Juiz ladrão! Porrada é a solução?

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Se na política os juízes andam a fazer sucesso porque mandam prender os ladrões, no futebol os seus colegas árbitros passam por um perrengue danado, acusados de andarem por aí a ver pênaltis onde não houve e faltas que nunca existiram, com a intenção de favorecer um time em detrimento de outro. Coisa antiga, mas que todo ano, no corpo dos campeonatos, ganha embalagem nova.

1808.OGlobo.ArbitragemNo encerramento do turno do Campeonato Brasileiro o assunto surgiu com força de notas oficiais, que o jornal O Globo chamou de capítulo bizarro. Nela, destaco a frase do Presidente do Atlético Paranaense, Mário Celso Petraglia: “Difícil destruir o poder extracampo dos paulistas!”. Destaco também, na mesma edição, por tratar do mesmo assunto, a primeira nota da coluna do jornalista Renato Maurício Prado.

O tema chama a minha atenção por três aspectos. No primeiro, se verídico o comportamento dos árbitros, ele terá o peso do doping nos esportes, que desequilibra a competição em favor do atleta turbinado, além de fazer mal à saúde dele. No futebol, a parcialidade do árbitro cumpre o papel da droga, porque dá ao time favorecido uma vantagem desleal em relação ao competidor e faz muito mal à saúde do futebol, que já anda, por nossas terras, debilitado.

1808.RMPPortanto, para este caso, advogo que, por semelhança, seja punida com o mesmo peso com que se pune o doping, a atitude plenamente comprovada de favorecimento do árbitro em favor de um dos times em campo

No segundo aspecto, o proceder dos dirigentes dos clubes de futebol que, vez por outra, acusam os árbitros de favorecimento aos adversários de ocasião. Eles, quando acusam sem provas, com o propósito único de oferecer argumentos para o desempenho ruim dos seus times em campo, também deveriam ser punidos. Cá entre nós, um velho costume!

No terceiro aspecto está a notícia trabalhada na coluna do Renato Maurício Prado sob o título de “Teimosia lamentável”. O autor evidencia um dos vícios de personalidade, que ganha peso de crueldade, quando aplicada ao esporte: o descaramento. A nota dispensa comentários mais elaborados. Ela fala – quem sabe até berre – em favor da saúde do futebol brasileiro.

Por fim, as três situações dão ao futebol a imagem de uma ação entre pessoas que aplicam à arte a Lei de Gérson: “o importante é levar vantagem em tudo, certo?”, imagem que não faz justiça ao mais belo e rico esporte coletivo do mundo.

Por Jackson Vasconcelos

 

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