Eleição é questão de estratégia

2015.1202.LudwigVonMisses

Na obra “Ação Humana” Ludwig Von Misses afirma que o ato de agir, de mover-se, “não é simplesmente uma manifestação de preferência (…). Aquele que apenas almeja ou deseja não interfere ativamente no curso dos acontecimentos nem na formação de seu destino”.

Diz mais: “O incentivo que impele o ser humano à ação é sempre algum desconforto. Um ser humano perfeitamente satisfeito com a sua situação não teria incentivo para mudar as coisas”. E diz ainda: “Para fazer uma pessoa agir não bastam o desconforto e a imagem de uma situação melhor. Uma terceira condição é necessária: a expectativa de que um comportamento propositado tenha o poder de afastar ou pelo menos aliviar o seu desconforto. Na ausência desta condição, nenhuma ação é viável…” .

Entender a lógica de Ludwig é obrigação para quem elabora os discursos que serão utilizados na formulação estratégica de uma campanha eleitoral. O candidato que está no Poder, para vencer novas eleições, precisa de eleitores que estejam satisfeitos com ele e, se isso, por qualquer motivo, não for possível, ele terá a obrigação de demonstrar que a alternativa trará desconforto maior. Uma situação do tipo “Ruim comigo, pior sem mim”, quando não for possível, o “está bom comigo? Então, pra quê mudar?”

Em 2013, Peter Siemsen desejou ser reeleito presidente do Fluminense Football Club. Boa parte dos eleitores estava formada por torcedores do time, que estava em péssimos lençóis. Fomos para o discurso do: “ruim comigo, estejam certos de que com eles será pior, bem pior”. Ele derrotou o seu adversário, o jogador ídolo do Fluminense, Deley, com um resultado massacrante.

Por Jackson Vasconcelos

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