Esses moços…

Prezado Mário.

“Jackson Vasconcelos tinha escritório no mesmo prédio e não sei se ainda possui”.

Uma das normas pétreas do debate político é o direito de pronúncia, quando se é citado.  

Essa norma é menos do que o direito de resposta, que não é a situação aqui. Eu não entendi a minha presença na defesa, que você faz de você mesmo. Mas, como “o coração tem razões que a própria razão desconhece…”. Quem sabe, a saudade? Encheram a sua cabeça. Você juntou tudo à sua vaidade e sumiu.

Sou Fluminense. Eu assumi a paixão depois dos 50, quando fui me envolver com a campanha e com o mandato do Peter. Antes, futebol era coisa distante de mim. Você tem um pouco de culpa de eu ser hoje um torcedor.

Estou um tanto distante do processo eleitoral do Fluminense. Gente sua, comunicou à imprensa que eu teria sido contratado pelo Peter para fazer a campanha do Abad. A notícia encontrou eco ou medo na equipe de comunicação do Peter e ela explodiu o fato. Eu jamais aceitaria a campanha do ABAD. De todos os candidatos que se apresentam, ele é a pior escolha, porque seria um presidente pela metade, como, aliás, pela metade ou por ⅓ , ele tem sido Presidente do Conselho Fiscal. O cara não tem perfil nem aptidão. Só quem não viveu ou não se lembra da crise imensa do Peter com a Receita Federal e da omissão do moço, pode acreditar que ele seja capaz de mover um fio de cabelo a favor do clube.

Mas, se sócio eu ainda fosse, não votaria na chapa Mário Bittencourt & Tenório, pelo risco de ela, eleita, provocar nos bastidores do futebol crises em cima de crises. E você e o Peter, por prática direta, me ensinaram que as crises nos bastidores do futebol levam o time ao desastre. A desclassificação na Libertadores nas quartas e os casos recentes na sua passagem pela VP de Futebol mostram isso. Quem trabalhou no departamento do futebol ou nas vizinhanças dele nos três tempos em que você andou por lá é capaz de compreender o que eu digo.

Anunciar em alta voz percentuais de aproveitamento para provar bom desempenho é desconhecer por ignorância ou propositadamente a composição das causas dos resultados. O aproveitamento de um time é a soma de um esforço conjunto, que pode conter, inclusive, a paciência de alguns com a arrogância de outros.

Os problemas no futebol são campos férteis para personalidades arrogantes, prepotentes e vaidosas. Há ateus que não acreditam em Deus, meu caro, por não gostarem da concorrência.

No campo pessoal, nenhum reparo faço a você e ao Tenório. Seria injusto fazer. Vocês são, separadamente, dois caras bons. Mas, juntos, vocês anunciam problemas e quem conhece a relação entre vocês sabe disso.

Vocês estiveram juntos no futebol em 2009. O caso foi bater na Justiça.  

Quando Peter deu um cavalo de pau no destino e fez do Tenório, VP de Futebol, eu sabia que ele duraria pouco, porque você estava por perto. Eu preveni o Tenório. Ele não me ouviu. Não demorou muito, você assumiu o lugar dele, sem piedade.   

Para presidir o Fluminense é preciso ter a capacidade de conciliar. Você administra por conflitos. Você está numa campanha, que tem outros candidatos e cada um com os seus aliados. Você, por ser pragmático, na campanha será gentil com todos. Mas, se eleito, a história seguinte será outra. Haverá retaliações, porque é da sua natureza retaliar e não autorizar contestações nem divergências.   

Se vocês vencerem, o futebol do Fluminense terá problemas. Há uma lei da física que se aplica às relações políticas e aos processos de decisão: “tanto mais atrito, menos aceleração, menos velocidade”.

O Fluminense precisará nos próximos anos de resultados em campo e paz no ambiente administrativo, porque a estabilidade financeira que está na tona da campanha pela voz do Peter e da Flusócio não é real. É imagem. O clube não suportaria aventuras como as que você costuma fazer, quando administra. O Ricardo Tenório, por sua vez, não suportaria dez minutos da vaidade que emerge de você, quando está no poder.

Meu cordial abraço.    

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Jackson Vasconcelos

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