E, o Bandeira, de bobo, nada tem!

Bandeira.Wallim

No Flamengo, a fogueira das vaidades poderá tostar a Chapa Azul, mas, tem tudo, para dar ao Bandeira de Mello um mandato novo, com o espurco daqueles que subestimaram a sua inteligência estratégica. A vaidade cega. O fanatismo cega mais ainda. E, os dois ingredientes aparecem na abertura da campanha pela eleição do Presidente do Flamengo.

O grupo que venceu a eleição de 2012, chamado de Chapa Azul, num ambiente rubro-negro, nos três anos de mandato tentou, com certo sucesso, passar a imagem de equilíbrio e frieza, quando estão em jogo os interesses e o futuro do clube. A intenção chegou ao ponto de se perceber uma sutil onda de operações de marketing e comunicação nesse sentido.

No entanto, bastou ser acessa a fogueira de uma nova campanha eleitoral, para a imagem derreter. A tal Chapa Azul resolveu partir para a eleição dividida, com o risco de perder.

De um lado está o atual presidente, Eduardo Bandeira de Mello, que deseja a reeleição. A desinformação o fez presidente, porque o candidato escolhido para a cabeça da chapa, Wallim Vasconcellos, descobriu depois de registrá-la, que, por não pagar as mensalidades do clube, se fez inelegível. Então, cedeu a vez ao Eduardo Bandeira de Mello. Agora, Wallim quer a cadeira que sempre julgou ser sua. Há quem, entre os participantes da Chapa Azul, ache justa a pretensão e, por isso, seguirá com o Wallim.

Eu, um ser viciado em olhar todos os movimentos políticos pelo ângulo da estratégia, estando na cabeça com a imagem do estilo frio e dedicado do grupo,  tentei encontrar uma causa para a divisão. Até porque, a solução para o problema está diante de todos: reelejam o Bandeira e entreguem o clube ao Wallim daqui a três anos. Desse modo, o grupo, que ao que me parece, seria pule de dez nesta eleição, conseguiria ter, pelo menos, mais nove anos de poder no clube.

Confesso que não encontrei na decisão do grupo de partir dividido para a campanha, nenhuma prova de existir  fundamento estratégico ou tático. Senti-me autorizado, então, a visitar o campo dos caprichos humanos. E, volto a dizer, que trabalho com a pura percepção, por falta de outras fontes de informação.

Imagino que, diante da impossibilidade legal de eleger o Wallim Vasconcellos, a Chapa Azul escolheu o Eduardo Bandeira de Mello por ele, entre todos os componentes do grupo, ser o que passa pelo rosto, a imagem de um sujeito sem ambição, que ficaria altamente linsojeado só com o prazer de sentar no trono. Nenhum incômodo lhe causaria o fato de não ter nem a vara nem o cajado, que poderiam seguir nas mãos do Wallim Vasconcellos, que assumiu a Vice-Presidência da única área que, de fato conta, na vida do Flamengo, o futebol.

Mas, a coisa por lá não andou bem e o Wallim deve ter percebido que o mal resultado fritaria-lhe a imagem pessoal, em sacrifício da decisão, desde sempre tomada, de disputar a presidência no final do mandato do Eduardo Bandeira de Mello. Então, escondeu-se numa Vice-Presidência sem visibilidade e sem risco, a de Patrimônio. Contudo, ao sair, fez declarações à imprensa, que podem servir como elemento tático aos adversários, que ele nunca imaginou, ao que se sabe, ser o Eduardo Bandeira de Mello:

“Minha família jamais fez pressão para sair. Se em algum lugar tive apoio, foi na minha família. O problema é o tempo que tenho para me dedicar ao futebol do Flamengo. Achei que para o bem do Flamengo eu deveria sair. O lema sempre foi: nada do Flamengo, tudo pelo Flamengo. Se achei que não teria o tempo suficiente, prefiro que outra pessoa faça com mais eficiência. (…) Para quem nunca militou no futebol, é uma atividade diferente do que estou acostumado. Quem está de fora não entende as decisões que estão sendo tomadas. Parece que somos incompetentes e não sabemos administrar. Mas são situações que não virão à tona e atrapalham a gestão e o desempenho. E que você, para consertar, demora um tempo, não faz de uma hora para outra. Não me arrependo de nada, e o importante é fazer. É melhor errar fazendo do que não fazendo”.

Como alguém que não tem tempo pra ser vice pode ter para ser presidente? Como alguém que entrega o cargo no primeiro tranco pode ocupar uma função que vive aos trancos e aos barrancos?

Ainda no campo dos caprichos humanos, falo da arrogância, sentimento que também cega com a qualidade de levar o arrogante à subestimar o próximo. Na verdade, Wallim e seus aliados desdenharam ou não perceberam o poder que tem a cadeira de presidente. O humilde Bandeira, como os coveiros que se fazem de bobos, devagar, sem deixar vestígios, tomou pra si a vara e o cajado. Circunflexo, quase no nível da humilhação, aceitou a renúncia petulante do Vice-Presidente de Marketing, substância vitaminada da antiga Chapa Azul.

Bandeira ocupou todos os mastros de visibilidade: TV, rádio, jornais e até a cadeira do lado esquerdo da Presidente da República. Assumiu a paternidade da reforma do futebol brasileiro, levando o Flamengo a mudar o estatuto, bem antes de aprovada em fase final a Medida Provisória.

Na plataforma de lançamento da campanha, contratou os reforços que o Flamengo precisa para dar resultado decente no Campeonato Brasileiro. Passou com a carruagem, enquanto os cães não ladravam, porque ainda dormiam.

A divisão do grupo da antiga Chapa Azul é uma oportunidade para a oposição, que, contudo e claramente, tem imensa dificuldade para apresentar um nome que não represente o retorno ao passado. Então, se não resolvida esta questão – retorno à abertura do texto – o Bandeira de Mello será vitorioso, não só por permanecer na Presidência do Flamengo, como por fazer isso, livre do grupo que achou que ele seria o bobo da corte.

E, para este contexto é bom, muito bom, trazer o Bruxo do Cosme Velho com o conto, “Prólogo”, que mostra o diálogo entre uma linha, uma agulha e o palpite final de um alfinete. Divirtam-se:

Por Jackson Vasconcelos

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