá escapar do desastre final, representado pelo retorno dele aos políticos locais, com peso insuportável sob os ombros dos contribuintes ou pelo abandono do futebol como seu principal negócio.

Os pulmões, o coração e a alma do Maracanã estão no futebol. A vida sadia do estádio só será possível com o futebol e só terá sentido se os seus movimentos forem para ele. E, quando o assunto é futebol e renda, o ponto de intercessão é o torcedor, que faz da paixão pelo seu time motivo de compra.

No todo, entretanto, quando olhamos a relação dos clubes de futebol (DNA do negócio) com os estádios e dos dois, com os patrocinadores dos times e dos três com os torcedores, não temos dúvida: a situação, no Brasil todo e no Rio de Janeiro, de modo especial, caminha de mal a pior. E, como o Maracanã é grande e tem peso, nesse contexto, os seus problemas financeiros são, em dúvida, enormes.

No Fluminense, nós estivemos atentos ao andar da carruagem da privatização do Maracanã desde a sua arrancada e depois, por dever de ofício, fomos envolvidos na discussão do contrato que hoje há entre o clube e o concessionário.

Durante todo o tempo das discussões, firmamos as vistas no potencial de receita para o clube e para o estádio de um projeto que fizesse interagir as cinco forças: Maracanã, a marca FlaxFlu, patrocinadores e torcedores.

O Fluminense e o Flamengo, naquela época, eram empurrados para o Maracanã num jogo de soma zero, que se dá quando o ganho de um impõe uma perda ao outro. Era preciso um acordo em nome do interesse de todos, mas o futebol vive das rivalidades férteis, mas também das estéreis. Sem um acordo, pelo Fluminense, fizemos o que foi possível fazer. O nosso projeto buscava o equilíbrio perfeito entre o Flamengo, o Fluminense e o concessionário, em benefício do torcedor, portanto, do negócio.

O Maracanã é um ambiente inigualável para operação do marketing esportivo no futebol, pelo porte, pela história e visibilidade internacional que possui. Olhá-lo, exclusivamente, como um local em que os times jogam e seguem adiante, é empurrá-lo para a posição em que se encontra, de um estádio que precise funcionar pela metade, para dar prejuízos só pelas pontas. O projeto que construímos, entendia o Maracanã como um templo onde o torcedor teria a oportunidade de, com todas as pompas, manhas e paixões, cultuar o seu time, antes, durante e após os jogos.

Por Jackson Vasconcelos e Carlos Eduardo Moura

Foto: Bruno Haddad / Divulgação FFC

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