Fluminense. A censura.

Flu

Inicio com um trecho do Nêumanne no livro “O que sei de Lula”: “Para a Receita Federal, os cidadãos passaram a se dividir em duas bandas: os violáveis e os invioláveis. Foi mais uma prova de que a lei mais forte na República petê-lulista é a “dos dois pesos e duas medidas”.(…) “O petismo forte, popular e implacável no poder republicano ao longo dos dois mandatos presidenciais adaptou o velho dilema “Para os companheiros, impunidade; para os inimigos, perseguição”.

O Valor Econômico circula hoje com uma matéria sobre o Fluminense, bem construída pelo Guilherme Seródio. Escrevo só a título de adicionar informações que faltaram à matéria e podem melhorar a compreensão do assunto.

No Fluminense, o valor dos impostos abertos até a exclusão esquisita da TIMEMANIA estava em 31 milhões de reais, porque o Fluminense recolheu e pagou no curto período de dois anos, quase 60 milhões de reais. Fizemos isso, sem perder competitividade e conexão com os torcedores (repetição do título brasileiro e conquista de um título estadual).

Nos seis anos anteriores a dezembro de 2010, quando chegamos, mesmo depois da opção pela TIMEMANIA, as diretorias anteriores recolheram menos de 3 milhões de reais de impostos, não cumpriram os acordos trabalhistas, que firmaram, demitiram sem pagamento das verbas de rescisão e destruíram toda a estrutura.

Na TIMEMANIA, hoje calcanhares doloridos, encontramos 12 parcelas sem pagamento; a exclusão do FGTS e um passivo trabalhista de quase 300 milhões de reais.

O que se fez? Pagou-se as parcelas da TIMEMANIA que estavam atrasadas, parcelou-se novamente o FGTS, depois de auditar a dívida e descobrir que o Fluminense confessara 3 milhões de reais acima dos valores efetivamente devidos; deu-se solução ao passivo trabalhista.

Demonstrado nos balanços de 2011 e 2012, entregou-se ao Estado Brasileiro, em apenas dois anos, a título de impostos e aos trabalhadores, a título de verbas de rescisão e dívidas trabalhistas, mais de 100 milhões de reais.

De onde veio o dinheiro, já que quando chegamos, não se tinha caixa pra pagar o salário do mês? Veio do aumento das receitas, por causa da renegociação dos contratos, inclusive TV. E, também de uma bem pensada engenharia administrativa e financeira, que reorganizou o sistema de contas. O Presidente do Fluminense, no lugar de contratar jogadores, manteve o elenco com um perfil competitivo sem custos maiores e direcionou os recursos para o pagamento das dívidas e para investimento. Xerém é novidade, em estrutura física e técnica. Laranjeiras está reformada, inclusive no parque que suporte os esportes olímpicos. Os jogadores jovens no elenco principal e espalhados pelo mundo – um trabalho que você, meu caro, teria orgulho de conhecer. O déficit em balanço, no período, saiu de mais de 40 milhões, no balanço de 2010 para 3 milhões no balanço de 2012.

A dependência que o Fluminense tem do dinheiro da  UNIMED esteve em redução paulatina até entrarem em cena os procuradores da Fazenda Nacional.

No campo da imagem e da reputação, o Fluminense ganhou a fisionomia de um clube com gestão responsável, eficiente e transparente.

Os 31 milhões não pagos, que geraram a queda de braço com a Procuradoria da Fazenda Nacional, não foram pagos antes, porque a lei não permite parcelamento administrativo. Aguardou-se a execução judicial e, tão logo, aconteceram as penhoras, o Presidente buscou acordo com a Procuradoria da Fazenda para convencer a Justiça da necessidade de parcelar.

O resto está exaustivamente dito.

Eu poderia encerrar o texto aqui, mas quero dividir com você, caro leitor, uma reflexão: sinceramente, é possível que no presente caso não exista só o ânimo pessoal dos procuradores, por serem Flamenguistas ou simplesmente arrogantes, como de resto é todo o Estado Brasileiro, que ainda carrega os vícios do período autoritário. A Advocacia Geral da União abraçou a causa do Flamengo, como abraçou publicamente agora a causa do Vasco, fato exposto no site da AGU. Lá estão os escudos dos dois times, o menosprezo ao Fluminense. Estranhei não terem colocado os hinos.  Coincidência? Liberalidade? Duvido muito. Certamente, alguma coisa une os clubes beneficiados. Em algum lugar dessa história o governo colocou o dedo para ser beneficiado.

É sacanagem sim, como disse o Presidente do Fluminense, se ter uma situação como esta no final da linha. O clube, ao contrário de todos os outros, pagou os impostos, os salários, o passivo trabalhista durante quase três anos e o Estado Brasileiro estava na iminência de receber os 31 milhões, uma vez que já penhorados 12 e com o Fluminense já pronto para receber por causa das recentes negociações, mais de 25.

O que fez o Estado Brasileiro? Preferiu não receber a dívida e numa canetada, a ampliou para o valor de mais de 100 milhões de reais, acima, muito acima da capacidade de pagamento do Fluminense.

Estranho, não?

Por Jackson Vasconcelos

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