Está sem liga a Primeira Liga

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O propósito é senhor do sucesso ou azar de qualquer projeto. Para confirmar o fato, vagueia por aí, como alma penada, a natimorta Primeira Liga/Sul-Minas-Rio de futebol. Durante a semana, o Presidente do Cruzeiro, Gilvan de Pinho Tavares, colocou sobre o caixão mais uma pá de cal, quando avisou que a competição “não é rentável” para o clube e que, por isso, o time não disputará o torneio.

Poucos dias antes, no encontro de confraternização e apresentação da Liga à imprensa, na sede do Fluminense, os presidentes do Flamengo e do próprio Fluminense deixaram evidente o desconforto deles com a a escolha dos cartolas Kalil, de Minas e Petraglia, do Paraná, para o comando da Liga. No final do encontro, todos posaram para um bela foto que, por não captar imagens dos fígados de cada um, passou a ideia de um grupo unido e feliz.

A Liga não poderia mesmo dar certo, porque foi criada exclusivamente para fazer pirraça. Eduardo Bandeira de Mello, presidente do Flamengo e Peter Siemsen, do Fluminense, levantaram a a proposta de criar uma Liga, quando o presidente da Federação de Futebol do Rio de Janeiro, Rubens Lopes, ajudado pelo presidente do Vasco da Gama, criou-lhes problemas.

Briga de egos! Sobre ela, cometei algumas vezes aqui no blog. É verdade que enfrentar o presidente da FERJ não é trabalho fácil, por causa dos plenos poderes que lhe dá o estatuto, fato que comentei no post  “Nelson Mandela para  Presidente da FERJ”.  

Contudo, o mesmo estatuto aponta a porta de saída para os presidentes que se tornem tiranos: eleições, alternância. Só que isso dá trabalho e exige paciência, composições e discursos que convençam os eleitores. Bandeira de Mello e Siemsen escolheram outro caminho, o do confronto sem enfrentamento, o da pirotecnia retórica estéril. A Liga Sul- Minas-Rio é um dos efeitos.

Bandeira de Mello e Siemsen teriam agido melhor se repetissem na Ferj o caminho que usaram para chegar à presidência dos seus clubes. Primeiro, colocaram na voz um discurso convincente, depois organizaram os aliados, prepararam uma campanha e, por fim, conquistaram os votos.

Na Ferj, com o mesmo comportamento, teriam feito um belo papel em favor do futebol carioca. Preferiram eles, no entanto, por miopia, estupidez ou arrogância, que no esporte tem o apelido único de “sapato alto”, dar as costas para o futebol carioca. Acreditaram que no Sul e em Minas fariam sucesso. Deram com os burros na água! A turma de lá discriminou-os como eles discriminaram os times do Rio. E, pra piorar o quadro, Flamengo e Fluminense foram um fiasco no Campeonato Brasileiro.

O que farão agora Eduardo Bandeira de Mello e Peter Siemsen? Voltarão para o velho e cansado futebol carioca, com cara de quem não é Garrincha, mas grande mané. Tomara que tenham compreendido bem o recado da vida. O mesmo voto faço para o Rubens Lopes, Presidente da Ferj. Afinal, os dois clubes são uma bela vitrine para o futebol que ele administra. Se todos esqueceram por algum instantes os próprios egos, certamente, o futebol carioca voltará a ter prestígio nacional. Quem sabe?

Por Jackson Vasconcelos

Foto: Nelson Perez/Divulgação FFC

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