FFC: Finanças Futebol Clube

r10O Fluminense tirou Ronaldinho Gaúcho de campo para poupá-lo. Isso está dito na imprensa, que certamente ouviu isso do futebol do clube. Com conceito econômico vinculado ao de oportunidade, poupar indica a decisão de não gastar agora, para com mais propriedade e melhor resultado, usar no futuro. A valer a versão, há que se perguntar: o Fluminense poupa o jogador para utilizá-lo plenamente quando? Porventura na Libertadores? Faria sentido, já que o time está no Brasileirão com propósito exclusivo de chegar até lá. A briga é pelo G4 e não para ser campeão.

Sendo isso, o Fluminense resolveu investir mensalmente mais de R$ 1 milhão entre salários e outras despesas para ter R10 durante, pelo menos, sete meses, até o início da Libertadores. Na conta final, mais de R$ 7.000.000,00!

Mas, existe a versão oficial da ausência do R10 em campo para recondicionamento físico. Ou seja, o jogador foi contratado sem estar em forma para jogar. Normalmente, não se faz isso, mas como o Fluminense divulgou que R10 é marketing, não é futebol, há que se ter a expectativa de retorno do investimento em produtos e serviços impulsionados pela imagem do jogador.

Todavia, fora o que ocorreu nos primeiros dias após a chegada do jogador ao clube, nada mais se viu ou ouviu em operações de marketing impulsionadas com a imagem do R10 e expressão para custar mais de R$ 12 milhões ao ano, já que um dos contratos de trabalho é com base na CLT e, portanto, incorpora os custos com 13º, férias, FGTS, INSS e coisas tais.

Brilhando em campo, R10 estimularia os torcedores a consumirem mais produtos com a marca Fluminense. Em recondicionamento físico, sem que se saiba com certeza por quanto tempo, o que se pode dizer é que o Fluminense carrega uma despesa de R$ 1 milhão por mês, durante, um incerto tempo, que já custou pelo menos dois até aqui.

 DM

Em paralelo, caminha a notícia da ausência de dez atletas no time, a maioria por problemas médicos, um deles, o Fred, que dá ao título de capitão sentido completo. Uns pelos outros, somadas as despesas legítimas com o Fred, o Fluminense está a gastar quase todo o valor destinado à folha de pagamentos do departamento de futebol – R$ 5 milhões no todo, segundo o presidente do clube – com jogadores que não estarão em campo não se sabe por quanto tempo.

Quem poderia prestar socorro ao clube numa situação de jogadores com problemas médicos? Até maio, houve um Vice-Presidente Médico, que resolveu renunciar ao cargo, porque alguém no departamento de futebol acreditou ser mais médico do que ele.

 Por essas e outras, administrar as finanças de um clube de futebol será sempre uma tarefa inglória.

Por Jackson Vasconcelos
Foto: Arte sobre imagem de Nelson Perez/Divulgação FFC

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