Egos inflados. Informação nenhuma.

JucaXFeldman“Quem diz o quê, para quem e com quais efeitos? E, em que canal?”, Lasswell. Sem sofisticar a leitura do modelo de Lasswell, faço dele uso para apreciar a exaltada discussão entre o jornalista Juca Kfouri e o Secretário-Geral da CBF, Walter Feldmann, nas páginas do jornal Folha de São Paulo. Aconteceu em maio, tempo que a velocidade dos dias atuais e o impulso das mídias sociais tornaram velho, mas útil como estudo de caso. Até porque, quase todos os dias, a imprensa, principalmente a esportiva, oferece exemplos semelhantes.

Vamos lá. No dia 08 de maio, Juca Kfouri postou em seu blog no UOL “O choro do Secretário-Geral da CBF”, que replicou, dois dias depois, na Folha de São Paulo, com título novo, “Metamorfose” e algumas alterações. O objetivo dele seria reagir ao pedido de uma trégua de 100 dias, que o recém escolhido Secretário-Geral da CBF, Walter Feldmann, fizera ao distinto público, numa visita à Câmara dos Deputados.

Entretanto, se lê logo nas primeiras linhas, que a intenção do Juca foi canalizar para o Feldmann o ódio de anos que tem pela CBF, apelidada por ele no primeiro parágrafo do texto de “Casa Bandida”. Juca bateu duro, não na figura institucional do Secretário-Geral, mas no caráter do ocupante do cargo.

Uma semana depois, Feldmann respondeu com o artigo “Paixão e Rancor”. Aproveitou a “deixa” do Juca, para elogiar os colegas da CBF – mostrar que a Casa não é bandida. Em seguida, ofereceu aos leitores os planos da Casa para o futebol brasileiro e ponto por ponto, rebateu os argumentos do Juca, deixando para o final, o combate às acusações pessoais que recebera. Melhor no esgrimir a retórica, Feldmann, ferino, fez comparações: “Felizmente, Juca e eu estamos em campos opostos. Ele gosta de medida arbitrária. Eu, do debate democrático. Ele coloca a certeza empedernida adiante dos fatos. Eu, não. Eu vejo magia nos campos. Ele vê bruxarias. Eu acho que futebol é paixão. Ele acha que é rancor. Eu amo futebol. Ele, talvez, simplesmente, não ame”.

Juca voltou à carga, para mostrar que acusou o golpe. Partiu pra dentro: “O fato de lembrar que ele já serviu a Mao, à Albânia, ao PMDB, ao tucanato, a Kassab, a Marina e, agora, a Marco Polo Del Nero não deveria causar nele tamanha espécie…”. E, como faziam no passado os meninos nas brigas de rua, o Juca chamou dois irmãos para bater no “garoto valente”: “Como todo oportunista, o secretário-menor da CBF escolheu para bater em quem rende junto ao chefe. Levou pela proa duas cipoadas de dois dos mais importantes jornalistas do país, Alberto Dines e Mário Magalhães”, que, de fato, entraram na briga com artigos nas mídias sociais próprias.

Não me parece que o Feldmann voltou à carga.

Depois de ler tudo isso, retorno ao modelo de Lasswell: “para quem e com quais efeitos”, se produziu tantos textos? Que canal usaram?”. Foram alcançados os objetivos de “mobilizar o ódio contra o inimigo, manter a amizade dos aliados, cooperar com os neutros, desmoralizar o inimigo?”.

O Juca tornou a dizer o que todos já sabíamos. Ele tem ódio da CBF e estenderá o sentimento para qualquer pessoa que nela ingresse. Zero de informação nova. Zero de novidade de opinião. E, zero de originalidade no propósito de desmoralizar o inimigo, porque a CBF e o Feldmann, pela posição que ocupam no imaginário popular não têm vida fácil. No final, o Juca manteve os aliados de sempre.

O Feldmann se defendeu. Poderia não ter feito, para não dar ao Juca mais um ato no palco. Contudo, melhor com a espada, pelo menos, cooperou com os neutros ao passar os planos da CBF pelos dutos do artigo e no final, inflou o ego dos aliados.

Feldmann é hábil. O debate dele com o Diretor Executivo do Bom Senso, num dos programas do canal Sportv é outra peça interessante para análise. Ele, didático, deu uma aula sobre o processo legislativo e a ginga dos parlamentares. A Folha de São Paulo? Ficou com o papel menor de palco para uma briga de egos.

Por Jackson Vasconcelos

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