Futebol, profissão ou bico?

cartao-vermelho-juiz“Sem os árbitros não há jogo. Quatro no todo. Um principal, dois bandeirinhas nas laterais do campo e o quarto árbitro. Eles fazem valer as regras. São, portanto, peças indispensáveis, com papel equivalente ao dos jogadores. Mas, apesar da importância que têm, pouca atenção recebem dos que exploram o futebol”. (Livia Andrade – “Profissão, árbitro de futebol”, trabalho elaborado em 2009).

Os árbitros me fizeram encontrar um lado bom na MP 671. Bem que a minha vó me dizia: “Em toda coisa ruim haverá sempre um lado bom. Tente encontrá-lo”. 

A MP abriu uma janela de avaliação do futebol brasileiro em todos os seus aspectos, até mesmo do mais esquecido deles, o papel dos árbitros.  Aconteceu a audiência pública do dia 6 de maio, no Senado Federal. Lá falaram o árbitro Marco Antônio Martins, Presidente da Associação Nacional dos Árbitros de Futebol e o árbitro Sandro Meira Ricci, reconhecido como um dos melhores quadros nacionais.

O que disse o Marco Antônio, mostra que o futebol brasileiro, apesar de ser um negócio que movimenta R$ 11 bilhões por ano ainda é uma prática para amadores, pessoas que não conseguem viver só do futebol. Para argumentar, transcrevo um pequeno trecho da apresentação, que pode ser alcançada, com qualidade ruim, no endereço: https://youtu.be/EF5_5FtI-V4

“Temos o Sandro Meira Ricci (reconhecido como um dos melhores árbitros brasileiros), que é profissional e ninguém pode dizer que não é. O Sandro tem que acordar às 7h da manhã, trabalhar no Ministério e às 18h da tarde, por exemplo, pegar um avião para apitar Corinthians e Flamengo no outro dia. E o Sandro treina. Mas, o Sandro tem uma condição que é de funcionário público e tem liberdade para sair para apitar jogos. Mas, hoje em dia a maioria não é de funcionários públicos, trabalha na iniciativa privada e qual o empregador deixaria o empregado sair para ficar fora três dias para apitar um jogo?”.

O Marco Antônio encerrou as suas palavras com uma denúncia em forma de reivindicação: “O árbitro brasileiro está preocupado com a liberdade que terá para entrar em campo, sabendo que apitará o jogo de futebol, cometerá um erro, porque está sujeito a errar, e que no dia seguinte, um dirigente de futebol ligará para a Federação e dirá: afasta esse cara, porque senão não votarei em ti pra Presidente da Federação”.

Sandro Meira Ricci encerrou o debate com uma curiosidade: “Quero dizer também que no Estatuto do Torcedor, em nenhum momento a gente encontra a palavra futebol”.

Tanto mais o debate sobre o futebol se aprofunda, evidente fica um fato que serviu de base para o livro que escrevi, “O Jogo dos Cartolas – Futebol e Gestão”. Não se pode mais tratar o futebol como uma atividade exclusivamente lúcida, porque ele se transformou num negócio que movimenta por ano no Brasil R$ 11 bilhões, valor que, com pequenos ajustes no calendário dos jogos, poderia chegar a R$ 62 bilhões e produzir dois milhões de empregos, segundo dados informados pela Fundação Getúlio Vargas, na voz autorizada do consultor Pedro Trengrouse, disponível AQUI.

A CBF e as Federações deveriam ter quadros próprios de árbitros remunerados, com dedicação integral, porque eles, para cumprirem bem o papel que lhes cabe de dar qualidade maior aos espetáculos, precisam de treinamento, preparo físico e psicológico constante, além de atualização e estudos. O futebol brasileiro opera valores que comportariam a inovação.

Por Jackson Vasconcelos

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