Eleição no Fluminense – Confusão no cadastro

urnaAs campanhas e eleições para as funções de Estado – vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores e presidente – são organizadas e fiscalizadas pelos tribunais eleitorais. Em clubes de futebol e instituições outras, os estatutos identificam os magistrados. No Fluminense, é o Presidente do Conselho Deliberativo, e o Estatuto não admite a situação de vácuo. Quando há, pela inércia do Presidente do Conselho, o Presidente do Clube assume naturalmente o papel, embora legalmente não esteja autorizado.

Não há eleições sem campanhas. Portanto, para que se garanta a todos os candidatos isonomia no processo, o papel dos magistrados não pode estar restrito à eleição. A minha percepção é de se estar, no Fluminense, numa situação em que o magistrado, Presidente do Conselho Deliberativo, só deu as caras para presidir a eleição e poucos dias antes. A única presença pública dele está registrada no site e é uma recomendação simples, banal: “O ideal é que procurem chegar cedo. O processo deve ser bastante rápido. Estamos bem estruturados. Fundamental que também não se esqueçam de trazer um documento de identidade oficial com foto. É necessário para votar” explicou ele.  

Como há um candidato declarado da situação, o Presidente do Fluminense está em campanha. Ato legítimo. Ele e todo o corpo funcional – ato ilegítimo. A minha percepção se confirma com as notícias de confusão no cadastro do colégio eleitoral. Ninguém cita ou ouve o Presidente do Conselho Deliberativo.

A ausência do Presidente do Conselho na campanha tem levado o evento no Fluminense para um ambiente de absoluto conflito ético, com o Presidente do Clube, árbitro e gerente do processo, em campanha por um candidato. O cadastro de eleitores é mais um fato a comprovar como é perniciosa a campanha arbitrada por um dos candidatos. Ela leva dúvida para o resultado da eleição.

Um dos solos sagrados de qualquer eleição é o colégio eleitoral. A liberdade para compor o cadastro ao prazer de um dos candidatos é fraude. Pouco importa que seja ela intencional ou não. É como matar alguém. Se foi por acidente ou vontade pessoal, pouco importa, o resultado será é o mesmo.

A pergunta é: quem organizou o cadastro de eleitores? Certamente, a secretaria do clube, um órgão técnico sem coloração política, mas subordinado ao cabo eleitoral fundamental de um dos candidatos, aquele que, por óbvio, representa a situação. O cadastro apresentou problemas. Quem fará a depuração? Certamente, a secretaria do clube, subordinada ao cabo eleitoral fundamental de um dos candidatos. E o tempo para isso? Quatro dias.

Eu tenho certeza de que tudo será feito com a mais absoluta lisura, mas esse é um sentimento pessoal, que tem causa na minha convivência com a secretaria do clube. Mas, o sentimento pessoal de alguém será fato suficiente para garantir a todos os demais participantes do processo – candidatos e eleitores – que teremos uma eleição limpa?

Claro que não, principalmente, porque a campanha foi arbitrada, toda ela, pelos adeptos declarados de um dos candidatos.

Há quem grite Brasil afora por uma governança corporativa melhor nos clubes de futebol. Nada mais justo, porque, embora pareçam entidades privadas, eles vivem de privilégios fiscais, sejam isenções na fonte, sejam anistias nos parcelamentos dos impostos a perder de vista. Nós contribuintes, tricolores ou não, pagamos a conta no final da festa.

Por Jackson Vasconcelos

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