Fla x Bota: O futebol em liquidação

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Na última sexta, 27/02, o Botafogo apresentou à imprensa os patrocinadores que irão estampar seu uniforme nos clássicos válidos pelo Campeonato Estadual deste ano. A decisão do clube demonstra desespero, atitude razoável para quem vive as angústias que passam os clubes de futebol no Brasil e, principalmente, os cariocas. Sempre atrás do dinheiro para pagar as contas dos espetáculos, que enriquecem outros segmentos. O desespero cria o horror do espetáculo.

A busca desesperada por receita dos clubes transpõe o bom gosto estético nas camisas, backdrops e sites dos times, e atinge a própria exposição das empresas patrocinadoras, e os espaços de exposição se tornam simples encartes de promoção, vistos popularmente em supermercados.

A conjuntura econômica do país já não anda bem das pernas, e acredita-se que o empresariado saiba disso, e deseje investir em publicidade dentro daquilo que lhe gere retorno financeiro, com o menor risco possível. E, em contrapartida, os clubes sofrem para manter suas contas em dia com seus principais ativos, imagina com os demais departamentos como, por exemplo, os de comunicação e marketing.

Falta planejamento, falta análise de sinergia das marcas com seus potenciais consumidores (torcedores do clube patrocinado) e faltam formas criativas em ações para que essas empresas ativem de forma única esses alvos dentro do seu ambiente de paixão – os jogos, seja no estádio, num telão ou pela TV – e também dentro de sua rotina diária de aproximação com seu clube do coração.

As empresas já percebem isso gradativamente (um bom exemplo foi a ação da Casa & Vídeo anunciando determinado produto de forma direta na camisa do Botafogo no último domingo), e se afastam de um mercado que aos poucos vem sendo sustentado majoritariamente com dinheiro público. E os clubes, será que percebem?

Por Carlos Eduardo Moura

Foto: Márcio Mercante/O Dia e Vitor Silva / SSPress.

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