Filhocracia…

“Filhocracia”. Que diabos é isso? De onde veio? A palavra foi criada pelo Luis Erlanger, faz tempo. Aconteceu em 1997. Ele e mais quatro personalidades entrevistaram César Maia, que naquele momento deixava a prefeitura do Rio nas mãos do sucessor que ele mesmo elegeu, Luiz Paulo Conde.

Erlanger reagiu a um comentário e uma dúvida do César Maia, que relembrava o momento em que sucedeu Marcello Alencar na prefeitura do Rio:

– Durante a transição, procurei o Marcello e perguntei: “Marcello, algumas áreas do seu governo deram certo, gostaria de continuar com alguns dirigentes”. Ele disse: “Todos estão proibidos de aceitar cargos no seu governo”. Note bem: “Proibidos. No caso do Gazola (que foi secretário de Saúde no governo do Marcello Alencar), recorri ao Marco Antônio Alencar e disse: “Vê se pelo menos o Gazola continua no meu governo”. O Marco Antônio conseguiu convencer o pai, os filhos sempre conseguem convencer os pais – no caso dessa relação, não sei o nome que se dá na psicologia, um complexo desse tipo…”.

Erlanger, inteligência e humor fulminante, responde:

– Filhocracia.

O tempo passou. Marcello Alencar já se foi. Marco Antônio, nomeado pelo pai, assumiu uma das cadeiras de Conselheiro do Tribunal de Contas do Estado. Não faz muito tempo, por decisão de Justiça foi afastado, preso e solto, mas sem retornar ao cargo, que é vitalício.  César Maia, depois da entrevista, foi candidato a governador, perdeu. Foi candidato ao Senado duas vezes, perdeu. Foi candidato duas vezes a vereador do Rio e venceu. Luis Erlanger permanece ativo e brilhante. Rodrigo Maia, filho do César Maia tem dado as cartas na vida nacional e na vida do pai.  

Em outros campos do mesmo lugar, há os filhos do Picciani, os filhos do Jair Bolsonaro, a filha do Garotinho e, talvez, outros tantos filhos e tantos outros políticos.

Pode, então, dizer que somos uma Filhocracia no lugar de um democracia ou de uma aristocracia?

Por Jackson Vasconcelos

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