Gol de mão!

O advogado Flavio Zveiter e o professor Márcio Guimarães afirmam, no artigo “Clube-empresa é um desafio legal”, publicado no jornal O Globo, do dia 19 de setembro: Os clubes de futebol possuem peculiaridades que os diferenciam de outras atividades empresariais, o que justificaria inclusive a criação de um “código de insolvência”. 

As peculiaridades são um fato e aí está um problema grave a ser resolvido e não, novamente, usado para justificar um modelo que dá liberdade de decisão aos cartolas sobre o destino dos impostos e direitos trabalhistas. 

A regra nesse ambiente, com exceções só para confirmá-la, é desviar o dinheiro que deveria pagar os impostos e direitos trabalhistas na direção dos contratos com jogadores e técnicos e de outras despesas e pirotecnias vinculadas aos jogos do dia seguinte.  O “código de insolvência” já existe, é antigo e premia com a ausência de punição todos os atos de imprudência administrativa. 

Passei algum tempo no núcleo de gestão de um clube de futebol, ocupado com estudos sobre o tema e escrevi um livro, “O Jogo dos Cartolas – Futebol e Gestão”. Entendi, desde lá, que é preciso, sim, mudar o modo como os clubes funcionam. O futebol é uma atividade econômica, com excepcional retorno financeiro, porque explora a paixão dos torcedores na essência do negócio e, no entanto, anda no vermelho no Brasil, por ser sempre chamado à corresponder à paixão insana dos torcedores transformados em dirigentes dos clubes.   

Que reforma se deve fazer? Uma que reconheça que o futebol, como todo negócio – e é um bom negócio – deve estar sujeito às leis que estão sujeitos todos os outros negócios, bons e ruins. Sem privilégios, sem peculiaridades e sem códigos de exceção. 

Na onda das peculiaridades, que quebram na praia todas as vezes que os clubes de futebol se endividam aparecem as soluções engenhosas: parcelamentos com anistias, Timemania, Profut e a novidade de agora. Nesse jogo, vale gol de mão e até cavar pênalti para derrotar o contribuinte. O que se quer, na verdade, é facilitar e premiar o calote. 

Há outro caminho? Sim. Ofereçam o negócio a investidores privados, daqui e do resto do mundo, Ah! Mas, eles exigirão gente diferente à frente do negócio. Evidente! 

É quando o bicho pega, porque quem está na política dos clubes não quer largar o osso, menos ainda os que estão na cadeia produtiva do negócio e levam uma vantagem enorme quando negociam com amadores apaixonados.

E o clube que não encontrar investidores para seu time de futebol? Tenha o destino de todos os negócios que, por erros de gestão ou falta de mercado para os seus produtos fecharam as portas. É duro? É, mas a alternativa está aí há muito tempo e tem sido desagradável para os contribuintes e até para os torcedores. 

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