Eliane e “Os sem-partido”

Lá pelo meio do artigo “Os sem-partido”, que publicou hoje, 20 de novembro, no Estadão, Eliane Cantanhêde escreve:

“E assim vão chegando ao novo governo economistas que comungam a mesma filosofia liberal, com prioridade fiscal, Estado enxuto e três desafios-chaves do mundo moderno: eficiência, produtividade e competitividade. Isso significa, entre outros, combater privilégios, promover reformas e assumir o ônus político das privatizações. Mas, e o “social”, palavrinha mágica num país desigual como o Brasil?”.

Dali por diante, Eliane segue a navegar nas considerações sobre a carta branca que recebeu Paulo Guedes para compor a equipe econômica do governo Jair Bolsonaro. Atrevo-me a responder à pergunta: “Mas, e o social…num país desigual como o Brasil”.

A resposta está no preâmbulo da questão. As razões da enorme desigualdade são o Estado paternalista, obeso, ineficiente, improdutivo e que produz uma iniciativa privada pouco, quase nada, competitiva. Um Estado que patrocina privilégios para os mais ricos, entre eles, o de contar com empresas estatais sem capacidade de investimento que compram dos ricos produtos inúteis.

Ou seja, a equação do Paulo Guedes tem as variáveis certas para produzir o melhor resultado para o problema da desigualdade.

No mais, o artigo da Eliane Cantanhêde, levanta lembranças dos governos militares para aproximá-los o mais que puder do governo Jair Bolsonaro. E faz isso, contabilizando o número de militares convocados pelo presidente eleito e replicando no Paulo Guedes as personalidades de Roberto Campos, Delfim e Simonsen. Esqueceu-se de Gudin.

Sei que o desejo da Eliane não é o de honrar os governos militares, mas que ela, com as lembranças que traz pode conseguir, isso pode. Houve muita coisa ruim nos governos militares instalados em 1964, mas se existiu algo bom esse algo foram Gudin, Campos, Simonsen e Delfim.

Além dos militares Jarbas Passarinho, Mário Andreazza e, entre outros, Rodrigo Octávio Jordão Ramos, general que se levantou contra as torturas de presos políticos e, antes de todos os demais generais, brigou pelo retorno da democracia. Meu filho mais velho recebeu o nome do general, exatamente, pelos compromissos dele com a democracia.

Por Jackson Vasconcelos

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