Futebol, ciência ou estupidez?

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Tanto mais me aproximo do futebol, tanto menos entendo o que passa pela cabeça dos presidentes dos clubes. Esta semana está marcada pela demissão do técnico Vanderlei Luxemburgo. Desta vez, do Cruzeiro, uma empresa que fatura quase R$ 200 milhões por ano.

Quando escolheu o Vanderlei Luxemburgo, o Presidente do Cruzeiro sabia que contratava para substituir o técnico Marcelo Oliveira, campeão brasileiro nos dois anos anteriores, alguém que no mesmo período comandou o Fluminense, rebaixado no campo, e o Flamengo, que apresentou resultados bem ruins. Isso, certamente, não aconteceria em empresas de qualquer outro ramo.

Mesmo diante do histórico profissional ruim e recente do técnico Vanderlei Luxemburgo, Gilvan de Pinho Tavares, Presidente do Cruzeiro, declarou o seguinte à imprensa quando recebeu o técnico:

“Gostaria de dar uma explicação sobre a saída do Marcelo Oliveira e sobre o momento da saída. O time do Cruzeiro não foi tão bem quanto em anos anteriores. O momento exato foi definido depois da saída do Cruzeiro na Libertadores. Durante o Campeonato Mineiro, a caminhada do Cruzeiro não foi a esperada. A diretoria do Cruzeiro vinha impaciente com a diretoria e a comissão técnica anterior. A gente esperou o máximo possível. Não poderíamos esperar mais, porque o Brasileiro está em andamento e só conseguimos um ponto em 12 disputados. O Cruzeiro é um clube muito grande, tem história. Precisávamos trazer alguém que colocasse o clube onde merece. A pessoa escolhida por um consenso da diretoria foi o Vanderlei Luxemburgo, porque teve uma passagem brilhante pelo Cruzeiro e excelente no futebol brasileiro. A gente oscila, mas podemos ter um caminho de glórias e cheio de conquistas”.

Charge de André Guedes, para o Globoesporte.com, 31/08.

Charge de André Guedes, para o Globoesporte.com, 31/08.

Em pouco tempo, Vanderlei Luxemburgo repetiu no Cruzeiro a performance que teve no Fluminense e no Flamengo. Nesta segunda, 31/08, o presidente do Cruzeiro, então, veio novamente à público:

“Onde que a diretoria teria errado? Não era para vender Ricardo ou Éverton? Era possível segurar? Quem está fazendo falta atualmente são só esses dois. Se eles estivessem estaria o time completo. A imprensa divulga coisas que não sabe. Depois do Marcelo Moreno, disseram que fizemos desmanche do time ao não ficarmos com ele. Quase tivemos com o Robinho aqui, mas uma proposta do futebol estrangeiro nos impediu de trazer. Não poderíamos chegar nem próximo do salário e das luvas que ofereceram. Achamos que teríamos o Cicero, mas tinha uma dívida da Unimed com investidor, e por isso ele ficou no Fluminense. Lutamos de todas as maneiras para trazer o Lucas Lima, íamos fazer um dos maiores sacrifícios para trazer um jogador e ele iria suprir uma dessas lacunas que ficaram, mas não tínhamos dinheiro”.

E disse mais:

“Poucas vezes eu vi um treinador tão dedicado e trabalhando tanto, só que os resultados não vieram e ele estava sendo acusado de coisas injustamente, coisas que ele não fez, que era deixar de dar treino. Mas, quando chega a um ponto desse não há como a gente segurar. Acho que não era, sempre achei, que não era o momento de trocar treinador. Você troca treinador mais no princípio do ano, quando ainda dá tempo de recuperação. Mas, essa recuperação não veio e eu não podia mais deixar a coisa continuar dessa forma…”.  É dispensável comentar.

Mas, que saída encontrou o Presidente Gilvan de Pinho Tavares para os problemas que teve com o Vanderlei Luxemburgo? Ele contratou o técnico Mano Menezes que, em desempenho ruim, nada deve ao antecessor. E, por onde anda o Marcelo Oliveira? No Palmeiras, que fechou a rodada no G4.

Encerro as considerações sobre o fato com o vídeo de uma entrevista do Gilvan cheio de mágoas com a torcida e com a declaração mais incisiva dele:

“Ver que há essa repugnância por parte grande da imprensa e nas redes sociais é muito difícil, muito dificilmente consegue-se mudar o perfil disso das pessoas. Esse ódio criado em torno de um presidente que conseguiu ganhar dois Campeonatos Brasileiros, sinceramente não entendo. Daí para frente vira velho, teimoso, rabugento?”.

Por Jackson Vasconcelos
Foto: Washington Alves / VIPCOMM

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