Enderson no Fluminense

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O frisson da semana no futebol foi a saída do técnico do Santos Futebol Clube, Enderson Moreira. As causas? Talvez todas as publicadas sejam verdadeiras ou nenhuma delas. No portal Terra, o Klaus Richmond listou sete motivos para a saída do Enderson, todos convincentes, apesar do significado do número sete no mundo das verdades e mentiras.

Sequer conseguimos saber se houve demissão, porque o presidente do clube, Modesto Roma Junior, na entrevista coletiva sobre o tema, avisou: “nem ele pediu demissão, nem foi demitido. Firmamos um acordo”.

Entretanto, ainda caminhava a coletiva, quando, por telefone, o empresário do técnico avisou a um dos jornalistas presentes que houve sim, demissão. A discussão deve estar no campo da obrigação de pagar a rescisão que, certamente,  inclui um percentual para o empresário.

Seja como foi ou porque foi, o Enderson deixou o Santos no tranco, de supetão, quase na véspera de um jogo importante, sem que o clube tivesse, sequer em mente, um substituto ou soubesse o que fazer diante da situação. Esse é outro traço de semelhança entre os clubes de futebol. Os técnicos, de uma hora para outra, pegam as suas tralhas e seguem caminho. E, dane-se quem fique para trás e o prejuízo que a decisão possa provocar ao clube.

Mas, não há para tais casos, multas pesadas? Claro! Todavia, eu desconheço um caso em que a penalidade tenha sido aplicada aos técnicos. Eles têm um poder mágico. Quando querem deixar um clube, tornam insatisfeitos os torcedores, que transferem o descontentamento para o seu colega de arquibancada que está, temporariamente, presidente do clube. E, como presidente manda, ele demite o técnico e o clube paga a conta.

O Enderson Moreira passou pelo Fluminense em 2011. Chegou no mês de março, para cobrir a saída do técnico Muricy Ramalho, que deixou o clube pela porta dos fundos, impulsionado pela primeira de uma série de conflitos que marcariam a relação entre os titãs, Peter Siemsen, presidente do Fluminense e Celso Barros, presidente da Unimed-Rio.

O Celso, feroz com a decisão do Peter de demitir o seu amigo Alcides Antunes da vice-presidência de Futebol, resolveu tumultuar o ambiente. Tinha a seu favor, a paciência do torcedor, que acabara de comemorar o tricampeonato brasileiro sob o patrocínio da Unimed-Rio.

Celso encontrou um bom argumento na saída súbita do técnico Muricy Ramalho. Patrocinador do time, detentor do poder de contratar jogadores e comissão técnica, o Celso Barros resolveu estrangular o sistema. O Fluminense não teria novo técnico se o vice-presidente seu amigo não fosse reconduzido.

Escolha do Peter, Enderson Moreira foi solução de ocasião e deu conta do recado. Não foram pequenas as dificuldades que ele enfrentou.  Mesmo assim, ficou poucos meses, porque o Sandro Lima assumiu as funções que foram do Alcides Antunes e, com habilidade, conseguiu que o Peter e o Celso Barros voltassem a se entender. Os três, Peter, Celso e Sandro, convidaram o Abel Braga, que assumiu o posto do Enderson no meio do ano de 2011.

Por Jackson Vasconcelos

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