Maracanã. Quem ficará com ele?

Sergio.Maraca

A concessão do Maracanã está por uma Olimpíada e ninguém mais nos bastidores do futebol carioca e do Governo do Estado do Rio duvida disso. A incerteza é saber quem receberá as chaves.

Diante do fato consumado, o governo do estado disfarça, como acontece sempre com os agentes políticos nos casos de fracasso dos projetos com os quais se envolvem. É o sentido da entrevista Secretário da Casa Civil, Leonardo Espíndola.

E, para evitar o insucesso da concessão, de nada adiantou o crachá de competência da Concessionária Maracanã, empresa formada por duas outras que, no site do estádio se apresentam com “larga experiência internacional na gestão e operação de estádios de futebol, arenas de entretenimento e eventos”.

A minha sugestão é que entreguem o monumento ao Secretário de Estado de Esporte, Lazer e Juventude, Marco Antônio Cabral, como uma dádiva do legado deixado pelo pai, Sérgio Cabral Filho.

Com medo da multidão revoltada, que ocupava com justo motivo as calçadas em volta da sua residência principal, Sérgio Cabral Filho desequilibrou o projeto financeiro de exploração do estádio. Culpou o Papa e o exame de consciência:

“Eu sou cristão. E me tocou muito a vinda do papa, como governador e como ser humano. A figura do papa me tocou. Certamente eu estava precisando muito de uma dose de humildade. E eu jamais terei vergonha de fazer autocríticas e reconhecer erros. No episódio do Júlio Delamare eu errei em não ouvir, por isso estou voltando atrás”.

Para não fugir à prática do toma-lá-dá-cá, que preside as relações políticas no Brasil, Sérgio Cabral Filho cedeu, mas pediu algo em troca:

“Eu queria fazer um apelo aos manifestantes. Na porta da minha casa, eu tenho crianças pequenas. É o meu filho de 6 anos, é o meu filho de 11 anos. É um apelo de pai. Eu não sou um ditador. Estou aberto ao diálogo, às manifestações. Mas na porta de minha casa, não. Peço de coração, como pai”.

Ele recebeu o desprezo como resposta. Mas, de qualquer modo, o tranco que deu no projeto básico inviabilizou o aproveitamento econômico da concessão, no formato em que ela foi elaborada, a despeito de toda a ginástica e pirotecnia da Concessionária bem contadas na entrevista do Diretor de Marketing da empresa, publicada em março, o Maracanã tornou-se inviável como negócio.

O insucesso da concessão, coisa ruim para quem conheceu e viveu os tempos do império da Suderj é, portanto, resultado do poder demolidor da política, quando ela entra em campo nas relações comerciais do futebol, seja no Maracanã, nos clubes, nas federações e todo o resto.

Mas, mesmo diante dos problemas criados pelo ex-governador, a Concessionária Maracanã poderia ter feito mais pelo empreendimento. Ela peca e pecou pela miopia, que evita que ela perceba o Maracanã como um centro de eventos esportivos com potencial para ativar as marcas, que tenham relações com o esporte, com o futebol e clubes.

O desespero para pagar as contas, que não são pequenas, faz com que a Concessionária tenha o Maracanã, exclusivamente, como estádio de futebol e pátio para casamentos coletivos e eventos sem importância, que não fazem justiça ao tamanho, à importância internacional e à história do Maracanã.

Pra encerrar, uma boa ilustração do resultado de tudo isso é a situação em que se encontra o Célio de Barros, objeto da decisão do ex-governador Sérgio Cabral Filho, num curto momento de exame da consciência. O estádio não foi entregue ao concessionário para ser estacionamento, mas virou um escombro abandonado.

Por Jackson Vasconcelos

Foto: Felipe Dana/AP

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